O ex-árbitro de futebol José Roberto Wright declarou na sua coluna do diário Lance! desta terça-feira (12/05) ser totalmente contra a demolição do parque aquático Julio Delamare e do estádio Célio de Barros, ambos equipamentos que compõem o complexo do Maracanã. Ele baseia-se em informações de que o projeto de modernização do Maracanã para a Copa 2014 prevê que esses locais darão lugar a estacionamentos.
A idéia dominante é a da retirada deste templo do esporte nacional para que seus espaços sejam transformados em estacionamento. "Estas propostas são absurdas” escreveu o ex-árbitro, que apitou a Copa de 1990, na Itália, e foi considerado pela Fifa o melhor juiz do torneio. “Ao prepararem os locais, não podem destruir praças esportivas que servem ao povão durante todo o ano”, desabafou.
Parque aquático e pista de atletismo
O Parque Aquático Julio Delamare foi palco nos Jogos Pan-americanos de 2007 das competições de pólo aquático e, somente para o evento, foram gastos R$ 10 milhões de reais em reformas. O local foi inaugurado em 1973 e, desde então, foi o principal local de competições na natação nacional, sediando inúmeros campeonatos brasileiros e eventos internacionais. O complexo dispõe de uma piscina olímpica (25 m x 50 m), uma piscina coberta para aquecimento (10 m x 25 m), um tanque para saltos (25 m x 25 m) e é aberto ao público durante a semana, contando, inclusive, com projetos sociais.
Já o estádio Célio de Barros, preterido já nos Jogos Pan-americanos, quando virou apenas um espaço disponível para praça de alimentação do estádio do Maracanã, é até hoje o principal local de treinos e competições de atletismo no Rio de Janeiro, já que o estádio João Havelange, uma das pistas mais modernas da América Latina, está praticamente todo voltado para o futebol. Atualmente, ocupa área total de 18.714m², com 15.501m² de área construída, 756m² para estacionamento e 457m² de jardins, com espaço de lazer gratuito para a comunidade, e capacidade para 9.143 pessoas.
Segundo o colunista do jornal, o absurdo seria ainda maior pelo fato de estas vagas serem utilizadas somente para algumas partidas, referindo-se ao número de jogos da Copa que ali ocorrerão: “Serão as vagas mais caras desse planeta. E para serem usadas no máximo em seis partidas(...) Além disso, o Maracanã e seus complexos já possuem um número de vagas acima do que será necessário”, declarou.
Wrigth, que esteve na Copa da Alemanha em 2006, cobrindo o evento pela Rede Globo, falou também da solução encontrada pelos germânicos para resolver este tipo de problema: “A Copa da Alemanha foi a que melhor soube aproveitar o entorno dos estádios. Parques e praças serviram como locais para estacionamentos, e linhas de ônibus deixavam o público e nós da imprensa junto aos portões de acesso”, esclareceu.
Para terminar, ele aponta uma solução para o caso: “A Quinta da Boa Vista é um excelente local para dar suporte de estacionamento. A ideia é muito viável”, comentou o ex-árbitro, que ainda mostrou preocupação com o valor social dos locais: “Lembre-se que milhares de praticantes, principalmente crianças, usam a pista e a piscina. Como ficarão, sem ter onde praticar?”. A Quinta da Boa Vista é um parque com cerca de 850 m², cerca de um quilômetro distante do estádio e que comporta um zoológico e um museu, além de áreas de lazer.
O Rio de Janeiro é uma das cidades brasileiras dadas como garantidas para sediar partidas da Copa do Mundo. O anúncio será feito pela Fifa no próximo dia 31 de maio, mas o Maracanã já é, além de provável palco de partidas durante a Copa, o mais cotado dos estádios para abrigar a final do torneio.