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Collor subia, o muro caía e o Brasil tropeçava na Argentina

O ano de 1990 sepultou os sonhos de qualquer utopia, na política, na economia e no futebol

Berlim, 1990: caía o muro da vergonha
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Regina Rocha
postado em 26/03/2010 18:54 h
atualizado em 20/04/2011 18:50 h

O ano de 1990 não foi lá muito generoso para os brasileiros. A seleção fez a pior colocação (leia mais) em Copas do Mundo desde 1966 e a terceira pior da história brasileira nos Mundiais. Na cena política, em 15 de março tomava posse o primeiro presidente eleito por voto direto em 25 anos, desde o golpe militar de 1964. Tudo parecia bem, mas, não haveria muito tempo para comemorar, pois quem subia a rampa do Planalto era Fernando Collor de Mello. O governo Collor, quem não lembra?, venceu nas urnas o PT de Lula, mas durou só dois anos, terminando em dezembro de 1992 sob fortes acusações de corrupção, pressionado pelos movimentos sociais, como os Caras Pintadas, que exigiam o impeachment do presidente.

Plano Collor
Fora a corrupção, o governo Collor deixou o seguinte saldo: bravatas políticas e, claro, o Plano Collor, com o confisco das cadernetas de poupança, que deixou a população indignada. Também foi o governo que deu início às privatizações (programa nacional de desestatização) trazendo aumento do desemprego e grandes greves de trabalhadores por todo o país. A equipe econômica de Collor sustentava que o plano conteria a inflação, que em 1989 já chegava à marca de 1.782,90%.

Com 40 anos de idade, e tendo passado pela Arena, PDS, PMDB e PRN (e mais tarde, PRTB e PTB), Fernando Collor tinha sido prefeito e governador de Alagoas, era o mais novo presidente da República. O marketing político fortíssimo fazia inicialmente com que fosse aclamado na imprensa como "o caçador de marajás", e fabricava o estilo presidente-atleta, que não deixava por menos ao chamar para o primeiro ministério 'estrelas' como o ex-jogador de futebol Zico (Secretaria dos Esportes) e o ecologista José Lutzenberger (Secretaria do Meio Ambiente). No primeiro escalão, poria sua prima Zélia Cardoso de Mello como ministra da Fazenda. Os escândalos de corrupção atingiam a primeira-dama Rosane Malta, presidente da LBA - Legião Brasileira de Assistência, e depois o secretário da campanha de Collor, Paulo Sérgio Farias, o PC Farias, considerado "testa-de-ferro" do presidente e envolvido no que se chamou "esquema PC". Mais tarde, apareceria morto ao lado da namorada, num crime até hoje mal desvendado. 





 
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