A capital gaúcha foi escolhida como uma das cidades-sede da Copa 2014. Agora, começam de fato os desafios para que Porto Alegre consiga superar as deficiências em infraestrutura, esportiva e geral, para atender às exigências da Fifa e, principalmente, transformar esse megaevento em plataforma para se lançar como destino turístico internacional, especialmente do turismo de negócios.
O maior dos desafios de Porto Alegre reside na melhoria da sua infraestrutura urbana, envolvendo dois grandes projetos: a implantação do metrô e a urbanização da orla do Guaíba.
Além dessas, há outras questões relacionadas a segurança e limpeza urbana, itens que, de acordo com pesquisas, afetam sensivelmente a percepção do turista estrangeiro. Porto Alegre precisará de um planejamento por parte da prefeitura específico para melhorar bastante a limpeza pública, ação que trará resultados não apenas na imagem da cidade para os turistas da Copa, mas permanecerá como um resultado positivo para os seus habitantes e visitantes muito depois da realização do campeonato mundial de futebol. A segurança pública também exigirá uma proposta específica, visando a garantir a segurança de turistas, nacionais e estrangeiros, em visita à cidade. Tudo isso é essencial para que Porto Alegre se firme ainda mais como um polo turístico mundial, principalmente de negócios.
Todas essas questões e desafios, porém, exigem planejamento, disciplina que anda relegada ao segundo plano em nosso país. Afinal, da data da escolha do Brasil para sediar a Copa 2014 ao anúncio das cidades-sede passaram-se 19 meses. Perdidos, pela falta de planejamento. As obras necessárias nas diversas áreas exigem projetos executivos (em sua forma final, detalhada) que estabeleçam técnicas construtivas, especificações de materiais, cronograma e orçamentos rigorosos, a fim de evitar serviços feitos às pressas, portanto malfeitos, com custos muito superiores aos previstos inicialmente.
Assim, é essencial que o governo do Estado, a prefeitura porto-alegrense e as demais prefeituras das cidades que serão impactadas pelo turismo da Copa preparem-se já, planejando as obras e serviços necessários, que podem ser realizados diretamente ou por meio de parcerias público-privadas ou concessões, contratando os projetos executivos e definindo cronogramas e orçamentos. Esta é a fórmula para que o maior legado da Copa 2014 seja um Brasil melhor em 2015.
*Presidente do Sindicato da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco) Todas essas questões e desafios exigem planejamento, disciplina que anda relegada ao segundo plano