bullet Notícias

Google, Viagra e FHC de novo

Em 1998, enchentes e desastres ambientais sacudiam o mundo

El Niño traz chuvas e inundação na Califórnia-EUA, em março de 1998 (crédito: Nasa)
Tamanho da letra
Regina Rocha
postado em 12/04/2010 16:30 h
atualizado em 12/04/2010 18:50 h

Ano de derrota do Brasil na Copa para a França, 1998 marca também uma mudança importante na visão do mundo sobre as questões ambientais. O impacto da ação humana sobre o meio ambiente começava a ser reconhecido, como denota o uso da expressão "efeito estufa", que passava a ser adotada na mídia, associada a acidentes como enchentes, que iam se tornando mais comuns.

E era ano de El Niño, fenômeno ligado ao aquecimento dos oceanos, e gerador de distúrbios climáticos. Logo em janeiro, o El Niño deixaria as Américas do Norte e do Sul de cabeça pro ar. Antes mesmo, no inverno de 1997, ondas gigantes, resultantes da elevação das águas do mar, haviam causado cheias e tempestades na Baía de São Francisco, nos EUA. No Paraguai, fortes chuvas transbordariam rios em inúmeras províncias, com saldo de milhares de desabrigados e mortos. O pior viria em julho: em Papua-Nova Guiné, um tsunami arrasa aldeias e provoca o desaparecimento de 16% dos corais do mundo. Outubro traz o Furacão Mitch, dos mais destruidores ciclones tropicais já visto no Atlântico, com ventos de 300 km/h, formados a partir da África, e deixando um rastro de destruição até o Caribe, com a devastação da América Central e o sul da Flórida.

No Brasil, o ano começava com desastre também, mas de outro tipo. Em pleno Carnaval do Rio de Janeiro, desabava o edifício Palace II. Erros grosseiros na construção, a causa do acidente que matou oito pessoas e desabrigou 150 famílias. O dono da construtora, o então deputado federal Sérgio Naya, conseguiu escapulir na Justiça de indenizar as vítimas, até morrer, dez anos depois, coincidentemente durante o Carnaval.

1998: ano de Google e Viagra
Tirando o foco das tragédias, o ano de 1998 até que trouxe fatos promissores. É quando surgem o Google e o Viagra, por exemplo. O site de busca na internet foi criado por dois jovens catedráticos de ciências da computação: o russo Sergey Brin e o norte-americano Larry Page, que se conheceram na Universidade de Stanford. Já o Viagra, primeiro medicamento contra a impotência sexual, surgiu dos estudos do químico norte-americano Robert Furchgott, Prêmio Nobel de Medicina de 1998, quando este pesquisava o funcionamento do sistema cardiovascular.

Por aqui, o ano começaria bem para o cinema brasileiro. Em janeiro, o filme Central do Brasil, de Walter Salles, ganha o Urso de Ouro de melhor filme estrangeiro do Festival de Berlim. 

Bin Laden e FHC
Em abril, o mundo conheceria Osama Bin Laden, pela primeira vez usando a tevê afegã para lançar sua declaração de guerra ao Ocidente. Bilionário e dissidente saudita, Bin Laden deixa os espectadores de cabelo em pé ao afirmar que matar norte-americanos e seus aliados "é tarefa de todo muçulmano". Nos EUA, outro assunto a agitar a mídia é o escândalo "Monica Lewinsky e Bill Clinton", o caso de sedução da estagiária da Casa Branca pelo presidente americano. A América Latina mantinha resquícios de seus regimes autoritários. Após deixar o Chile sob fortes protestos em março, o ex-ditador do Chile, general Augusto Pinochet é preso na Inglaterra em outubro, para ser deportado e julgado em seu país dois anos depois. 

A política também agita o Brasil, com a reeleição, em outubro de 98, de Fernando Henrique Cardoso. O clima eleitoral esquenta em maio, com o lançamento das chapas: Lula-Brizola, pela coligação PT-PDT-PSB-PCdoB, e FHC, apoiado pelo PSDB, PFL e PMDB. O tucano recebe 53% dos votos, contra 31% de Lula.

Reeleição e privatizações
Mal sai o resultado, Fernando Henrique anuncia acordo com o FMI, incluindo pacote fiscal e corte drástico nos gastos sociais. É a política neoliberal atacando conquistas históricas e fazendo despencar a popularidade de FHC pouco depois da posse. Nos principais portos brasileiros, portuários entram em greve contra as demissões. Em dezembro, a categoria enfrenta a PM no Espírito Santo, no protesto contra a recém-privatizada Vale do Rio Doce.

Com a Telebrás privatizada, o controle do setor passa a empresas da Espanha, Portugal e EUA. Em fevereiro, manifestantes cercam o Congresso e são reprimidos pela cavalaria por protestar contra a reforma da Previdência. Uma marcha da CUT contra o desemprego chega a Brasília. Em agosto, é a vez do MST marchar pelo país. No campo oposto, porém, a marcha seria mesmo a da privatização, palavra-de-ordem dos dois mandatos de FHC.

Leia mais sobre a Copa de 1998






 
nosso time
realização
Mandarim Comunicação
realização
Sinaenco - Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva
tecnologia e criação
XY2 - Agência Digital
hosting
Telium Networks
segurança da informação
LSI TEC - Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico
 
patrocínio
Lanxess
ArcelorMittal
Gerdau
Resolução Mínima de 1024x768 - © Copyright 2009 copa2014.org.br Todos os direitos reservados.