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Azar dentro e fora dos gramados

Em 1986 o Brasil foi derrotado na economia e na política

Challenger: 72 segundos no ar (crédito: Nasa)
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Regina Rocha
postado em 19/03/2010 16:49 h
atualizado em 20/04/2011 18:46 h

1986 foi um ano azarado, aziago, como se dizia antigamente... Para começo de conversa, basta lembrar a triste derrota brasileira no estádio mexicano Jalisco, de Guadalajara. Essa segunda Copa do México foi bem diferente da anterior, a de 1970, vencida pelo Brasil. Quem levou o caneco foi a Argentina, de Diego Maradona, o craque que fazia gato e sapato da bola e dos adversários.

O jornalista Nelson Motta, em seu livro "Confissões de um Torcedor" (Objetiva, 1998), conta histórias divertidíssimas dos muitos mundiais que cobriu, no período de 1970 a 1994. Sobre 1970, suas lembranças trazem de volta o clima de alegria e euforia carnavalesca que contagiou brasileiros e mexicanos. Tudo diferente do que seria a última Copa mexicana, em 1986: "Guadalajara não é mais aquela", queixa-se Motta, ao criticar a 'modernização' e a 'americanização' da cidade. Mas não só isso, continua: "O nosso time também não é mais aquele. Muito pelo contrário. Sinto uma certa nostalgia daquela bola redonda e empolgante que vi e senti naquelas tardes de emoção e glória no Jaliscão".

Challenger e Chernobyl
Fora dos gramados, o mundo assistiu a vários desastres de proporções extraordinárias. O primeiro, em 28 de janeiro, quando o ônibus espacial Challenger explodiu no espaço, 72 segundos após o lançamento em Cabo Canaveral (EUA). Sete astronautas morreram no acidente. As imagens, televisionadas, mostraram o momento exato do acidente: o clarão no céu, a bola do fogo e depois nuvens de fumaça completando o espetáculo terrível.

Mais tragédias. Três meses depois, no dia 26 de abril, outro acidente, muitíssimo maior: o reator da Usina Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, explodia espalhando uma grande nuvem de radioatividade por vastos territórios da União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido. A contaminação trouxe mortes e deformações genéticas, e cerca de 200 mil pessoas tiveram de ser removidas de seus lugares. Até hoje, é o pior acidente nuclear da história. No ano seguinte, também no Brasil o material radioativo provocaria danos. O acidente com Césio-137, em Goiânia, começou quando, em setembro, alguns catadores de papel encontraram num terreno baldio um aparelho hospitalar, do tipo usado em radioterapia. Sem saber do que se tratava, desmontaram a peça e encontraram o núcleo radiativo, que passou de mão em mão, causando um rastro de contaminação responsável pela morte de quatro pessoas e doenças em centenas de outras.






 
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