Dois anos após a morte de Jules Rimet, presidente e idealizador da Copa do Mundo, a Suécia organizou o maior torneio de futebol do mundo. Escolhida pela neutralidade na Segunda Guerra e pela infraestrutura intacta, os suecos tiveram o privilégio de assistir de perto o nascimento de um Rei. Foi na campanha do primeiro título brasileiro que Pelé estreiou em Copas, marcou seu primeiro gol e ajudou a seleção brasileira a encantar o mundo.
O Brasil demorou 28 anos para se tornar um campeão mundial de futebol. E a conquista veio de forma impecável na Suécia. O técnico brasileiro, Vicente Feola, utilizou 16 jogadores em toda a campanha e provou que uma equipe campeã se faz com um bom elenco. A seleção brasileira venceu cinco jogos e empatou apenas um, marcou 16 gols e sofreu quatro.
A Copa de 58 foi a mais concorrida de todas até então, com 51 países inscritos. As eliminatórias trataram de derrubar os campeões mundiais, Itália e Uruguai. Os italianos perderam para a Irlanda do Norte e os uruguaios para o Paraguai. Com isso, os grandes adversários do Brasil foram a União Soviética, do mítico arqueiro Lev Yashin, a França, do artilheiro Just Fontaine e a anfitriã do torneio, apoiada pelo bom número de torcedores.
Uma pedra no meio do caminho
No último jogo da fase de classificação, diante dos soviéticos, o Brasil entrou em campo com quatro mudanças em relação ao time da estreia. Na vaga de Dino Sani no meio-campo, Zito. No ataque, três substituições: Pelé, Garrincha e Vavá nas vagas de Dida, Joel e Mazzola.
Com essa formação, o também Brasil encarou os galeses por uma vaga na semifinal. E para espanto do mundo, o País de Gales, que já haviam eliminado a Hungria, endureceram um jogo teoricamente fácil. Foram necessários 71 minutos para que o garoto Pelé furasse a retranca dos britânicos após uma bela jogada. Estava aberto caminho para a conquista do mundo.
O Manto de Nossa Senhora
Nas semifinais, o ataque francês, que marcou 23 gols na Copa (13 só de Fontaine, um recorde que permanece até hoje) não segurou o ímpeto brasileiro. Vitória do Brasil por 5 a 2 e vaga garantida para a finalíssima.
No entanto, um problema afligia a delegação brasileira. Os suecos, adversários da final, também jogavam de amarelo. Era preciso jogar de azul. Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegaçao brasileira, tratou de mostrar aos jogadores as vantagens de ir a campo com o segundo uniforme. Segundo o dirigente, a camisa azul era da mesma cor do manto de Nossa Senhora Aparecida. A seleção, mesmo sofrendo o primeiro gol no início da partida, fez 5 a 2 e conquistou o mundo.
Estádios
Nunca foram usadas tantas sedes como na Copa de 58. Nada menos que 12 cidades foram palco dos 35 jogos do torneio.
Na cidade de Eskilstuna, apenas uma partida realizada (Paraguai X Iugoslávia) no estádio Tunavallen, que tinha capacidade para 13 mil torcedores. Foi construído em 1924. Fora demolido e reinaugurado em 2002, dessa vez com apenas 8000 lugares.
Em Orebro, a 200 quilômetros de Estocolmo, o estádio era o Eyravallen. Palco de França X Escócia, foi erguido em 1923 e tinha 13 mil lugares. Foi reformado para ser usado na Copa. Remodelado a partir de 74, hoje tem capacidade de 10 mil pessoas.
Uddevalla viu a estreia brasileira no Mundial. Brasil e Áustria jogaram para 18 mil torcedores – limite máximo do estádio Rimnersvallen, que foi erguido em 1923.
O Estádio Arosvallen, com capacidade 12 mil pessoas, abrigou dois jogos, Iugoslávia X Escócia e Iugoslávia X França. Fica na cidade de Västeras e já estava construído em 1932.
Em Boras, no estádio Ryavallen, a Áustria enfrentou soviéticos e ingleses. Construído em 1941 e comporta 20 mil expectadores.
No estádio Olimpia, em Helsinborg, os tchecos jogaram contra a Alemanha e a Argentina. Erguido em 1898, o estádio abrigava 23 mil torcedores. Fora reformado no começo dos anos 90.
A Irlanda do Norte jogou contra a Tchecoslováquia e a Argentina. Os jogos ocorreram em Halmstad, no estádio Orjansvall. De 1922, ele foi feito para 12 mil torcedores.
O público sueco que, em 58, foi ao velho estádio de Jernvallen, na cidade de Sandviken, assistiu os jogos da Hungria contra o Pais de Gales e o México. Construído em 1938 para 20 mil pessoas.
De 1904, o estádio Idrottsparken, tinha capacidade para 20 mil expectadores. Os três jogos da Copa ocorrem na cidade de Norrköping. França X Paraguai, Irlanda do Norte X França e Escócia X Paraguai foram disputados nele.
A segunda maior cidade sueca, Gotemburgo, assistiu a sete jogos. Construído especialmente para o Mundial, o estádio Nya Ullevi suportava até 43 mil torcedores. Foi palco de Brasil e País de Gales, assim como da semifinal entre suecos e alemães e da decisão do terceiro lugar (França X Alemanha). A 30 minutos do estádio, no vilarejo de Hindas, existe até hoje o hotel em que a seleção brasileira ficou hospedada. Muito perto do local, outro hotel, onde os soviéticos ficaram durante a Copa.
Além da abertura da Copa (Alemanha X Argentina), o estádio Idrottslaten, em Mälmo, foi palco de mais três jogos. Foi feito para 33 mil expectadores e erguido em 1951. Atualmente, comporta cerca de 22 mil pessoas e fora reinaugurado no começo de 2009.
O mais famoso estádio sueco é o Rasunda. Lá, Brasil e Suécia jogaram a final para 50 mil torcedores. Construído em 1937, tinha capacidade para 52 mil expectadores. Está com os dias contados, em 2011 ele será demolido para a construção de uma arena esportiva.
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