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Seleção cala os críticos e volta à rota de títulos na Copa de 94

Após cinco fracassos seguidos, Brasil supera desconfiança e vence Itália nos pênaltis

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Diego Salgado
postado em 01/04/2010 13:05 h
atualizado em 01/04/2010 19:57 h

Os Estados Unidos, enfim, conseguiram o direito de sediar uma Copa do Mundo. Em 28 de fevereiro de 1987, a federação americana, com apoio total do então presidente, Ronald Reagan, manifestou interesse em organizar o 15° Mundial da Fifa.  No dia 4 de julho de 1988, os Estados Unidos superaram o Marrocos e começaram a organizar a Copa de 94.

Nove estádios foram preparados para a disputa dos 52 jogos. Curiosamente, a Copa foi um sucesso de público. Teve a maior média de espectadores da história, cerca de 69 mil por partida, com total de 3,6 milhões de torcedores.

Nas eliminatórias, com 131 seleções na disputa, tradicionais equipes não conseguiram a classificação. A França perdeu a vaga para a Bulgária na última rodada ao ser derrotada por 2 a 1 em Paris. A Inglaterra foi superada por Holanda e Noruega e o Uruguai pela Bolívia.

Pragmatismo
O Brasil sofreu para chegar à Copa. Pela primeira vez na história perdeu um jogo de eliminatórias (2 a 0 para a Bolívia em La Paz). A classificação ocorreu somente na derradeira partida, contra os uruguaios no Maracanã e com a presença de Romário, até então excluído por Parreira.

Na Copa, a seleção brasileira, ao lado dos alemães, fez a melhor campanha da primeira fase. Venceu a Rússia por 2 a 0, Camarões por 3 a 0 e empatou com os suecos, após sair atrás no placar. Nos três primeiros jogos, Parreira escalou o contestado Raí. A partir das oitavas de final, o técnico colocou o terceiro volante na equipe. Mazinho, ao lado de Dunga, Mauro Silva e Zinho compunha o meio-campo brasileiro.

Nos outros grupos, a grande surpresa foi a eliminação da Colômbia (que nas eliminatórias venceu a Argentina por 5 a 0 em Buenos Aires). Os colombianos perderam os dois primeiros jogos e deram adeus à competição. Itália e Argentina, terceiros colocados dos seus grupos,  suaram para garantir a ida à segunda fase. Os argentinos perderam Maradona após o craque ser flagrado no exame antidoping no primeiro jogo, contra a Grécia.


Romário fez cinco gols e foi o principal jogador da Copa de 1994 (crédito: Getty Images)

Mata-mata
Em 4 de julho, dia da independência norte-americana, Brasil e Estados Unidos se enfrentaram em São Francisco. Com um a menos durante todo segundo tempo (Leonardo fora expulso após desferir uma cotovelada em Tab Ramos), o Brasil sofreu para vencer com um gol de Bebeto aos 28 minutos da etapa final.

A Romênia, do craque George Hagi, eliminou a Argentina ao vencer por 3 a 2. Nas quartas de final foi a vez da Alemanha decepcionar ao perder por 2 a 1 para a Bulgária. Até então, somente nas Copas de 38, 62 e 78 os alemães não chegaram às semifinais. Os italianos venceram a Espanha por 2 a 1. Os espanhóis reclamaram de uma cotovelada dentro da área do italiano Tassoti em Luis Enrique no final da partida.

O Brasil, depois de 20 anos, reencontrou a Holanda. Era a chance de vingar a derrota por 2 a 0 do Mundial da Alemanha, em 74. Romário e Bebeto fizeram para a seleção brasileira, mas Bergkamp e Winter empataram. Branco, lateral esquerdo reserva (que entrara no lugar do suspenso Leonardo), assegurou a vaga na semifinal com um fortíssimo chute em falta cometida sobre ele mesmo.

Nas semifinais, Roberto Baggio garantiu a vaga italiana na final. O atacante fez dois gols e chegou a cinco no Mundial. Stoichkov descontou para a Bulgária, fez seu sexto gol no torneio e igualou o russo Oleg Salenko, que havia feito cinco gols contra Camarões na primeira fase.

No reencontro brasileiro com a Suécia, Romário também fez seu quinto gol na competição ao cabecear a bola cruzada por Raí. Assim como em 1970, Brasil e Itália jogariam pela hegemonia dos títulos mundiais.

Era Dunga termina com o tetra
Sob o calor escaldante de Los Angeles, no Rose Bowl, brasileiros e italianos não conseguiram balançar as redes nos 120 minutos da partida. O momento mais perigoso do jogo ocorreu após o chute de Mauro Silva acertar a trave do goleiro Pagliuca.

Pela primeira vez na história, uma final de Copa seria decidida nos pênaltis. Baresi e Márcio Santos foram os primeiros a errar suas cobranças. Albertini, Romário, Evani e Branco marcaram. Depois, Taffarel defendeu o chute de Massaro. Dunga, capitão brasileiro, colocou o Brasil na frente. Na última cobrança, o craque italiano Baggio isolou a bola por cima do gol.

Bebeto nem precisou bater o último pênalti. O tetra estava garantido. O Brasil superava o trauma de 1986 e, após 24 anos, voltava a ser a melhor seleção do mundo.

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