Depois de meses de críticas pesadas, finalmente a Fifa elogiou o projeto do Morumbi para a Copa 2014. O secretário-geral da entidade, Jerôme Valcke, afirmou hoje, em Zurique (Suíça), que as últimas modificações apresentadas pelo São Paulo FC preenchem todos os requisitos solicitados.
"Para a Copa, as últimas informações que temos, até do Morumbi, que é uma saga entre a Fifa e São Paulo, são muito boas. O último projeto que recebemos preenchem todos os requisitos pedidos ao São Paulo", disse Valcke. A avaliação positiva foi influenciada pela visita técnica de membros da Fifa ao Morumbi nesta segunda (15/3).
Na última reunião entre a entidade e o Comitê Executivo paulista da Copa, em janeiro, a situação do Morumbi era bem diferente. Valcke vetou o estádio para o jogo de abertura e semifinal e pediu mais investimentos. Até então, o estádio poderia receber, no máximo, partidas da primeira fase e de oitavas. "Ou há um compromisso de pôr dinheiro em um projeto ou a maior cidade do Brasil não terá jogos grandes", afirmou o secretário na ocasião.
Até então, as principais deficiências do estádio eram os pontos cegos -especialmente no anel inferior-, e a capacidade, que ficaria abaixo dos 65 mil assentos necessários para jogos importantes da Copa.
Para equacionar as demandas, a empresa GMP, responsável pelas adequações, propôs rebaixar o gramado do Morumbi em até três metros. A intervenção só será possível com o desvio do córrego Antonico, que passa por baixo do estádio. Segundo o comitê paulista, essa obra será bancada por prefeitura ou governo estadual.
Outra solução apresentada pelo SPFC é a extensão do anel intermediário dos setores laranja (norte), vermelho (oeste) e amarelo (sul) até a beira do gramado. A intervenção eliminaria o anel inferior e a pista de atletismo, mas permitiria o acréscimo de novos degraus na arquibancada.
Mudanças
O SPFC fez inúmeras tentativas para enquadrar seu estádio às normas da Fifa. A mais expressiva foi a contratação em agosto passado do escritório alemão GMP -que projetou arenas para a Copa da Alemanha (2006) e da África do Sul (2010)-, e que trabalha ao lado do arquiteto Ruy Ohtake, à frente do projeto desde 2008.
Nessa primeira reformulação, os arquitetos propuseram a construção de dois edifícios para atender às exigências da Fifa, um deles anexo ao estádio e outro sob a praça Roberto Gomes Pedrosa. O projeto, no entanto, desagrou a federação internacional. Problemas como pontos-cegos, capacidade insuficiente e espaço inadequado para áreas de hospitalidade continuaram barrando o Morumbi.