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Entrevista: Marc Duwe

O arquiteto fala de seu projeto para o Estádio Fonte Nova, em Salvador

Arquiteto Marc Duwe, autor do novo projeto do Fonte Nova (crédito: Divulgação)
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Regina Rocha
postado em 23/04/2009 16:10 h
atualizado em 08/09/2010 16:40 h

Depois que for reconstruído para a Copa de 2014, o novo estádio da Fonte Nova deverá lembrar ainda o estádio oval, com vista para o dique do Tororó, que está presente na memória do soteropolitano. Se a lembrança fica, tudo o mais no projeto vencedor do concurso para a reforma do estádio baiano remete ao contemporâneo e à renovação tecnológica, observa o arquiteto Marc Duwe, da Setepla Tecnometal, autor deste projeto em parceria com o arquiteto alemão Claas Schulitz. O escritório Schulitz+Partner Architekten foi o responsável pelo projeto do estádio de Hannover (a AWD Arena), construído para a Copa de 2006 na Alemanha.

A idéia de projetar um estádio para a Copa no Brasil surgiu em 2006, quando o arquiteto Duwe, formado pela FAU-USP e já atuando na Setepla, leu uma reportagem que apresentava as novas arenas européias, com o contato dos escritórios envolvidos. Imediatamente, escreveu para todos eles, manifestando seu desejo de firmar uma parceria neste projeto; logo mais chegaria a resposta entusiasmada de Schulitz.

Leia a seguir a entrevista concedida pelo arquiteto Marc Duwe para o Portal da Copa 2014.

Por que um projeto de estádio para a Bahia?
Bem, eu e o arquiteto Claas Schulitz (que inclusive há uns dez anos já tinha tinha estado no Brasil, de férias), ficamos entusiasmados com a possibilidade de participar de projetos para a Copa. Esperamos por uma oportunidade e assim que soubemos do concurso, decidimos participar. Demos início ao projeto, fomos visitar o estádio. Trocávamos ideias por e-mail, por skype... Eles de lá, mais dedicados à parte do layout, e nós aqui voltados para a montagem dos desenhos técnicos, dos filmes em 3D. Acredito que o desenvolvimento e detalhamento a que tínhamos chegado, já no projeto básico, tenha sido um fator decisivo na escolha de nossa proposta, que concorria com outros cinco participantes.

Você já havia projetado estádios, ou atuado em outro tipo de projeto na capital baiana?
Projeto de estádio foi a primeira vez, mas a empresa onde atuo, a Setepla, tem diversos projetos na área de infraestrutura e transportes, e em Salvador foi a responsável pelo projeto de recuperação do Pelourinho, inscrito no programa Monumenta de apoio ao patrimônio cultural brasileiro. Pensando na Copa, desde o final do ano passado a Setepla está com escritório aberto também na capital baiana, e com isto acredito que poderão surgir outros projetos na área de infraestrutura para a região.

Em alguma medida, a memória do Fonte Nova, ou algo do projeto original, será mantido nesta proposta de vocês?
Manteremos apenas uma pequena parte do projeto original, que é de 1950, assinado pelo arquiteto Diógenes Rebouças, considerado o primeiro arquiteto baiano moderno. O problema é que o edifício está em más condições, com infiltrações e outros problemas que exigirão uma grande obra de recuperação. Permanece porém a forma de ferradura do estádio, com a abertura que dá para o lado sul, para o dique do Tororó. O dique é um bem tombado pelo patrimônio, e um referencial turístico importante. No mais, tudo no nosso projeto reflete a busca pelo novo e persegue a qualidade técnica preconizada pela Fifa para os estádios da Copa.

Quais as principais intervenções do projeto?
Criamos mais um lance de arquibancadas no nível inferior, que avança estádio adentro, para permitir a aproximação do público do gramado. Entre a arquibancada superior e a inferior, construímos um segmento intermediário, que abrigará área vip, camarotes e imprensa, além de museu do futebol. A cobertura das arquibancadas é outro destaque do projeto. Projetamos um sistema de raios e anéis semelhante ao executado em Hannover, recoberto por uma membrana tensionada PTFE (Politetrafluoretileno), de cor branca, leve.

E a memória do acidente ocorrido em 2007 nas arquibancadas?
Talvez o espaço adequado para abordar esse fato seja o museu do futebol, que fará menção ao acidente. Mas, ao demolir o anel superior, quisemos mesmo tirar a marca do acidente. Porque, mais importante ainda é mudar o conceito e apagar a idéia tão comum de que os estádios brasileiros não passam por manutenção. O conceito de tratamento com o público deve mudar, temos a chance de melhorar, e este é o momento. As exigência da Fifa vêm neste sentido da qualidade, e temos também o estatuto do torcedor sendo votado... A intenção é incentivar o público a ir ao estádio, criar espaços nele para outros eventos, buscar tornar o investimento atrativo para todo mundo, para as famílias. Daí a proposta de camarotes, áreas vips, e de buscar o conforto que os estádios hoje ainda não têm.

Vista do Fonte Nova, a partir do dique do Tororó (crédito: Divulgação)

Quais os maiores desafios deste projeto?
Nosso objetivo foi não descaracterizar o estádio. Conseguir isto, e ao mesmo tempo requalificá-lo, introduzindo novos ambientes, posso dizer que foi o grande desafio. O estádio terá capacidade para 55 mil pessoas, menos do que os atuais 60 mil, mas com o conforto de cadeiras individuais, entre outras melhorias. Há a possibilidade de adaptar arquibancadas removíveis, com mais 5 mil lugares, no caso de Salvador vir a sediar uma semifinal. Dois edifícios-garagem, semi-enterrados, com 5 mil vagas, serão complementados por outro estacionamento na área do ginásio Balbininho, que será demolido.

Que outras melhorias serão efetuadas no novo projeto do Fonte Nova?
Além da reformulação das arquibancadas, da instalação de cobertura e da adequação dos espaços para imprensa e áreas vip, ainda serão refeitas as instalações hidráulicas e elétricas e adotados sistemas de reúso de água, armazenagem de água da chuva para usos como a drenagem do campo, em vasos sanitários etc.

E no entorno do estádio, o que está previsto para melhorar o acesso aos jogos da Copa?
O que sei é que os governos municipal e estadual pretendem a requalificação de toda a área no entorno do Fonte Nova. As obras de infraestrutura, assim como a própria reforma do estádio, dependem de decisões sobre a forma de licitação e de estudos de viabilidade dos projetos, ora sendo conduzidos pela empresa de consultoria jurídica e financeira KPMG. Localizado na área central, e perto da área hoteleira, o estádio deve ganhar duas novas estações de metrô. O aeroporto é mais afastado, mas será conectado ao Fonte Nova por uma linha de VLP (Veículo Leve sobre Pneus).





 
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