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À beira da Guerra, Itália reafirma supremacia

Italianos se tornam bicampeões do mundo; Brasil faz boa campanha e chega até a semifinal

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Rafael Massimino
postado em 23/04/2010 11:21 h
atualizado em 23/04/2010 14:30 h

Com a Europa à beira da Segunda Guerra (1939-1945), o presidente da Fifa, Jules Rimet, fez questão de levar a terceira Copa do Mundo para a França, seu país de origem. O torneio era uma tentativa de amenizar o clima de guerra, mas o que se viu foi o acirramento das hostilidades entre fascistas e democratas.

A Itália era a grande favorita. Havia conquistado o mundial de 34 e a Olimpíada de 36. Mas era também a grande representante do fascismo. Na partida de estreia contra a Noruega, em Marselha, os italianos ergueram o braço em saudação a Mussolini frente a um público de 10 mil franceses. Receberam uma enxurrada de vaias que os acompanharia por todos os seus jogos no Mundial.

Mesmo com as hostilidades da torcida francesa, a Itália apresentou o melhor futebol do torneio e conquistou o bicampeonato. Foi a consagração do técnico Vittorio Pozzo, o único a vencer dois Mundiais consecutivos com a mesma equipe.

Leônidas embala torcida europeia
A primeira Copa francesa teve ausências marcantes. Uruguai e Argentina boicotaram o torneio, enquanto Espanha e Áustria, envolvidas em conflitos militares, não puderam participar. Apesar do clima bélico, 35 federações disputaram as 14 vagas do Mundial. França e Itália, o país-sede e a última campeã, se classificaram automaticamente.

O Brasil finalmente apresentou uma equipe à altura do seu futebol e foi uma das grandes sensações da Copa. O talento de Leônidas da Silva, o criador da "bicicleta", encantou a torcida europeia. Contra a Polônia, o atacante fez uma de suas partidas mais brilhantes. Marcou quatro gols, um deles descalço, enquanto consertavam sua chuteira fora do campo. O Brasil venceu por 6 a 5, na prorrogação, e pela primeira vez avançava às quartas-de-final.

A adversária foi a Tchecoslováquia, com quem a seleção protagonizou a partida mais violenta do torneio. A "Batalha de Bordeaux", como o jogo ficou conhecido, terminou em 1 a 1. No jogo desempate, o Brasil venceu os tchecos por 2 a 1 com gols de Leônidas.

Rumo ao título, a Itália eliminou a França nas quartas-de-final por 3 a 1. Como provocação à torcida francesa, o time de Mussolini entrou em campo de uniforme preto, cor que simbolizava o fascismo. Os jogadores foram vaiados durante os 90 minutos, mas venceram com facilidade o time da casa. O confronto seguinte foi o primeiro Brasil e Itália da história das Copas.

A seleção brasileira entrou em campo cheia de otimismo, mas desfalcada do artilheiro Leônidas. Aos dez do segundo tempo, Gino Colaussi abriu o placar para os italianos. Cinco minutos depois, Domingos da Guia cometeu pênalti em Piola que Meazza converteu. Romeu ainda descontou para o Brasil no final do jogo, mas a seleção teria que se contentar com o terceiro lugar, conquistado na vitória contra a Suécia, por 4 a 2.

Bicampeões
Na decisão, a adversária da Itália foi a Hungria, que tinha o melhor ataque da Copa com 15 gols. Haviam chegado à final depois da vitória sobre a Suíça, nas quartas, e da goleada de 5 a 1 sobre a Suécia, na semifinal.

Mas, o time mais ofensivo do campeonato não teve chances contra a Azzurra do meia Meazza, que serviu Piola e Colaussi para três gols, fechando a goleada em 4 a 2. Ante um público de 45 mil torcedores, no Olympique de Colombe, a Itália é a primeira seleção a conquistar pela segunda vez a Taça do Mundo.


Vittorio Pozzo (com a taça) levou novamente a Itália ao título (crédito: GettyImages)





 
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