Outubro de 2002: fim da era FHC, início da era Lula. O líder petista vencia as eleições presidenciais, finalmente, depois de disputar por três pleitos seguidos. Hoje pode soar meio forçado, mas na época, a mídia, os empresários e os trabalhadores, enfim, meio mundo, todos pensavam que "a esquerda chegava ao poder".
E o resultado eleitoral foi realmente um recado, ou um basta, que a maioria da população dava ao governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. O tucano, em seu segundo mandato, despencava em popularidade, conforme se revelava o lado sinistro da globalização econômica, que trazia aumento do desemprego, dos problemas sociais e da violência urbana, conflitos no campo e, ainda: corrupção política, juros altos, crescimento da dívida pública, aumento das importações etc.
Quanto ao PT e ao governo Lula, as expectativas da maioria eram inversamente proporcionais, pode-se dizer. Todos esperavam um governo de participação social, comprometido com os setores organizados, que implementasse a reforma agrária, distribuisse terras improdutivas a trabalhadores rurais sem-terra, e também que pusesse fim à impunidade política, obrigando ao ressarcimento do dinheiro desviado dos cofres públicos. Um governo que baixasse os juros, diminuísse a carga tributária, estimulasse a indústria nacional e as exportações, equilibrasse as contas, mostrasse engajamento com o meio ambiente, e não com o agronegócio. Segue a lista: emprego e renda deveriam crescer, o rombo da Previdência Social deveria ser sanado, voltaríamos a planejar em áreas como infraestrutura, telecomunicações, energia, educação. Iam - e ainda vão - por aí as esperanças dos brasileiros.
Brasil pentacampeão
Em 2003 outro fato histórico obrigatoriamente precisa ser lembrado: a Copa do Japão/Coreia, realizada entre maio e junho, antes portanto das eleições, e que consagraria o Brasil como a primeira seleção a conquistar o Penta. Também no vôlei, o ano foi feliz, com a consagração da seleção masculina no Campeonato Mundial, realizado em Buenos Aires. Dali em diante, uma sucessão de vitórias dos rapazes do vôlei, a começar pelo título de bicampeão olímpico, em 2004.
Outra boa nova daquele ano viria do cinema nacional, com um grande sucesso de público e crítica - o filme Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles, aclamado em Cannes e premiado no ano seguinte em inúmeros festivais mundiais, como nos Estados Unidos, Inglaterra, Cuba, México, Marrocos, Colômbia, Uruguai e Iugoslávia.
Se na cultura estpavamos indo bem, em outras áreas nem tanto, ou nadinha. O ano começou com uma epidemia de dengue, a maior da história do país, concentrada no estado do Rio de Janeiro. Foram quase 290 mil pessoas infectadas, com 91 mortes. Seis anos depois, nova epidemia, de maior letalidade (174 mortes), voltaria a atingir o RJ. Já a violência urbana chegava à política, com o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Outros crimes chocariam a sociedade em 2002: o seqüestro de Washington Olivetto e o assassinato brutal do jornalista Tim Lopes, da Rede Globo, quando investigava o crime organizado no Rio.
Atentados e guerra ao terror
No exterior, o ano também teve atentados e assassinatos. Num teatro de Moscou, 700 pessoas são feitas reféns e 129 morrem nas mãos de rebeldes chechenos. Em Bali (Indonésia) e Mombasa (Quênia) atentados provocaram centenas de mortes. Não bastasse, vivíamos o auge da "guerra contra o terrorismo", tendo à frente o presidente norte-americano George Bush, respaldado pelo impacto dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. A guerra no Afeganistão tinha terminado, após a expulsão dos talibãs, mas os Estados Unidos seguiam na intenção de invadir o Iraque, o que viria a acontecer em março do ano seguinte, com a capital Bagdá sendo bombardeada por mísseis norte-americanos. O que veio em seguida todos hão de lembrar: a captura e condenação à morte do ditador Saddam Hussein.
Na economia, o destaque de 2002 foi a entrada em circulação, em 1º de janeiro, do euro (€), moeda que passava a ser usada em 12 dos estados-membros da União Europeia. Já no Brasil, o assunto era inflação: o dólar alcançava 4 reais e a inflação assustava, ao atingir dois dígitos, o que não ocorria desde 1995.
Leia também sobre a Copa de 2002 http://www.copa2014.org.br/noticias/2599/BRASIL+E+PENTA+NA+VOLTA+DE+RONALDO.html