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Geração de craques brasileiros perde o título em 82

Seleção de Telê Santana dá espetáculo, mas perde para a Itália de Paolo Rossi na tragédia do Sarriá

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Diego Salgado
postado em 12/03/2010 16:03 h
atualizado em 12/03/2010 21:10 h

A Espanha teve exatos 18 anos para realizar os preparativos da Copa. A escolha antecipada da Fifa, ocorrida em 1964, possibilitou ao país o preparo de 17 estádios em 14 cidades – um recorde histórico. Além disso, o Mundial teria oito seleções a mais. João Havelange, em maio de 1979, definiu a mudança e abriu mais uma vaga para equipes africanas e asiáticas.

Nas eliminatórias sul-americanas, o Uruguai perdeu a vaga para o Peru. Na Europa, a surpresa foi a eliminação da Holanda, vice-campeã em 74 e 78. Mais uma vez houve mudança no sistema de disputa. Dessa vez, eram seis grupos com quatro seleções. Na segunda fase, quatro chaves eram formadas. Os primeiros colocados disputavam as semifinais.

Zebras
No grupo A, a Itália sofreu para se classificar ao empatar os três jogos (contra Polônia, Peru e Camarões). Na chave da Alemanha, a Argélia surpreendeu ao vencer os alemães na estreia por 2 a 1. Os africanos, no entanto, não conseguiram a classificação, pois na partida Alemanha e Áustria, as equipes apenas tocaram a bola após a abertura do placar pelos alemães (o resultado era ótimo para as duas seleções).


Júnior (6) e Éder comemoram gol de Zico (10) contra Nova Zelândia (crédito: GettyImages)

Voa, canarinho, voa
Da equipe brasileira que foi à Espanha, oito jogadores estiveram na Argentina quatro anos antes: Carlos, Edinho, Batista, Cerezo, Falcão, Zico, Roberto Dinamite e Dirceu. O técnico Telê Santana era muito criticado por ter abolido os pontas. Contudo, a seleção canarinho proporcionou espetáculos durante o torneio.

No primeiro jogo, contra a União Soviética, o Brasil saiu atrás, depois da falha de Valdir Perez. Éder virou o jogo com um gol a cinco minutos do final. Contra a Nova Zelândia e Escócia, dois passeios: 4 a 0 e 4 a 1, com direito a belos gols (Zico fez um de meia bicicleta contra os neozelandeses e Éder marcou outro encobrindo o escocês Rough). A equipe estava classificada para a segunda fase. Os adversários seriam Argentina e Itália.

A Argentina, que já havia perdido para a Itália por 2 a 1, não conseguiu deter o toque de bola brasileiro. Com gols de Zico, Serginho e Júnior, os brasileiros confirmaram o bom futebol e fizeram 3 a 1. Era preciso somente um empate contra os italianos.

Rossi, a pedra no caminho do tetra
Em 1981, Paolo Rossi, atacante da Juventus, se envolveu no escândalo da loteria esportiva italiana. Suspenso, voltou a tempo de disputar a Copa da Espanha. Nos quatro jogos iniciais, não marcou nenhum gol sequer. Contra o Brasil, porém, desencantou. Fez os três gols da vitória por 3 a 2. A seleção brasileira, após conseguir o empate duas vezes (com Sócrates e Falcão), não teve forças para fazer o terceiro gol. Derrota e fim do sonho do tetra na tragédia do Sarriá.

Tri italiano
Rossi continuou a balançar as redes. Na semifinal contra a Polônia, fez os dois gols da vitória. O adversário da finalíssima sairia do confronto épico entre Alemanha e França. Com o empate no tempo normal e na prorrogação (os franceses venciam por 3 a 1), a vaga foi definida nos pênaltis. Por 5 a 4, a Alemanha venceu e garantiu a vaga para a final no Santiago Bernabeu.

Com a arbitragem de Arnaldo Cezar Coelho, a Itália não encontrou dificuldades para bater a Alemanha. No primeiro tempo, Cabrini perdeu um pênalti ao chutar longe da meta de Schummacher. Rossi abriu o placar aos sete minutos da etapa final. Foi o sexto gol do atacante, artilheiro do Mundial. Tardelli e Altobelli aumentaram a vantagem. Breitner descontou de pênalti e se tornou o segundo jogador a marcar em duas finais (fez em 74, também de pênalti).

Os italianos, após péssima campanha na primeira fase, se tornaram tricampeões do mundo e igualaram a marca brasileira. Dino Zoff, goleiro e capitão do time, se tornou o homem mais velho da história das Copas a erguer a taça.

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