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Até a Copa, coleta de esgoto pode mais que dobrar em Natal

Governos estadual e federal prometem investir R$ 565,6 milhões até 2014

Obra da Estação de Tratamento de Esgotos do Baldo (crédito: Demis Roussos/Governo RN)
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George Fernandes - Natal
postado em 19/03/2010 17:28 h
atualizado em 19/03/2010 17:44 h

Para dotar Natal-RN de estrutura sanitária adequada, os governos estadual e federal vão investir R$ 565,6 milhões até a Copa 2014, sendo R$ 350 milhões (já liberados) provenientes da esfera estadual e R$ 215,6 milhões (ainda em análise), dos recursos do PAC da Copa. Quando se materializarem em infraestrutura, esses recursos poderão ampliar sensivelmente a qualidade de vida na cidade, elevando o índice de atendimento por coleta de esgoto dos atuais 33% para 73%, informa a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). O governo potiguar promete sanear, até 2014, 100% da zona sul da cidade.

Os últimos dados sobre Natal mostram que o avanço será expressivo. Em setembro passado, uma pesquisa do Instituto Trata Brasil colocou a cidade como a pior entre as 12 sedes, no quesito saneamento. O pontapé inicial para reverter esse quadro será o lançamento da Estação de Tratamento de Esgotos Central (ETE) do Baldo, que começa a pré-operar este mês. A estação beneficiará 305 mil pessoas em 21 bairros da zona sul. A região concentra hotéis, shoppings, restaurantes e, no local, será construída a Arena das Dunas, palco dos jogos da Copa.

Emissário na zona sul
Devido à concentração de equipamentos que serão usados no Mundial, a meta do governo é universalizar a coleta de esgoto na zona sul. Para isso, estão em projeto o emissário submarino da Barreira do Inferno, a ETE Jundiaí e o sistema San Vale, que podem sair da prancheta ainda neste semestre. O emissário é uma das maiores obras a ser implantada pela Caern. O projeto prevê o lançamento dos esgotos tratados de Ponta Negra, Capim Macio e Nova Parnamirim a uma distância de 2.732 metros da costa. "Esta obra era um dos nossos grandes desafios", disse a governadora Vilma de Faria.

Segundo a Caern, o projeto do emissário é o único do país que prevê tratamento secundário para a remoção de 99,9% dos coliformes fecais. O investimento de R$ 81,4 milhões será financiado pelo governo federal por meio do PAC. A ETE Jundiaí também será implantada pela Caern, ao custo de R$ 22 milhões. Quando estiver operando na capacidade máxima, a estação atenderá a 175 mil pessoas. Já o sistema San Vale terá 60 quilômetros de rede coletora de esgotos, beneficiando mais 56 mil habitantes.

Abastecimento de água
O ponto forte de Natal é o abastecimento de água, que cobre 97% da população, segundo a Caern. Mesmo assim, a empresa investirá R$ 20,5 milhões na construção de três novas adutoras e na reforma de uma existente. Isso aumentará em 21% a oferta, o equivalente a 2,2 milhões de litros/hora a mais para o consumidor.

Paralelo a esses investimentos, a Caern priorizou o Plano Diretor de Abastecimento de Água e a Setorização das Redes de Distribuição de Água, com aplicação de R$ 18,4 milhões. Com essa inovação, a área operacional terá condições de executar manutenção em determinados setores, sem parar a distribuição em áreas adjacentes. Essa melhoria está orçada em R$ 39,2 milhões. Para reduzir o desperdício de água, a Caern pretende aplicar R$ 11,5 milhões na instalação de 85 mil hidrômetros, quantidade suficiente para cobrir toda a capital.

Governadora Vilma de Faria visita obra de saneamento em Natal (crédito: Demis Roussos/Governo RN)

Especialista alerta para três pontos críticos da cidade 
Aldo Tinôco, engenheiro especialista em Saneamento Básico, acredita que o governo possa alcançar a meta planejada, mas fez questão de alertar para três pontos considerados cruciais na melhoria da qualidade de vida do natalense e da saúde pública da cidade.

“Além das obras em andamento do governo, que também considero importantes, acho que deve haver uma atenção especial para três pontos: o túnel de drenagem, que deve sair da área onde será construída a Arena das Dunas, evitando com isso novos alagamentos, a transposição da bacia do rio Maxaranguape, que acabaria com a poluição química à base de nitrato da água da zona sul, a partir do reuso de água contaminada, e o esgotamento sanitário da zona norte”, avaliou Aldo.

Quanto à “famosa” lagoa que se forma no Centro Administrativo quando Natal é castigada pelas chuvas de inverno, ainda não há nada de concreto, já que a área tinha sido incluída no projeto que levou Natal a ser escolhida sede da Copa de 2014. A lagoa, que deu origem ao nome do bairro (Lagoa Nova), localiza-se a pouco mais de 300 metros do estádio Machadão, onde será construída a Arena das Dunas. Pelo projeto original, neste ponto seria construída uma lagoa artificial, que embelezaria o complexo de prédios da administração, municipal e estadual, shoppings, hotel, teatro e parque verde.

Mas, depois que ficou definido o modelo de Parceria Público-Privado (PPP) para a construção da Arena das Dunas - em detrimento da Sociedade de Propósitos Específicos (SPE) -, o projeto inicial, que encantou os membros da Fifa e da CBF, foi descartado. Em Natal, apenas o estádio será construído, o que trará um inevitável contraste entre os prédios  antigos do Centro Administrativo, e o mordeníssimo estádio.

A idéia inicial era construir um novo Centro Administrativo, que também receberia museu, hotel, shopping, parque verde, redes bancárias, lago artificial, estacionamento etc. De acordo com Fernando Fernandes, secretário de Turismo do RN e presidente do Comitê Gestor para a Copa em Natal, no modelo SPE, o dinheiro privado investido na área do Centro Administrativo seria utilizado na construção da Arena das Dunas.






 
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