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Força e disciplina superaram o futebol-arte em 1974

Alemães sagraram-se bicampeões ao derrotar a Laranja Mecânica de Michels, Neeskens e Cruyff

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Diego Salgado
postado em 26/02/2010 15:55 h
atualizado em 27/02/2010 17:21 h

A Fifa utilizou os mesmos critérios do Mundial anterior para escolher a Alemanha como sede da Copa de 1974. Assim como a Cidade de México, Munique se tornou a segunda cidade na história a receber uma Olimpíada e uma Copa em menos de dois anos.

O atentado ocorrido durante os Jogos Olímpicos de 72, quando o grupo palestino Setembro Negro matou nove reféns israelenses, transformaram o esquema de segurança a principal preocupação alemã. Os hotéis e locais de treino eram verdadeiras fortalezas. Durante a Copa, no entanto, não houve qualquer tipo de atentado.

As surpresas das eliminatórias foram o Haiti, que eliminou o México, e a Polônia, que pegou a vaga dos ingleses. A Fifa, já com o brasileiro João Havelange na presidência, mudou o sistema de disputa. Desta vez, não haveria o tradicional mata-mata na segunda fase. As oito seleções classificadas seriam divididas em dois grupos e o vencedor disputaria a grande final.  

O Brasil chegava ao torneio com muitas mudanças em relação à equipe que faturou o tricampeonato. Pelé, Gérson e Tostão encerraram a carreira e Clodoaldo foi cortado por lesão às vésperas do embarque. Restavam apenas Jairzinho, Rivelino, Paulo César, Marco Antônio, Edu e Zé Maria do plantel de 70.


Na final de 74, Cruyff prende a bola esperando passagem de Suurbier (crédito: GettyImages)

Retranca e sufoco
Brasil e Iugoslávia abriram a Copa na cidade de Frankfurt. Assim como em 1966 e 70, o jogo de estreia ficou no 0 a 0 (em 78 isso também aconteceria). Contra a Escócia, com Mirandinha no lugar de Valdomiro, novo empate sem gols. Era preciso, então, vencer o fraco Zaire por três gols de diferença para ir à segunda fase. No sufoco, após falha do arqueiro Kazadi, Valdomiro, que entrou durante o jogo, fez o gol da classificação faltando 11 minutos para o final da partida.

Na fase seguinte, os adversários seriam a Argentina, a Alemanha Oriental (que venceu a Alemanha Ocidental por 1 a 0 no grupo A) e a Holanda, que passara com facilidade por Uruguai e Bulgária. Duas vitórias contra a Alemanha Oriental (1 a 0) e Argentina (2 a 1) despertaram otimismo nos torcedores brasileiros. Porém, ainda era preciso vencer os holandeses para chegar à finalíssima.

Um carrossel no caminho do tetra
Rinus Michels, treinador holandês, mostrou na Copa de 74 uma nova organização tática, na qual os jogadores não tinham posição definida. Com o genial Cruyff,  o incansável Neeskens e o atacantes Rep e Rensenbrink, a equipe laranja passou por cima de uruguaios (2 a 0), búlgaros (4 a 1), argentinos (4 a 0) e alemães orientais (2 a 0). Contra o Brasil, mais uma ótima apresentação e vitória tranquila por 2 a 0, com gols de Cruyff e Neeskens. Na final, a Holanda teria os anfitriões como adversários. Por sua vez, a Alemanha, do goleador Gerd Muller, venceu Iugoslávia (2 a 0), Suécia (4 a 2) e Polônia (1 a 0) e chegou à decisão.

Para o Brasil, restava ganhar da Polônia pelo terceiro lugar no Mundial. Mas nem isso a equipe de Zagallo conseguiu. Lato, artilheiro da competição com sete gols, fez o único gol da partida após falha de Marinho Peres.

Futebol força vence o futebol mágico
Foram necessários apenas 55 segundos para que a Holanda começasse a se consolidar como campeã mundial. De pênalti, Neeskens fez 1 a 0. Mas não demorou para o lateral Breitner empatar, também em uma penalidade máxima. Gerd Muller marcou seu 14° gol em Copas e fez o gol da virada ainda no primeiro tempo.  No segundo tempo, o placar não mudou. A Alemanha, assim com em 1954, surpreendera ao vencer a melhor equipe do torneio. Com isso, tornou-se bicampeã e levantou pela primeira vez a nova taça esculpida pelo italiano Silvio Gazzaniga.

Estádios da Copa
Em Munique, o Olímpico foi palco de cinco jogos, incluindo a grande final. Finalizado em 1972, foi construído em quatro anos e custou U$ 1,2 bilhão. Cerca de 26 mil operários trabalharam na obra. A empresa Günther Behnish & Partners, da cidade de Stuttgart (que ganhou de 102 consórcios a concorrência pela obra) utilizou 400 mil metros cúbicos de concreto e 40 mil toneladas de aço.

Berlim utilizou o mesmo estádio das Olimpíadas de 1936. Abrigou três jogos do Mundial de 1974. Tinha capacidade para 80 mil torcedores. Foi restaurado para a Copa de 2006.

Mais oito estádios foram usados na Copa da Alemanha.  O Waldstadion, de Frankfurt, construído em 1925, tinha capacidade para 52 mil torcedores. Lá foram disputados cinco jogos. Em Gelsenkirchen, no Parkstadion (onde o Brasil ganhou do Zaire), 62 mil pessoas assistiam aos jogos. Foi erguido em 73 e foi palco de cinco partidas.

A cidade de Dusseldorf utilizou o Rheinstadion, construído em 1925. Com 66 mil lugares, foi usado cinco vezes no Mundial. Foi demolido em 2002. O Niedersachsenstadion, que trouxe à Hannover quatro jogos, foi erguido em 1954 e comportava 56 mil torcedores.

Quatro jogos foram disputados em Stuttgart e Dortmund, no Neckarstadion e no Wesfahallenstadion, respectivamente. De 1933 e com capacidade para 70 mil pessoas, o estádio de Stuttgart foi demolido em 1993. O estádio de Dortmund, onde o Brasil perdeu da Holanda, foi finalizado em 74 e tinha 52 mil lugares.

A menor sede do torneio foi Hamburgo. Foi palco de apenas três jogos. O Volksparkstadion, de 60 mil lugares foi construído em 1953 e demolido em 2001. Em seu lugar foi erguido uma Arena, utilizada em cinco jogos da Copa de 2006.

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