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Estádio flexível é solução contra elefantes brancos, diz arquiteto

Coautor de três arenas da Copa, Danilo Carvalho fala sobre a sustentabilidade dos empreendimentos

Carvalho aposta em flexibilidade para as arenas da Copa (crédito: Divulgação)
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Rafael Massimino - São Paulo
postado em 11/02/2010 14:27 h
atualizado em 12/02/2010 11:46 h

O arquiteto e administrador Danilo Carvalho comanda o Grupo Stadia, escritório fundado em 2007 e especializado em projetos de arquitetura esportiva. Somente para a Copa 2014, Carvalho participa da concepção de três arenas: Vivaldão (Manaus), Verdão (Cuiabá) e Arena das Dunas (Natal).

Além disso, a Stadia desenvolve um estudo de viabilidade para o Mineirão (Belo Horizonte), um documento cada vez mais significativo na tentativa de evitar os chamados elefantes brancos – arenas modernas, porém inúteis.

Para escapar da armadilha, o Verdão terá um sistema de arquibancadas desmontáveis que permitirá reduzir 43% da sua capacidade após a Copa. “Verificamos que 40 mil lugares, o mínimo exigido pela Fifa, seria excessivo”, diz Carvalho. O arquiteto estuda a mesma solução para Natal. “Possivelmente terá, mas isso será definido ainda”.

Em Manaus, nem redução de capacidade nem preocupação com possíveis déficits. “Manaus demanda muitos turistas e isso tende a melhorar. Eles acreditam que a Copa e esse ícone (o Vivaldão) trarão mais público.”

Como chegaram ao conceito de arquibancadas flexíveis para o Verdão?
Verificamos que 40 mil lugares – o mínimo exigido pela Fifa – seria excessivo para Cuiabá, que tem pouca tradição, hoje, em futebol. Nossa proposta foi colocar a possibilidade de eliminar 17 mil lugares depois da Copa, através desse sistema.

Vinte e três mil lugares ainda parece muito para Cuiabá, que tem média de três mil torcedores/jogo.
Acreditamos que, primeiro: deve haver um mínimo de capacidade para demandar jogos e fomentar o futebol local. Segundo: mesmo com histórico de público baixo, acreditamos que isso melhore no futuro. E terceiro: o estádio se manterá com outros eventos, como shows.

É uma aposta no desenvolvimento do futebol e do mercado de eventos?
Sim. Acho que todos os estádios estão apostando nisso. Porque para bancar um estádio com essa estrutura, um item básico é o custo. Outro é a renda. E todos estão apostando, acredito, que haja uma melhora no valor médio dos ingressos. Isso aumentará a qualidade e até a troca do público que assiste hoje a futebol. E você só troca o público melhorando a qualidade de infraestrutura, segurança etc.

"Manaus com esse chamariz vai capitalizar mais atenções e de repente pode emplacar uma turnê internacional de shows"

Modelo de arena flexível: Verdão sem arquibancadas norte e sul (crédito: GCP Arquitetos/Grupo Stadia)

Quantos eventos/ano fechariam a conta do Verdão?
Essa conta é padrão. Deve haver, no mínimo, 60 eventos/ano, de porte variado e com média de 10 a 15 mil pagantes. Há estádios no Brasil que não são deficitários, como o Morumbi e o Mineirão, porque conciliam eventos e vários jogos ao longo do ano. O ideal seria ter mais de um clube expressivo demandando jogos no mesmo estádio.

Essa conta fecha em Manaus?
O Vivaldão é um projeto completamente diferente. O governo acredita que a área do estádio vá virar um complexo. Lá, existe o Sambódromo, o (ginásio) Poliesportivo e estão construindo o centro de convenções. E em todo esse complexo cultural vai ser cravado um estádio. Então independente de viabilidade ou não, isso é algo que vai reurbanizar e reavivar o centro de Manaus.

Por que não adotaram as arquibancadas flexíveis?
Porque o governo acredita que usará o estádio para outros eventos. Então fizemos a capacidade a mais otimizada possível para atender à Copa, mas sem redução.

Não há preocupação de que o estádio vire um peso para o Amazonas?
Manaus demanda muitos turistas e isso tende a melhorar. Eles acreditam que a Copa e esse ícone trarão mais público.

Não estão preocupados com o déficit do estádio, mas com o turismo?
Exato. O Brasil é a bola da vez. Manaus com esse chamariz vai capitalizar mais atenções e de repente pode emplacar uma turnê internacional de shows.

Natal também terá o sistema flexível?
Está em processo de estudo a possibilidade de redução desse estádio. Possivelmente terá, mas isso será definido ainda. Estamos pensando em eliminar as arquibancadas norte e sul, mas a grande questão é a cobertura que, ao contrário de Cuiabá, não pode ser removida.

"Na verdade, a conta é bem cara para se manter. Vide Portugal, que está demolindo estádios construídos para a Euro 2004"

Qual a participação de vocês no Mineirão?
Fomos contratados num consórcio junto com a Accentury para ajudar na parte técnica. Lá, nosso escopo é bem menor. É mais uma análise técnica para implementos Fifa e verificamos que o projeto atende aos requisitos. O governo está tentando compor uma PPP (Parceria Público-Privada).

É interessante para uma cidade manter um estádio, mesmo com prejuízo, como um incentivo ao esporte e/ou à cultura?
Na verdade, a conta é bem cara para se manter. Vide Portugal, que está demolindo estádios construídos para a Euro 2004. Então simplesmente acreditar que o estádio será um monumento ou coisa que o valha, é muito dinheiro para se gastar num empreendimento como esse.

Qual terá sido o erro se, em 2024, um estádio construído para a Copa 2014 se mostrar deficitário?
De pensar que você irá ter eventos e não tê-los. Mas a tendência é ter esse estudo de flexibilidade da capacidade. E quem comprova isso são os estádios novos que estão sendo construídos na Austrália e para a Olimpíada da Londres. Lá, você tem estádio de 80 mil lugares que passa para 25 mil. Três estádios da África do Sul também têm essa possibilidade.






 
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