No Brasil, pode-se dizer que a primeira variedade de grama plantada em cultivo comercial e usada em gramados esportivos foi a Esmeralda (Zoysia japônica ou Wild zoyzia). A partir do final da década de 80 do século passado, vários estádios começaram a trocar os gramados nativos de seus campos pela esmeralda, em tapetes. Esta variedade de grama foi a precursora de uma série de melhorias nos gramados nacionais.
Participei dessa pequena revolução em nossos gramados a partir da década de 90. Juntamente com a Esmeralda, implantávamos nos campos a irrigação escamoteável automatizada, com drenagem USGA (Associação Norte-Americana de Golfe, na sigla em inglês), corte helicoidal, uso de adubadeira, topdress, aeração, verticutting etc. Trouxemos essas técnicas, paulatinamente, dos campos de golf para os de futebol.
Ainda hoje há estádios que mantêm a grama esmeralda, como o Mineirão, face às suas qualidades diferenciadas em relação às gramas nativas. Mas esse jogo da melhoria dos gramados nacionais passou a ser rapidamente incrementado, no final da década de 90, com a disponibilidade comercial das gramas Bermudas híbridas.
A maioria destas são conseguidas do cruzamento de Cynodon dactylum com Cynodon transvallensis, obtendo-se as melhores variedades com aptidão para gramados esportivos para uso deste lado do equador: tifton 419 , tifway, Celebration, ITG6, tifton dwarf, tifeagle, tifton 328, entre outras.
Estas variedades têm como principais características uma maior produção de massa verde (crescem até 1 cm a cada 24h); maior capacidade de suporte de pisoteio; maior poder de regeneração; maior seletibilidade de herbicidas; maior capacidade de suporte de resistência a invasoras e algumas pragas-chave; disponibilidade comercial em todas as versões de plantio (sementes, tapetes, plugs, sprigs, maxi rolo ou big roll), entre outras.
Em setembro de 2009, o Comitê Organizador da Copa (COL) divulgou as suas recomendações para gramados. Estas, em sua maioria, vêm de encontro ao trabalho que vem sendo realizado nos últimos anos e deveriam passar a nortear não só os gramados da Copa 2014, mas os gramados das demais competições regionais e nacionais. No fim das contas, esta deverá ser a tendência no futuro.