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No estilo Scolari, Brasil é pentacampeão com retorno de Ronaldo

Depois de grave contusão, atacante foi artilheiro da Copa; técnico gaúcho confirma fama de "copeiro"

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Diego Salgado
postado em 16/04/2010 16:31 h
atualizado em 18/04/2010 02:16 h

Pela primeira vez na história um país fora do eixo América-Europa conquistou o direito de sediar um Mundial. No dia 31 de maio de 96, a Fifa escolheu o Japão e a Coreia do Sul para abrigar os 64 jogos da 17ª Copa do Mundo.

Nunca houve tantas cidades-sede na competição. Foram dez em cada país. A abertura seria em solo sul-coreano (Seul, no estádio Sang-am) e o final no Japão (em Yokohama, no estádio Internacional). Nas eliminatórias, a surpresa foi a desclassificação da Holanda. A equipe laranja perdeu para Irlanda e Portugal.

O Brasil esteve muito perto de não obter a classificação. Em 18 jogos das eliminatórias, foram seis derrotas fora de casa e dois empates, um no Maracanã e outro no Morumbi. Vanderlei Luxemburgo, Candinho, Emerson Leão e Luis Felipe Scolari estiveram à frente da equipe e o passaporte para a Copa asiática só foi carimbado no último confronto, contra a Venezuela. Em São Luís, Luizão marcou dois gols e Rivaldo completou a goleada.

Surpresas na primeira fase
Logo na estreia, a França, então campeã do mundo, perdeu para os senegaleses. Diop, aos 27 minutos, fez o único gol no estádio Sang-am. Começava a saga francesa em busca da passagem à segunda fase. O objetivo, no entanto, não foi atingido. Nos outros dois jogos, derrota para Dinamarca (2 a 0) e empate sem gols com os uruguaios. Assim como em 66, o campeão da Copa anterior era desclassificado na primeira fase.

Portugal chegou à competição com status de favorita e também decepcionou. A equipe de Figo perdera para os anfitriões sul-coreanos (1 a 0) e para os Estados Unidos (3 a 2). No grupo da morte, mais uma candidata ao título ficou pelo caminho. Mesmo ganhando o primeiro jogo contra a Nigéria, a Argentina não conseguiu a classificação – foi derrotada pela Inglaterra de David Beckham e empatou com a Suécia. A Itália, como sempre, passou por duras penas na chave G e classificou-se em segundo lugar.


Depois de derrota em 98, Brasil recupera a taça na Copa da Ásia (crédito: GettyImages)

O início da volta por cima
Ronaldo, que chegou à Copa como uma incógnita (sofrera uma grave contusão no joelho em abril de 2001), mostrou que estava plenamente recuperado. Nos três primeiros jogos, contra Turquia, China e Costa Rica, o Fenômeno fez quatro gols. No esquema com três zagueiros, cinco meias e dois atacantes, a equipe de Scolari enfrentaria a Bélgica na segunda fase. 

A seleção brasileira fez 2 a 0 em um jogo duríssimo. Os gols de Rivaldo e Ronaldo classificaram a equipe para o aguardado confronto contra a Inglaterra.  Em Shizuoka, Owen fez o primeiro após falha do zagueiro Lúcio. No último minuto do primeiro tempo, Rivaldo completou boa jogada de Ronaldinho. Depois, Gaúcho, de muito longe, fez 2 a 1 – ele ainda encontrou tempo para ser expulso pelo árbitro mexicano Ramos Rizo.

A Coreia do Sul continuou a derrotar grandes adversários. Venceu a Itália na prorrogação por 2 a 1 (Hwan fez o gol de ouro). Depois, nas quartas de final, passou pela Espanha nos pênaltis. Em contrapartida, o Japão não soube usar a força da torcida. O turco Davala fez o único gol do confronto em Miyagi. A Alemanha também estava garantida entre os quatro melhores do mundo. Ballack foi o autor do gol contra os americanos.

Gol de bico no reencontro
Após vitória por 2 a 1 na primeira fase, o Brasil voltaria a jogar contra a Turquia. Depois de erros de arbitragem (o juiz assinalou pênalti quando Luizão caiu fora da área), os turcos tinham a chance de vingar a derrota e chegar à final da Copa. Edílson substituía Ronaldinho Gaúcho, suspenso.

Mas Ronaldo, bem ao estilo Romário, tratou de arrumar um espaço entre os zagueiros e empurrou de bico para as redes. O adversário brasileiro seria a Alemanha, que superou a pressão da torcida sul-coreana e venceu por 1 a 0. Ballack, mais uma vez, salvou os alemães. O meia, porém, não enfrentaria o Brasil, pois cumpriria suspensão automática por ter tomado o segundo cartão amarelo.

Falha de Kahn e redenção de Ronaldo
O Brasil participou de todas as Copas. A Alemanha ficou de fora em 30 e 50. Mesmo assim, Brasil e Alemanha nunca jogaram no torneio. Na final, os alemães tinham a chance de igualar o número de títulos e o Brasil de recuperar a taça perdida quatro anos antes.

Ronaldo mais uma vez foi decisivo. No segundo tempo, só tocou para o gol após Oliver Kahn, venerado goleiro alemão, soltar um chute de Rivaldo -o Brasil não marcava um gol em finais de Copa desde Carlos Alberto Torres em 1970. Depois, a 11 minutos do fim, o Fenômeno completou cruzamento de Kleberson -Rivaldo fez o corta luz- e fez o segundo gol.

Ronaldo, depois de duas graves contusões, era o artilheiro da Copa com oito gols. Cafu, capitão do time, se tornava o primeiro atleta a jogar três finais de Copa do Mundo. O Brasil, que chegara contestado à Ásia, confirmava a hegemonia de títulos após o fracasso de 98.

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