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Desafios de Belo Horizonte para a Copa de 2014

Insuficiência de rede hoteleira pode ser o principal desafio da cidade

Vista geral da capital mineira, com o contorno da Serra do Curral (crédito: Maurício Simonetti / Pulsar)
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Da Redação - São Paulo
postado em 26/05/2009 16:45 h
atualizado em 30/05/2009 18:44 h

Cidade projetada pelo engenheiro e urbanista Aarão Reis para ser a capital do estado de Minas Gerais, Belo Horizonte foi inaugurada em 1897. Hoje é o sexto município mais populoso e um dos mais importantes polos culturais, econômicos e industriais do país. A Grande Belo Horizonte, composta por 34 municípios, é a terceira maior aglomeração urbana do Brasil, com 5,03 milhões de habitantes (estimativas IBGE/2008), e registra a menor taxa de desemprego (10,2%) entre as seis maiores regiões metropolitanas do país. Em 2006, o PIB de Minas Gerais ficou em 214,8 bilhões, o terceiro maior do Brasil. Os municípios de Belo Horizonte, Betim e Contagem somaram PIB de 62,6 bilhões de reais em 2006, valor que representa mais de 80% do PIB da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O estado de Minas Gerais tem diversos apelos turísticos, como cidades históricas, parques estaduais e nacionais com atrações para ecoturismo e turismo de aventura, ou ainda o circuito das águas, com roteiros para quem quer relaxar e passear tranquilamente. Na capital mineira, conhecida internacionalmente por seus belos conjuntos arquitetônicos, a atividade turística está diretamente relacionada ao segmento de feiras e eventos. Porém, o potencial para o turismo de negócios poderia ser mais bem explorado.

Estádio Mineirão
Belo Horizonte é a única grande cidade do país cujos principais clubes não possuem um estádio de médio porte. Inaugurado em 1965, o Estádio Governador Magalhães Pinto, mais conhecido como Mineirão, é de propriedade do governo estadual, e tem capacidade para 81 mil pessoas. Seu recorde de público aconteceu em 1997, quando 132,8 mil espectadores acompanharam a partida em que o Cruzeiro venceu o Vila Nova por 1 a 0. Reformado, ele poderá atender às condições da Fifa e ao potencial esportivo da cidade, caracterizado pela existência de um público pagante capaz de dar sustentação econômica ao estádio. Citando apenas como exemplo, dos 57 mil ingressos disponíveis para o jogo Brasil e Argentina, em junho de 2008, foram vendidos 52,5 mil, com renda total de R$ 6,6 milhões, o que significa um valor médio por ingresso de R$ 125,75.

Perspectiva do estádio "Mineirão" pós-reformas (crédito: Divulgação GMP)

Belo Horizonte tem um histórico de grande público e renda no Mineirão. Mas são várias as intervenções para adaptar o Mineirão às exigências da Fifa, a maioria delas relacionada a problemas de visibilidade e segurança. Um reforço de pilares e molas foi implantado para dar sustentação à arquibancada superior, mas atrapalha a visão da arquibancada inferior para o campo. Há também placares sobre a arquibancada e grades na separação das torcidas, o que compromete a visibilidade em vários pontos do estádio.

Turismo
A Copa de 2014 justifica investimentos que venham a incrementar a infraestrutura turística com o objetivo de ampliar o tempo de permanência do turista de negócios na capital e criar condições para que ele retorne em outras oportunidades. De olho nessa perspectiva, a Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais (Setur) anunciou em abril de 2009 o projeto Rede de Turismo de Negócios e Eventos, que deve contar com investimentos de 5,6 milhões de dólares, garantidos pelo convênio assinado em 2008 com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Parte da verba se destina à construção de um banco de dados para organizar e unificar o calendário de eventos nacionais e internacionais, de modo que eles passem a ser distribuídos equitativamente ao longo do ano, equilibrando assim a ocupação hoteleira na capital e permitindo a ampliação da atividade. O projeto prevê também a capacitação dos setores da cadeia e a oferta de serviços turísticos de qualidade e com preços competitivos. A ideia é fazer com que o turista de negócios passe a usufruir também da infraestrutura de serviços para o turismo de lazer.

Entre os desafios que Belo Horizonte deve enfrentar para alcançar esse objetivo está a ampliação da rede de hotéis. Dados de 2007 da Setur indicam que o parque hoteleiro da capital é composto por 52 hotéis de duas a cinco estrelas e 38 apart-hotéis, somando 90 estabelecimentos que juntos disponibilizam 7.945 unidades habitacionais, das quais 34,4% de padrão quatro ou cinco estrelas. Até o final de 2010, a rede hoteleira de Belo Horizonte deve oferecer mais 1.668 unidades.

Infraestrutura e acesso ao estádio
O modelo mononuclear de desenvolvimento urbano inibiu o crescimento de novos centros nos demais municípios da Região Metropolitana de BH. O traçado do metrô e a macroestrutura viária e de transportes da capital mineira, dispostos predominante nos eixos norte e oeste, reforçam essa concentração e as deficiências na articulação espacial da região metropolitana, abrindo diversas frentes para investimentos em transporte coletivo.

A acessibilidade ao estádio deverá ser garantida por um sistema de transporte de massa, próximo e ligado aos principais polos geradores de viagens da cidade. Nos municípios maiores da RMBH, o sistema deverá ser de alta capacidade, como o metroviário ou de trens metropolitanos. Em Belo Horizonte, o projeto metroviário está definido, porém os recursos financeiros não estão suficientemente assegurados. Nas demais cidades, é possível utilizar um sistema de média capacidade, como os VLTs ou corredores exclusivos de ônibus. A movimentação dos turistas para o estádio deverá ser feita, predominantemente, por vans. Com a infraestrutura de acesso existente são esperados problemas de mobilidade, o que deve prejudicar a acessibilidade.

