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Os desafios do Rio de Janeiro para a Copa 2014

Garantir segurança aos torcedores e melhorar o acesso à rede hoteleira são os desafios do Rio

Galeão em reforma, desde 2008 (crédito: Rogério Reis / Pulsar)
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Da Redação
postado em 27/05/2009 16:09 h
atualizado em 29/05/2009 19:04 h

Principal “cartão-postal” do país, antiga capital do país, e segunda maior cidade do Brasil, o Rio de Janeiro é uma candidata natural a sediar o jogo final da Copa 2014. Sede da Confederação Brasileira de Futebol, conta com o Estádio Jornalista Mário Filho, mais conhecido como Maracanã, templo mundial do futebol.

Reforma do Maracanã
O Maracanã foi inaugurado em 1950, quando o Brasil sediou pela primeira vez a Copa do Mundo. Para a Copa 2014, entre outras adaptações, será construída uma nova cobertura. O projeto prevê ainda a construção de um prédio para estacionamento, acima das linhas da Supervia e do metrô, com cerca de 3.500 vagas. O custo previsto da reforma é de R$ 460 milhões.

Segundo o estudo do Sinaenco, o Maracanã precisaria corrigir a visibilidade prejudicada nas primeiras fileiras atrás das cabines; refazer o acesso para portadores de necessidades especiais, hoje com dimensões insuficientes; e reformar os sanitários.

O governo do Estado do Rio está realizando licitação para concessão do Maracanã por meio de Parcerias Público Privadas (PPPs) ainda em 2009. O projeto pode ir além da reforma do estádio, incluindo a requalificação da Quinta da Boa Vista e do Museu de São Cristóvão, além da reurbanização e revitalização dos bairros Maracanã e Tijuca.

O Engenhão, Estádio Olímpico João Havelange, concluído em 2007 para o Pan, tem capacidade para 45 mil pessoas. Como foi concluído recentemente atende aos requisitos da Fifa e servirá como centro de treinamento para a Copa. Porém, foi construído em uma região distante e deteriorada da cidade e precisa ter sua acessibilidade equacionada.

Estádio do Maracanã: vista aérea atual e perspectivas artísticas (crédito: Arquivo Sinaenco)

Bonito por natureza
O turismo é grande fonte de recursos do estado. O Rio de Janeiro é o principal destino turístico do Brasil (31,5%), e a atividade corresponde a 15% do PIB do estado, gerando R$ 45 bilhões por ano.

A “cidade maravilhosa” tem tradição de hospitalidade e infraestrutura hoteleira preparada para receber grande quantidade de turistas nacionais e estrangeiros. Sua rede hoteleira possui 22.500 quartos. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ), há 19 projetos de novos hotéis em construção, que devem ficar prontos a partir de 2011 e devem aumentar a capacidade hoteleira em 3.885 mil novos leitos.

Além disso, a cidade está acostumada com a organização de eventos de grande porte, sejam esportivos ou de lazer, a exemplo do Carnaval, mundialmente famoso. A capital promove ainda a maior Fan Fest do mundo, o seu reveillon na praia, que atualmente reúne mais de 2 milhões de pessoas.

Experiência em eventos esportivos
O Rio de Janeiro tem um largo currículo de organização de eventos internacionais esportivos de grande porte. A cidade organizou com sucesso os Jogos Panamericanos, em 2007, considerado uma das melhores versões entre todos os realizados no mundo. Há, porém, controvérsias em relação à extrapolação dos gastos. O legado deixado pelo evento se limitou à construção dos equipamentos, mas o Pan trouxe para o país 5.600 atletas e movimentou um público de 1,3 milhão de pessoas nos jogos, com audiência televisiva superior a 1 bilhão de telespectadores no país, em mais de 850 horas de transmissão.

As melhorias trazidas pelo Pan não chegaram à infraestrutura urbana, já que o desenvolvimento imobiliário nas áreas próximas aos equipamentos não deslanchou. Algumas obras estruturais prometidas ou previstas, antes dos Jogos, ainda não foram concluídas, ou sequer iniciadas. Mas a vinda do Pan deu à cidade a esperança de receber a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Maior desafio: mobilidade urbana
Para sediar a Copa 2014 o Rio de Janeiro terá como maior desafio a melhoria da infraestrutura para acessibilidade às áreas de expansão urbana, como a Barra de Tijuca; contar com transporte de alta capacidade entre o aeroporto internacional e os principais locais de destino; investir em sistemas de transporte e segurança pública; acelerar a ligação terrestre rápida a São Paulo, entre outros.

As exigências da Fifa em relação aos sistemas de transportes coincidem com algumas ações iniciadas pelo governo do Rio, como as obras do Arco Metropolitano, com 145 km, que integra os eixos rodoviários; a Via Light, que interligará o subúrbio do Rio com a região metropolitana de Nova Iguaçu; os corredores expressos de ônibus; e a expansão e modernização do metrô.

Todas as ações previstas na candidatura do Rio de Janeiro à sede das Olimpíadas de 2016 estão conectadas com as da Copa 2014.

Investimentos em infraestrutura
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) previu investimentos da ordem de R$ 4 bilhões no Rio de Janeiro, incluindo três eixos: logística (rodoviária, ferroviária, portuária, hidroviária e aeroportuária); energética (geração e transmissão de energia elétrica, petróleo, gás natural e energias renováveis) e social e urbana (Programa Luz para Todos, saneamento, habitação, metrôs, recursos hídricos).

