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Sob contestação, Argentina, enfim, sagra-se campeã em 1978

Depois do vice em 30, anfitrião vence com suspeita de suborno no ápice da ditadura

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Diego Salgado
postado em 06/03/2010 02:28 h
atualizado em 24/05/2011 17:16 h

A Argentina, em 1966, foi a escolhida da Fifa para sediar o 11° Mundial. Às vésperas do Mundial, mesmo com graves problemas internos na ditadura instaurada pelo general Jorge Videla, o país foi confirmado como sede da Copa do Mundo.

Cerca de 103 seleções disputaram as eliminatórias. Na Copa, as principais ausências foram a Inglaterra (que pela segunda vez seguida não conseguira ir ao Mundial), o Uruguai e a União Soviética. O sistema de disputa foi o mesmo de 74.  Quatro grupos com quatro equipes, com oito classificados à segunda fase e dispostos em duas chaves. Os campeões do grupo passaria à final.

Os anfitriões não tiveram vida fácil. Caíram no grupo da morte, com Itália, França e Hungria. A seu favor, a possibilidade de disputar os jogos no mesmo estádio. A seleção argentina, portanto foi poupada de viagens longas durante o torneio.

Futebol apagado
A equipe brasileira, treinada pelo teórico Cláudio Coutinho, não apresentou um bom futebol na primeira fase. Prejudicada na estreia contra os suecos (quando o juiz anulou um gol de Zico ao alegar que o jogo já havia terminado), o Brasil precisou esperar até a última rodada da primeira fase para garantir a classificação às quartas de final. Com um gol solitário de Roberto Dinamite, a seleção brasileira fez 1 a 0 na Áustria. Contra a Espanha, no segundo jogo, o zagueiro Amaral foi o herói da partida após salvar uma bola em cima da linha.

Goleada contestada
Na segunda fase da Copa, Alemanha, Itália, Holanda e Áustria formaram o grupo 1. Na outra chave, Argentina, Brasil, Polônia e Peru lutavam pela vaga na final. Argentinos e brasileiros, vencedores dos primeiros jogos, se enfrentaram na segunda rodada. A partida, conhecida como a Batalha de Rosário, terminou 0 a 0. Dessa forma, os jogos Brasil e Polônia, e Argentina e Peru definiriam o finalista. Os brasileiros tinham um gol a mais de saldo que os argentinos  e após os 3 a 1 contra os poloneses, forçaram a equipe portenha a vencer o Peru por, no mínimo, quatro gols de diferença (o horário do jogo foi contestado, pois a seleção da casa entrou em campo depois do jogo do Brasil, sabendo assim, o placar que precisaria).

O Peru, por sua vez, protagonizou um dos episódios mais suspeitos da história das Copas. Sensação da fase inicial, o time do craque Cubillas, sofreu seis gols da Argentina. Curiosamente, o goleiro do Peru, Quiroga, era argentino naturalizado peruano.

O adversário dos anfitriões seria a Holanda, que se classificou após vencer a Itália (2 a 1) e a Áustria (5 a 1) e empatar com a Alemanha (algoz da última Copa). Para o Brasil, restou disputar o terceiro lugar. Com gols de Nelinho e Dirceu, o time de Coutinho venceu a Itália e, por não ter perdido nenhum jogo, voltou para casa com status de campeão moral (na concepção do treinador).

Festa no Monumental
No dia 25 de junho, o estádio Monumental de Nuñes recebeu 77250 argentinos para a final da Copa. Kempes, aos 38 da primeira etapa fez 1 a 0 para a Argentina. A nove minutos do final, Nanninga empatou. Rensenbrink, atacante holandês, deixou os torcedores atônitos ao acertar a trave no último lance do tempo regulamentar. Na prorrogação, Kempes fez a diferença mais uma vez ao desempatar o jogo. Com isso, o atacante se isolou na artilharia do Mundial (6 gols). Bertoni ainda teve tempo de marcar o terceiro. A Argentina, em meio às suspeitas de suborno e no ápice da ditadura, sagrava-se campeã mundial pela primeira vez.

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