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Da festa ao pesadelo: primeira tragédia na Fonte Nova completa 39 anos

No dia da reinauguração do estádio, em 1971, parte da estrutura cede deixando dois mortos

Fonte Nova aguarda liberação de alvarás para demolição
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Karlo Dias - Salvador
postado em 04/03/2010 10:43 h
atualizado em 08/09/2010 17:29 h

A Fonte Nova, um dos ícones do futebol baiano, comemorou ontem 39 anos da sua reinauguração. Mas o que era para ser uma data festiva marca a primeira grande tragédia da história do Octávio Mangabeira. 

Inaugurado em 28 de janeiro de 1951, o estádio ainda não havia atingido sua capacidade máxima. Apesar de majestosas, as primeiras décadas do estádio não se comparam ao que aconteceria a partir de 4 de março de 1971. A Fonte Nova sofreu uma grande ampliação, recebendo seu anel superior.  

Em toda a cidade de Salvador o assunto do momento era a reinauguração do estádio. Casa cheia, com público oficial de 94.972 pagantes. Segundo informações extra-oficiais, mais de 112 mil pessoas lotavam a arena, que tinha torcedores até nas marquises. No gramado, o Esporte Clube Bahia jogaria a primeira partida contra o Flamengo, e o Vitória faria a segunda contra o Grêmio de Porto Alegre.

Durante o primeiro jogo, o clima era de festa. Zé Eduardo levantou a multidão tricolor, marcando o gol que daria a vitória ao Bahia, com o placar de 1 a 0. Neste momento, as arquibancadas balançaram, mas ninguém se incomodou.

À noite, a bola voltou a rolar com Vitória e o Grêmio. No meio do segundo tempo, o placar ainda em 0 a 0, o que era para ser uma festa se transformou em uma das grandes tragédias do futebol brasileiro.

“Um refletor pipocou. E alguém gritou: ‘A Fonte Nova está caindo’. O pânico foi geral. Correria. Gente pulando de cima para baixo. Poeira, pisoteio, confusão e pânico”, conta o historiador Antônio Risério no livro “Uma história da cidade da Bahia”. 

Muitos torcedores se jogaram de uma altura equivalente a um prédio de quatro andares, outros quebraram os alambrados e invadiram o campo, com o temor de desabamento. Não se sabe ao certo o número de mortos e feridos.

“A Tarde”, um dos poucos jornais a divulgar estes dados, publicou no dia seguinte reportagem especial que apontava 2.086 feridos e dois mortos. “Nem todos os casos atendidos pelo HPS foram registrados, em vista da balbúrdia reinante. Na porta do ambulatório do Hospital, soldados da Polícia Militar vedavam a passagem de jornalistas”, dizia a reportagem.

Em meio a um ambiente marcado pela ditadura, a divulgação de um acidente destas proporções prejudicaria a imagem do presidente e do governador.

Passados 39 anos, as arquibancadas da Fonte Nova, em sua forma original, não balançam mais. O gigante de concreto, como foi chamado por muitos, espera silenciosamente a confirmação do anúncio: ‘A Fonte Nova vai cair’. Mas desta vez, de forma coordenada e orientada por técnicos especializados em demolição.

Nos próximos dias – espera-se que no máximo até 3 de maio, novo prazo estabelecido pela Fida – o estádio da década de 50 deixará de existir. Será completamente demolido para dar lugar a um novo complexo esportivo multiuso, moderno e sintonizado com as exigências do esporte mais popular do mundo.

Em 2013, surgirá um novo palco para estrelas mundiais brilharem durante a Copa das Confederações e a esperada Copa do Mundo de 2014.

Outros acidentes 

Marcado por curiosidades, o estádio Octávio Mangabeira teve sua história recente marcada por dois outros acidentes de grandes proporções.

Em 25 de novembro de 2007, depois da partida entre Bahia e Vila Nova, que garantiu ao tricolor o acesso à série B, três placas de concreto da arquibancada do anel superior cederam. Onze pessoas despencaram de uma altura de 20 metros, sete delas morreram.

No momento do acidente o estádio tinha cerca de 60 mil torcedores. Houve invasão do campo e os jogadores precisaram correr para os vestiários. Placas e bancos também foram arrancados O que era para ser uma comemoração acabou em tumultuo.  Depois disto, o estádio foi interditado.  

Um ano, antes, em 28 de outubro de 2006, na partida entre Bahia e Ipatinga, pela série C, o tricolor perdia por 2 a 0 quando a torcida, aos 23 minutos do segundo tempo, se revoltou e invadiu o campo. A polícia reagiu com bombas de gás e pelo menos 25 pessoas foram hospitalizadas.





 
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