Não é de hoje que o futebol deixou de ser apenas um divertimento de final de semana e passou a ser um espetáculo sofisticado e envolto em grandes interesses comerciais, com estádios cada vez mais requintados e elitizados. Assim, a transformação das arenas é uma realidade mundial que inevitavelmente chegaria ao Brasil, e a vinda da Copa do Mundo para o país em 2014 é a ferramenta que faltava para acelerar esse processo.
Processo caro, diga-se, e que precisa ser autossuficiente para evoluir financeiramente e permitir a sobrevivência dos clubes e campeonatos. “Uma Copa do Mundo não se faz somente com paixão, com manifestações meramente populistas", alerta Nélson José Ribeiro, economista paranaense. "Requer planejamento, modernização dos estádios e da infraestrutura. Por isso o produto precisa ser vendido considerando o valor que representa.”
O futebol tornou-se um negócio lucrativo, tanto nos valores de negociação dos atletas e na arrecadação dos jogos, como na publicidade com os patrocinadores e também na alta rentabilidade obtida pela transmissão dos jogos na televisão. De acordo com o pesquisador Luiz Carlos Ribeiro, coordenador do Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade da Universidade Federal do Paraná, “o futebol enquanto produto de mercado de alto valor não se destina apenas a torcedores apaixonados, mas a consumidores”. E tudo isso tem um custo financeiro, que é transferido para o usuário desse bem (ou serviço), o torcedor.
Segundo Paulo Verardi, diretor de marketing do Clube Atlético Paranaense (CAP), cujo estádio, a Arena da Baixada, foi escolhido para os jogos da Copa em Curitiba, a saúde financeira dos clubes e entidades é uma exigência do torcedor. “Cabe aos grandes clubes viabilizar permanentemente acessibilidade e interatividade com sua torcida, com o claro objetivo de penetração, fidelização e, por conseguinte, valorização da marca do clube”, defende o dirigente.