"Em uma cidade com problemas como São Paulo é sempre importante fazer grandes investimentos. Mas primeiro deve-se ver as prioridades para garantir a qualidade desses gastos", ensina o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Polis.
Na sua opinião, uma área interna da cidade, com mais infraestrutura, seria melhor do que por exemplo em Pirituba. A construção de um estádio em Pirituba, em princípio não é má ideia, analisa Nakano, porque está em um vetor de expansão que se reforça, por conta do eixo que leva a Campinas. Mas trabalhar mais próximo a áreas consolidadas ainda é melhor, insiste.
O pesquisador destaca o fato de haver disponibilidade de terrenos na Marginal Tietê, principalmente o de áreas industriais, e também o terreno do Corinthians, em Itaquera, que estão no eixo leste/oeste da cidade, que já apresenta forte urbanização.
O Palestra Itália está nesse eixo de dinamismo. Seria uma boa opção, também. "Mas é preciso analisar se o entorno comporta mais obras", ressalva. A Operação Urbana Água Branca, que já está aprovada, teria que ser repensada, diz Nakano. "Considerando nosso histórico e falta de tradição, seria difícil fazer um projeto urbano e implantá-lo em quatro anos. Mas não é impossível".
Já o Pacaembu tem a vantagem de estar dentro da cidade e ser facilmente acessível, como o Palestra, mas tem uma série de limitações para sua expansão, como a lei de zoneamento e o tombamento.
Por outro lado, ele faz questão que se considere as prioridades da cidade, onde o investimento público em estádio seria uma distorção. "Temos outras urgências. São Paulo tem estádios que podem ser trabalhados para um evento desse, que é de tempo limitado".
Por fim, Nakano desconfia que as idas e vindas nas decisões sobre o estádio de São Paulo na Copa pode esconder outro tipo de problema, político ou econômico. "Por trás de qualquer investimento na cidade há uma coalizão de forças. O que pode estar acontecendo, com essa indefinição do estádio, são conflitos entre esses grupos".
*O arquiteto e urbanista Kazuo Nakano é técnico do Polis, instituto de estudos, formação e assessoria em políticas sociais com desenvolvimento de pesquisas urbanas e atuação em assessorias técnicas em diversas cidades brasileiras na elaboração de planos diretores participativos.