Há quarenta anos os morros da cidade do Rio de Janeiro eram cantados por poetas e compositores como Noel Rosa, Cartola, Monsueto Menezes, Nélson Cavaquinho, Vinicius de Moraes, Zé Kéti, Ismael Silva e tantos outros. Mas nas décadas de 1970 a 1990, essas localidades passaram a abrigar grandes facções do crime organizado, com alto poder bélico e força comercial na distribuição de drogas. Conseqüência disso, a cidade sofre ações cada vez mais ousadas de uma guerra entre quadrilhas e a polícia carioca, com balas perdidas, ônibus incendiados e atentados a bomba. Nas praias, os turistas que visitam o Rio enfrentam o "pequeno crime", com furtos, arrastões e assaltos a mão armada. Não à toa os guias de viagem - em todos os idiomas - pedem cautela e atenção redobrada a quem decida vir ao Rio.
Ações diversas estão em andamento na cidade para diminuir os focos de violência, como as UPPs (Unidades de Policiamento Pacificadoras), que buscam a retomada do controle dos morros pelas autoridades públicas. Criadas pela atual gestão da Secretaria de Estado de Segurança, as UPPs trabalham com a ideia de parceria entre a população e instituições da área de segurança. Desde que surgiram, as UPPs já recuperaram sete comunidades antes controladas pelo tráfico.
O programa de UPPs não tem ligação direta com projetos relativos à Copa do Mundo de 2014, mas a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro já demonstra preocupação com o mundial no Brasil e com os Jogos Olímpicos de 2016. Até mesmo a comandante de uma UPP, a do morro Santa Marta, a capitão Pricila Oliveira, esteve presente ao anúncio do Rio como sede da Olimpíada, em Copenhague, como sinal de que o combate ao crime organizado é mesmo uma das prioridades para a cidade. Outro indicador é a meta da Secretaria de reduzir por semestre 6,33% dos índices de crimes como homicídios, latrocínio (roubo seguido de morte), roubo de veículos e roubos de rua (como assalto a pedestres, a carros e ônibus).
A grande notícia para o carioca e para os turistas é que a taxa de homicídios de 2009 foi a menor em dez anos no Estado do Rio. A informação do Instituto de Segurança Pública(ISP) mostrou que de 34,7 casos por cem mil habitantes em 2008 o índice passou para 34,6 em 2009. Segundo disse o subsecretário de Segurança, Roberto Sá, ao jornal O Globo, a diminuição das taxas de criminalidade têm sido possíveis graças à metodologia de combate ao crime que alia gestão e acompanhamento.