O antigo estádio Governador José Fragelli (Verdão), em Cuiabá, foi demolido e a nova Arena Multiuso que receberá os jogos da Copa do Mundo de 2014 na capital mato-grossense deve começar a ser erguida em breve, no mesmo local. Com a expectativa de receber poucos jogos no período da Copa e sem times de grande expressão no cenário nacional para manter o estádio futuramente, a grande dúvida é se a nova Arena vai se tornar um elefante branco no meio do cerrado. A resposta da Agecopa - Agência Executora das Obras da Copa do Mundo no Pantanal - é clara: Não! Para isso, um estádio com auto-sustentabilidade foi projetado para oferecer uma série de atrativos depois da Copa do Mundo de Futebol.
A Arena Multiuso de Cuiabá vai custar cerca de R$ 342 milhões e terá lugares para 43 mil pessoas. A obra é de responsabilidade do governo do estado, que pretende erguer a Arena com recursos próprios. No entanto, a Agecopa se mobiliza para garantir também um financiamento junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). "Vamos apresentar uma carta consulta ao BNDES, mas o Tesouro Estadual já assegurou recursos em um total de R$ 89 milhões para este ano", explica Jefferson de Castro, diretor de Orçamento e Finanças da Agecopa.
Ele diz que é prioridade realizar o financiamento mas que o governo estadual, por lei, já prevê a destinação de R$ 250 milhões por ano para as obras da Copa na capital. "Não temos um prazo-limite para realizar o financiamento, mas pretendemos regularizar tudo o quanto antes", frisou o diretor, em entrevista ao Portal Copa 2014.
Futuro da Arena
Jefferson de Castro reconhece que os custos da construção da Arena Multiuso são elevados, mas que tudo está sendo planejado para que o estádio possa gerar recursos para sua própria manutenção futuramente. Uma alternativa é que a Arena seja administrada depois da Copa do Mundo de 2014 por um operador privado, por meio de uma concessão junto ao governo do Estado. "A ideia é que um ente privado administre a Arena e realize eventos esportivos, shows. Há espaço para auditórios, academia e até salas que podem servir para abrigar uma universidade", revelou o diretor, que esteve na Alemanha, Holanda e Inglaterra para conhecer soluções semelhantes implantadas pelos europeus na sustentabilidade dos seus estádios.
As negociações com esses operadores privados ainda estão no começo, mas Jefferson de Castro diz que a conversa deve se estender enquanto a Arena é construída. "Hoje a maioria desses operadores está na África, para a Copa do Mundo. São empresas especializadas em auto-sustentabilidade em estádios. Queremos isso para a Arena em Cuiabá". O diretor ressalta que não vai haver uma competição com os estádios de outras cidades para disputar esses operadores. "É um mercado aberto. Não tem concorrência com outros estádios. E algumas empresas já demonstraram interesse na Arena Multiuso de Cuiabá", concluiu.
Sustentabilidade
O projeto da Arena Multiuso passou por uma mudança logo depois que Cuiabá foi anunciada como uma das 12 sedes da Copa de 2014. A mudança foi justamente para garantir que o estádio tivesse viabilidade econômica. O novo projeto prevê a utilização de todo o espaço do entorno da arena com a construção de bares e restaurantes, pistas de caminhada, área de lazer, locais para prática esportiva e até um espelho d'água.
"Criamos oportunidade de negócio para que o estádio tenha maior sustentabilidade financeira", declarou Yuri Bastos Jorge, quando ainda era secretário de Estado de Turismo, antes de assumir a Diretoria de Assuntos Estratégicos da Agecopa. Ele explicou que a alteração no projeto permitiu que a Arena não se destinasse apenas a jogos de futebol, mas também a eventos culturais e de negócios, com a criação de um centro de convenções no mesmo espaço.