O governo federal prevê investimentos de R$ 38,5 bilhões em mobilidade urbana. Deste total, R$ 15,3 bilhões serão destinados à construção de 550 km de linha férrea do trem-bala, ligando São Paulo ao Rio de Janeiro. Outros R$ 5 bilhões estão destinados à cidade do Rio, para investimentos em corredores de ônibus, metrô, acessibilidade aos estádios, aeroportos, entre outros.

Em relação ao metrô, a Secretaria Estadual de Transportes do Rio de Janeiro já realizou uma audiência pública para a ampliação de suas linhas. O novo projeto tem 13,5 km e seis estações, e deverá cruzar a Zona Sul da cidade, transportando cerca de 200 mil passageiros/dia por seis estações.

Urbanização e meio ambiente
As ações do PAC no Rio de Janeiro contemplam ainda a urbanização das favelas do Complexo do Alemão, do Complexo de Manguinhos, do Morro da Providência, da Rocinha e Cantagalo/Pavão–Pavãozinho. Espera-se que as obras promovam um crescimento econômico nessas áreas, gerando trabalho e renda para os moradores.

Além disso, importantes projetos ambientais serão implementados com vistas à Copa 2014 e às Olimpíadas de 2016, como a proteção do sistema lagunar de Jacarepaguá e da Lagoa Rodrigo de Freitas; a melhoria e recuperação dos parques naturais; monitoramento da qualidade do ar, da água e das praias; a balneabilidade de praias e lagoas; e o controle de enchentes no entorno do Maracanã. Todas as construções deverão atender aos requisitos de preservação ambiental. O transporte prevê medidas de baixa emissão de carbono veicular e serão implementados programas de coleta seletiva e manejo de lixo.

Infraestrutura aeroportuária

Aeroporto do Galeão
O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro – Antonio Carlos Jobim vem passando por reformas desde março de 2008. A principal delas foi a renovação de sua pista principal, concluída em junho de 2008. Outras obras já estão em fase de conclusão, tais como a reforma dos sanitários, polimento do piso de granito, substituição do teto rebaixado, e modernização do Sistema Informativo de Voo, entre outras.

Santos Dumont: legado do Pan 2007
Recentemente ampliado, o Aeroporto Santos Dumont atende a apenas voos regionais. O projeto de reforma foi idealizado e concluído para o Pan 2007, e contemplou a ampliação da área de embarque em mais de mil m2. Segundo a Infraero, o local que antes comportava 1,8 milhão de passageiros/ano agora tem capacidade para oito milhões de passageiros/ano.

Desafios do Rio para 2014
A atenção trazida pela Copa pode se muito interessante para o turismo do Rio, mas também pode evidenciar os problemas da cidade. A capital apresenta uma grande desigualdade social, visível pelos morros cobertos de favelas, e um grande índice de violência, inclusive contra turistas. Para receber o grande número de visitantes que o Mundial atrai, um dos principais focos de atenção da cidade deve ser a segurança pública.

Outros desafios da capital são equacionar a oferta de estacionamentos, em bolsões e serviço de “shuttle” (a exemplo da Fórmula 1, em São Paulo), melhorar a acessibilidade aos polos hoteleiros e ampliar e melhorar a capacidade do sistema aeroportuário e portuário; e implantar sistema de transporte rápido entre os aeroportos cariocas e destes com os de São Paulo.

Evento do Sinaenco no Rio de Janeiro
Mais de 100 pessoas estiveram reunidas no Rio de Janeiro no debate sobre os desafios da cidade para sediar a Copa de 2014, dia 9 de dezembro de 2008 na sede do Clube de Engenharia. Investimentos em transportes, modernização das arenas e experiência da cidade com eventos esportivos foram a tônica do encontro.

Quem participou
Marcia Beatriz Lins Izidoro – Secretária Estadual de Turismo, Esporte e Lazer do Rio de Janeiro
Ronaldo Goytacaz Cavalheiro – Diretor de Atividades Técnicas do Clube de Engenharia
José Roberto Bernasconi – Presidente Nacional do Sinaenco
Rodrigo Meirelles Sigaud – Presidente do Sinaenco/RJ
Waldir Peres – Superintendente da Agência Metropolitana de Transportes Urbanos (AMTU)
Rubens Lopes da Costa Fº – Presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro
Bruno Contarini – Conselheiro do Clube de Engenharia
Gilson Ramos dos Santos – Arquiteto autor do projeto do Engenhão Affonso
Augusto Canedo – Gerente de contratos da Prefeitura do Rio
Marcelo Néri – Trata Brasil/FGV
Eli Canetti – Gerente de Projetos Especiais do Metrô Rio
Roseli Vilela Giampietro – Diretora da Embratel
Ruy Cezar Miranda Reis – Secretário Especial para a Copa do Mundo
Jorge Hori – Consultor do Sinaenco

Rio de Janeiro em números

População:
6,161 milhões
(estimativa IBGE, julho/2008)

Área: 1.264,296 km2

Densidade: 5.190,5 hab/km2

IDH: 0,816
(PNUD, 2000)

PIB: R$ 128 bilhões
(IBGE/2006)





 
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