Em meados de 1956, a Fifa optou pelo Chile como sede da Copa do Mundo de 1962. Com isso, após 12 anos, o principal torneio de futebol voltara a América do Sul. Até então, dos seis Mundiais disputados, apenas dois ocorreram no continente americano. Para os chilenos, isso representou a chance de melhorar seu desempenho histórico no torneio, já que a seleção do Chile nunca havia conseguido passar da primeira fase.
Coube a um brasileiro o mérito da conquista chilena de sediar o Mundial. Carlos Dittiborn, filho de chilenos, foi responsável pela organização. Mostrou à Fifa que o Chile tinha condições de abrigar a Copa do Mundo. No entanto, dias antes do início da Copa, Dittiborn faleceu e não pode ver a excelente campanha chilena no Mundial. O principal organizador do torneio foi homenageado em todos os 32 jogos da competição.
Estádios
Foram utilizados apenas quatro estádios para a disputa das partidas. As cidades de Santiago, Viña del Mar, Arica e Rancágua foram escolhidas como sedes. Na capital chilena, o estádio Nacional foi palco de 10 jogos. Com capacidade para 75 mil torcedores, era considerado um dos mais modernos da América. O anfitrião do torneio jogou cinco partidas no Nacional, inclusive a semifinal contra o Brasil. O jogo, inclusive, foi o recorde de público da Copa – 77 mil, chilenos em sua maioria, lotaram o maior estádio da competição.
Em Viña del Mar, o estádio Sausalito foi preparado para o maior evento esportivo da história do Chile. Todos os jogos do grupo 3, no qual o Brasil fazia parte, foram disputados no pequeno, mas confortável estádio de 18 mil lugares. Nos gramados do Sausalito, a seleção brasileira iniciou a luta pelo bi. Lá disputou seus quatro primeiros jogos da Copa.
Em Arica, extremo norte do Chile, outro pequeno estádio. Construído especialmente para o Mundial, tinha capacidade para 18 mil pessoas. Fora batizado de Carlos Dittborn (uma homenagem ao organizador da Copa) e abrigou os jogos do grupo 1 (Iugoslávia, Colômbia, Uruguai e União Soviética).
Inglaterra, Argentina, Hungria e Bulgária, as seleções do grupo quatro, se enfrentaram na cidade de Rancágua. Erguido com financiamento de uma empresa norte-americana, a Anaconda, o estádio Braden Copper comportava 25 mil torcedores. Mudou de nome na década de 70 para Estádio El Teniente.
Base de 58
O Brasil, que defendia o título de 58, pouco mudou a equipe. Dos 22 campeões na Suécia, 14 estavam no Chile. No banco, uma mudança emergencial. Devido a problemas de saúde, Vicente Feola deu lugar a Aymoré Moreira. A presença de Paulo Machado de Carvalho, decisiva quatro anos antes, também fez a diferença na conquista do bicampeonato.
Na estreia, com Mauro e Zózimo na zaga, as únicas mudanças em relação à final contra a Suécia, em 58, o Brasil venceu os mexicanos por 2 a 0. Zagallo e Pelé marcaram os gols brasileiros. Foi a única vez que o Rei balançou as redes no torneio. No jogo seguinte, contra a Tchecoslováquia, após um chute, Pelé sofrera uma distensão muscular e assistira todas as partidas seguintes da arquibancada.
Amarildo, atacante botafoguense, entraria no lugar do melhor jogador do mundo. Coube ao substituto eliminar a Espanha em um jogo dramático. Após estar perdendo por 1 a 0 até os 27 minutos do segundo tempo, o Brasil contou com dois gols de Amarildo para virar o jogo. Além disso, a malandragem de Nilton Santos também garantiu resultado. O lateral esquerdo, depois de cometer pênalti, deu um passo para fora da área. O juiz chileno, Sergio Bustamante, marcou apenas falta. Com o resultado, a seleção canarinho estava classificada e enfrentaria a Inglaterra na fase seguinte.
No outros grupos, as decepções foram o Uruguai, a Argentina e a Itália. Os uruguaios venceram apenas um jogo, contra a Colômbia. A Argentina, assim como quatro anos antes, foi eliminada pela Hungria. E a Itália, que ficou de fora do Mundial de 58, mesmo utilizando muitos estrangeiros, só conseguiu ganhar da Suíça (3 a 0).
O Chile nas semis
A grande campanha chilena começou com vitória sobre a Suíça, por 3 a 1. No segundo jogo, derrotou os italianos por 2 a 0 – resultado que já garantiu a equipe nas quartas de final. Nem a derrota para a Alemanha no terceiro jogo (2 a 0) abalou o ímpeto chileno na Copa. Contra os soviéticos, no acanhado estádio de Arica, vitória apertada por 2 a 1 e passagem garantida às semifinais. O adversário seria o Brasil, que venceu a Inglaterra por 3 a 1 com uma atuação de gala de Garrincha.
Gênio das pernas tortas
Sem Pelé, coube a Garrincha liderar a equipe brasileira na campanha do bi. Contra os chilenos, no superlotado estádio Nacional, o Mané provou ao mundo que uma nação campeã era feita por muitos craques. Em 32 minutos, Garrincha fez dois gols e praticamente assegurou a vitória. O gênio das pernas tortas também foi expulso da partida após falta dura no chileno Rojas. Com a ajuda de Vavá, a seleção derrotou o anfitrião da competição por 4 a 2 e disputaria o título contra os tchecos.
Na primeira fase, a Tchecoslováquia foi a única a fazer frente ao Brasil. Na grande final, outro jogo muito disputado. Assim com na Suécia, mais uma vez a seleção brasileira saiu atrás no placar. Masopust, eleito o melhor jogador da Europa em 62, fez 1 a 0. Dois minutos depois, Amarildo empatou. No segundo tempo, Zito, de cabeça, e Vavá, após falha do goleiro Schroif, deu números finais à partida. O Brasil conquistava o mundo novamente.