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Com gol polêmico, Inglaterra é campeã em 66

Após favorecimento contra a Argentina e Alemanha, anfitriões do torneio ganham seu 1º título mundial

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Diego Salgado
postado em 29/01/2010 14:29 h
atualizado em 29/01/2010 15:33 h

Foram necessárias sete Copas do Mundo para que, enfim, os inventores do futebol pudessem organizar a competição. Coincidentemente, à época da escolha, em 1960, a Fifa era presidida pelo inglês Arthur Drewry. Dessa forma, a Inglaterra tinha nas mãos a chance real de faturar a taça Jules Rimet pela primeira vez.

Cerca de 70 países se inscreveram nas eliminatórias. Esse número crescia a cada edição do torneio. Para 1966, no entanto, o Mundial sofreu um boicote do continente africano. Sob a alegação de que teriam direito a uma vaga própria na Copa, nenhum país da África disputou as partidas contra os adversários asiáticos.

Brasil não repete campanhas
Vicente Feola, que voltara a dirigir a seleção, convocou 44 jogadores na fase de preparação do Mundial. Dos 22 convocados finais, 20 entraram em campo. Com uma péssima preparação, o Brasil não encontrou um time base para iniciar a Copa do Mundo. O resultado foi a eliminação logo na primeira fase.

No primeiro jogo, em Liverpool, com Pelé e Garrincha juntos, vitória sobre a Bulgária. Com dois gols de falta, um em cada tempo da partida, a seleção largava bem na luta pela vaga nas quartas de finais. O sucesso, porém, terminara na rodada seguinte. Sem Pelé, caçado pelos búlgaros na estreia, o Brasil foi presa fácil. Após 12 anos (13 jogos) sem perder em Copas, derrota para a Hungria por 3 a 1.

Era, então, necessário vencer os portugueses, que já haviam superado Bulgária e Hungria. Feola promoveu nove mudanças no time, mas elas não surtiram efeito. O resultado de 3 a 1 para Portugal foi apenas mais um capítulo da vexatória campanha brasileira no Mundial inglês.

Os portugueses, inclusive, foram a maior surpresa da competição. Após o primeiro lugar no grupo, venceram a Coreia do Norte no duelo por uma vaga na semifinal. Os norte-coreanos, que já haviam surpreendido os italianos, sucumbiram ao talento de Eusébio – o moçambicano marcou quatro gols e virou o jogo para Portugal.


No lendário estádio Wembley, ingleses sagram-se campeões (crédito: Getty Images)

Pickles, Hurst e Charlton: heróis nacionais
Um vira-lata ganhou fama antes do início da Copa. A três meses da estreia, a taça Jules Rimet fora roubada após um exposição em Londres. Foram sete dias de procura na tentativa de evitar um vexame nacional. Coube ao cãozinho Pickles encontrar o velho troféu. A cobiçada Jules Rimet estava enrolada em meio ao lixo da cidade.

Em campo, coube ao meia Bobby Charlton liderar a equipe. O goleador Hurst também foi essencial. Na primeira fase, foram deles os gols da vitória diante dos mexicanos. Com outro bom resultado (2 a 0 contra a França), a Inglaterra enfrentaria os rivais argentinos nas quartas de finais.

O jogo foi marcado pela má arbitragem do alemão Rudolf Kreitlein, que expulsou o meia Rattin. Após um gol solitário de Hurst, aos 31 minutos do segundo tempo, a Inglaterra teria pela frente a seleção portuguesa. Com gols de Bobby Charlton, estava garantida a passagem à grande final. Os adversários seriam os alemães, que venceram uruguaios (4 a 0) e soviéticos (2 a 1).

Dúvida eterna
Até hoje não se sabe ao certo se a bola chutada por Hurst entrou ou não. Após um emocionante empate por 2 a 2 no tempo normal – com um gol alemão no último minuto de jogo – a partida seria decidida na prorrogação.

Aos 10 minutos do primeiro tempo, o atacante Hurst e árbitro suíço Gottfried Dienst protagonizaram o lance mais polêmico da história das Copas. Depois do chute do goleador, a bola bateu no travessão e próximo à linha da meta do goleiro alemão Tilkowiski. O auxiliar e o juiz, de imediato, confirmaram o gol sob protestos alemães.

Nove minutos depois, Hurst marcou seu terceiro gol na partida e deu números finais à decisão. Com isso, tornou-se o único jogador a marcar três vezes em uma finalíssima, marca que persiste até hoje. A Inglaterra, por sua vez, entrou para o seleto grupo dos campeões mundiais.

Números e estádios da Copa
Estima-se que o torneio rendeu ao setor turístico cerca de 400 mil libras. Aproximadamente 1,6 milhão de torcedores assistiram aos 32 jogos. Foram arrecadados 1,5 bilhão de libras. Os jogos ocorreram em oito estádios de sete cidades diferentes.

No Grupo 1, com sede em Londres, foram utilizados dois estádios. O lendário Wembley, contruído em 1923, tinha capacidade para 95 mil torcedores. Demolido em 2003 e reinaugurado em 2007, abrigou a final da Copa e é considerado o templo do futebol. O estádio londrino White City também foi utilizado. Construído entre 1904 e 1907, foi inaugurado nas Olimpíadas de 1908. Comportava 67 mil pessoas e foi demolido em 87.

Em Sheffield, no estádio Hillsbrough e em Birmingham, no Villa Park, foram disputados os jogos do grupo 2. O Villa Park, casa do Aston Villa, foi erguido em 1892. Tinha capacidade para 51 mil pessoas, hoje são apenas 42 mil lugares. O estádio Hillsbrough é famoso por ter sido o palco da maior tragédia do futebol inglês (em 89, pela semifinal da Copa da Inglaterra, 96 torcedores do Liverpool morreram esmagados após superlotação). Foi construído para 40 mil torcedores, em 1899.

Os jogos do grupo 3, no qual a seleção brasileira fazia parte, foram disputados em Liverpool e Manchester. O estádio Goodison Park, do Everton, abrigou os três jogos da seleção brasileira na Copa. Erguido em 1892, cerca de 60 mil pessoas eram confortavelmente acomodadas em suas cadeiras. O famoso Old Trafford, do Manchester United, foi construído em 1910. No Mundial, seu maior público foi 37 mil (Portugal x Hungria), Atualmente, após diversas reformas, comporta cerca de 76 mil pessoas.

No grupo 4, os estádios utilizados foram o Ayresome Park, em Middlesbrough e o Roker Park Ground, em Sunderland. O primeiro, inaugurado em 1903, abrigava 54 mil torcedores. No Roker Park, 30 mil pessoas assistiam sentadas aos jogos. O estádio durou 99 anos – foi demolido em 1997.

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