A diretoria do São Paulo Futebol Clube recebeu com surpresa a notícia da exclusão do Morumbi, anunciada ontem (16/6) pelo Comitê Organizador Local (COL) por meio de nota à imprensa e no dia seguinte à estreia do Brasil na Copa do Mundo da África do Sul.
Para o presidente do clube, Juvenal Juvêncio, a escolha da data e do local do anúncio do corte foi uma estratégia para desviar o foco de uma decisão que considera “arbitrária” e que pode ter sido motivada pela briga política entre o SPFC e o presidente do COL e da CBF, Ricardo Teixeira.
“A decisão tomada pela Fifa/LOC surpreendeu a todos porque, inusitadamente, foi anunciada no momento em que as atenções da comunidade esportiva estão voltadas para a Copa do Mundo de 2010, como numa tentativa de esconder o ato sob a sombra dos holofotes focados no maior evento esportivo do Planeta”, declarou Juvêncio ontem à noite em comunicado.
Segundo o COL, o Morumbi foi excluído porque o comitê paulista não apresentou garantias financeiras para a reforma de R$ 636 milhões, que garantiria a abertura de 2014. O clube, por sua vez, afirma que conseguiu parceiros para uma modernização mais modesta, de R$ 265 milhões, já aprovada pela Fifa e que deixaria seu estádio apto às oitavas.
“[O corte] se deu de forma absolutamente arbitrária, num momento em que o São Paulo tinha acabado de apresentar um projeto de reforma do Estádio do Morumbi absolutamente aderente às exigências da Fifa, suportado por um Plano de Viabilidade Financeira ratificado pelo Comitê Paulista e apoiado em seguras garantias oferecidas pela iniciativa privada”.
Retaliação
Em abril, Juvêncio apoiou o candidato vitorioso à presidência do Clube dos 13, Fábio Koff, enquanto Teixeira defendia o voto em seu aliado, Kleber Leite. Depois disso, o Morumbi começou a ser atacado publicamente por Teixeira, que até então vinha se colocando à margem da polêmica. A queda-de-braço política também repercutiu no comunicado do presidente tricolor.
“É o momento de confirmar, também, que o São Paulo não vai mudar em nada sua postura de absoluta independência em relação às demais entidades esportivas e governamentais com quem se relaciona”, diz trecho.
O corte do Morumbi deixa o comitê paulista com quatro opções: a Arena Palestra, do Palmeiras, com 45 mil lugares, e a reforma do Pacaembu, que opera com 37 mil assentos –ambos, portanto, com capacidade inferior ao mínimo de 65 mil pedidos pela Fifa para a abertura. Outra alternativa é a construção da Arena Pirituba (zona norte da capital), que pode ser barrada por prazos apertados e pela infraestrutura precária da região. A última é o próprio Morumbi, já que o São Paulo FC deixou as portas abertas ao comitê paulista.
“Nesse momento, cabe ao São Paulo reafirmar que o Estádio do Morumbi continuará a ser modernizado, com os investimentos oriundos de contratos já celebrados com a iniciativa privada, com empresas cujo interesse em expor suas marcas no Estádio do Morumbi nunca esteve condicionada à realização da Copa do Mundo. Até porque, durante a competição, a exposição de marcas fica bastante limitada”, diz a nota.