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Dengue, febre amarela, hepatite... os problemas do Brasil na Copa

O maior desafio é eliminar as doenças da falta de saneamento

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Regina Rocha
postado em 04/06/2009 16:25 h
atualizado em 20/04/2011 17:09 h

Os preparativos para a Copa de 2014 já começaram, com os jornais anunciando longa lista de prioridades: reforma e modernização de estádios e aeroportos, melhoria na infraestrutura de transporte das cidades e projetos voltados para o turismo. Mais do que um evento futebolístico, o momento é uma ótima oportunidade para atrair investimentos ao país.

Entre elas, a maior das prioridades, sem dúvida a mais urgente, que são as obras de saneamento básico para todo o país. Sinônimo de atraso social, a falta de coleta e tratamento do esgoto é responsável, está provado, pela ocorrência de doenças graves como dengue, malária, febre amarela, hepatite e, a campeã de mortalidade infantil no Brasil, as doenças ligadas à diarreia, entre elas, vários tipos de verminoses. Só a diarreia mata 200 crianças por mês, 7 por dia, denuncia o Instituto Trata Brasil, organização de interesse público que luta pelo acesso universal à coleta e ao tratamento de esgoto no país.

Um estudo que acaba de ser realizado pelo Instituto Trata Brasil mostra que, mesmo registrando um avanço de 14% no atendimento de esgoto e de 5% no tratamento, nos últimos anos, ainda são despejados no meio ambiente todos os dias 5,4 bilhões de litros de esgoto sem tratamento algum, contaminando solo, rios, mananciais e praias do país, com impactos diretos à saúde da população. Em termos globais, metade das cidades brasileiras apenas tem esgoto coletado, e os números são ainda mais preocupantes quando se fala em tratamento.

Saúde
O problema afeta a saúde do brasileiro. Apesar da evolução da medicina, dos novos medicamentos e vacinas, o país tem enfrentado surtos até de males que se supunha erradicados, como febre amarela e cólera, em áreas marcadas pelo desequilíbrio ambiental e pela pobreza. Em 2008, o aumento no número de mortes por febre amarela levou o Ministério da Saúde a divulgar um alerta aos viajantes sobre os riscos desta e de outras epidemias em alta, como sarampo, histoplasmose e malária. Recentemente, os jornais anunciaram o dado alarmante de doenças decorrentes das enchentes que afetaram as regiões Sul e Norte. A Secretaria de Saúde do Maranhão, por exemplo, registrou casos  de leptospirose, hepatite A, dermatoses, diarreia, gripe, amigdalite e conjuntivite.

Assim, dentro de cinco anos as autoridades deverão estar preparadas para orientar os milhares de turistas da Copa sobre a exposição a estes mesmos riscos. Para o infectologista Artur Timerman, o “embaixador” do Instituto Trata Brasil, o desafio de promover uma mudança é enorme. “Difícil acreditar que o Brasil vá conseguir solucionar completamente a situação do saneamento ambiental para a Copa de 2014. Vivemos uma situação muito precária e, mesmo que as obras comecem agora, teríamos de aguardar muitos anos até surgirem resultados mais amplos e expressivos”, analisa o médico, que atende nos hospitais Albert Einstein, Edmundo Vasconcelos e Heliópolis, em São Paulo, e tem grande experiência no tratamento de doenças relacionadas à falta de saneamento.


“O Brasil está atrasado, e precisa investir pelo menos 50 bilhões de dólares por ano em obras de saneamento, se quiser registrar algum efeito de melhora”


Não existe solução emergencial; priorizar o saneamento básico é adotar políticas de longo prazo, afirma o especialista. Para haver algum impacto em 2014, é fundamental começar já: “O Brasil está atrasado, e precisa investir pelo menos 50 bilhões de dólares por ano em obras de saneamento, se quiser registrar algum efeito de melhora”.

Assim, não está descartado que as arenas e demais instalações para a Copa de 2014 tenham de reforçar seus esquemas de proteção, providenciando kits aos atletas e suas equipes com repelente, água mineral, medicamentos... No caso dos turistas, considerando que a maioria vem para fazer turismo de aventura, em locais de risco de febre tifóide, dengue e outras endemias, poderá surgir ainda outro problema. “Com o aumento dessa demanda de turistas, e não havendo uma prevenção efetiva, teremos de fornecer ajuda médica aos turistas que necessitarem. Penso então nos nossos ‘dois Brasis’: o das filas da rede pública, que não dá conta nem da demanda atual, e o ‘Brasil de primeiro mundo’, dos centros de atendimento como o Sírio Libanês, o Albert Einstein etc., só que, não menos saturados... Então, como vai ser?!”, pergunta o médico.

“A Copa é um ótimo momento para conscientizar a sociedade e fazer com que as pessoas reivindiquem priorização política de questões fundamentais como o saneamento”

Apesar de tudo, Timerman e os diretores do Trata Brasil se dizem otimistas: “Acreditamos que a Copa é um ótimo momento para conscientizar a sociedade e fazer com que as pessoas reivindiquem priorização política de questões fundamentais como o saneamento”, declara o representante da entidade.

Para mais informações sobre saneamento e saúde, acesse o site do Instituto Trata Brasil: www.tratabrasil.org.br





 
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