Plano de Mobilidade Urbana para a Copa 2014
O Plano de Mobilidade Urbana para a Copa 2014, apresentado pelo Ministério do Turismo prevê para Belo Horizonte apenas R$ 211,7 milhões para 5,5 quilômetros de corredores de ônibus. O plano compreende o corredor de transporte coletivo, com a segunda etapa de duplicação da avenida Presidente Antônio Carlos, construção do terminal Pampulha e reformulação do complexo viário da Lagoinha e da Área Central, com faixas exclusivas e passagens de nível.

O Estádio Mineirão fica na região da Pampulha, predominantemente residencial, de alta e média renda, junto ao campus da Universidade Federal de Minas Gerais e a cerca de 3 km do aeroporto da Pampulha. É servido por um sistema de transporte de ônibus urbano comum. Os planos de transporte para a região incluem uma linha metroviária de 10,3 km entre a Pampulha e o bairro da Savassi, conectada com as linhas de metrô já existentes. Porém essa linha ainda está em estudos e não há recursos orçamentários previstos para sua implantação.

Por se tratar de uma região residencial, o maior tráfego deve ocorrer nas vias de acesso ao Mineirão. Assim, é necessário identificar os principais gargalos da mobilidade das rotas de acesso ao estádio e avaliar o potencial da Pampulha como polo de geração ou de atração de viagens.

Belo Horizonte também está desenvolvendo o projeto da Linha Verde, que tem o objetivo de reduzir de 60 minutos para 35 minutos o tempo de viagem entre o aeroporto internacional e o centro de Belo Horizonte, distantes cerca de 40 quilômetros. O projeto é o mais significativo conjunto de obras viárias na Grande Belo Horizonte nas últimas décadas. O empreendimento que requalifica a área próxima à Estação Rodoviária e ao Parque Municipal abrange intervenções nas avenidas Andradas e Cristiano Machado, na Rodovia MG-010 e o acesso ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. Infra-estrutura aeroportuária Belo Horizonte conta com dois importantes aeroportos, o menor na região da Pampulha, e o principal em Confins, na RMBH, localização mais distante do centro da capital (38 km) entre todos os aeroportos do país. Em 2005, a Infraero transferiu 120 voos da Pampulha para o Aeroporto Internacional de Confins, o que quintuplicou o movimento de passageiros – 400 mil em 2005 e 5,18 milhões em 2008.

Desafios e oportunidades
Belo Horizonte conta com a estrutura ideal de equipamentos para o futebol, podendo ser o paradigma para outras cidades que querem empreender um novo estádio público. Preparar o estádio para os jogos da Copa 2014 não é o problema maior. O principal desafio de Belo Horizonte para sediar a Copa 2014 está na insuficiência da sua rede hoteleira, principalmente dos hotéis de maior categoria. Há investidores interessados em empreender novos hotéis, mas ainda restam dúvidas sobre a sua sustentabilidade econômica. A mobilidade urbana é também um grande problema, que como em outras grandes metrópoles, transcende a Copa 2014, mas o evento deve reverter-se em obras que sirvam a Belo Horizonte por vários anos após 2014. Os investimentos em infraestrutura devem assim deixar um legado importante para a cidade. A oportunidade de reurbanização ou revitalização de áreas degradadas (já ocorridas ou em processo) também deverá relacionar-se com as melhorias de acessibilidade e mobilidade. O impacto positivo estará assim na implantação de sistemas de transporte coletivo de alta ou média capacidade.

Evento do Sinaenco em Belo Horizonte
Aproximadamente 100 pessoas, entre arquitetos, engenheiros, autoridades públicas, secretários de Estado e do município, participaram do seminário “Desafios de Minas Gerais para sediar a Copa de 2014”, com o intuito de discutir a preparação da infraestrutura para o campeonato mundial de futebol. No evento, realizado em 1º de julho de 2008 no auditório do BDMG, as autoridades presentes mostraram-se otimistas quanto à escolha da cidade como sede da Copa de 2014, mas conscientes dos grandes desafios a serem enfrentados. Os temas centrais do encontro foram as questões relacionadas a mobilidade urbana e infraestrutura turística.

Quem participou

Alencar da Silveira Jr – Deputado Estadual, representando Sua Excelência o Presidente da Assembléia Legislativa, Deputado Alberto Pinto Coelho Jr. Jorge Hori, consultor do Sinaenco
José Roberto Bernasconi – Presidente do Sinaenco
Maurício Meirelles – Vice-Presidente de Arquitetura do Sinaenco/MG
Renato Pereira – Secretário Municipal de Esportes, representando Sua Excelência o Prefeito Fernando Pimentel
Silvana Nascimento – Assessora do Gabinete da Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais
Tiago Coelho Toscano – Diretor da Superintendência Central de Gestão Estratégica de Recursos e Ações do
Estado da Secretaria de Planejamento e Gestão de Minas Gerais
Yuzo Sato – Presidente do Sinaenco/MG
Rodrigo Prada – Assessor de Comunicação do Sinaenco

Belo Horizonte em números

População: 2.434.642
(estimativa IBGE, julho/2008)

Área: 331 km2

Densidade: 7355,4 hab/km2

IDH: 0,839
(PNUD, 2000)

PIB: R$ 32,72 bilhões
(IBGE/2006)





 
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