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Getúlio, TV e Pato Donald: o mundo em 1950

O Brasil perde a Copa e Getúlio volta ao poder. Mas o que ficou mesmo foi o Maracanazo

Menino assiste à primeira transmissão da TV Tupi, em 1950 (crédito: Arquivo Museu da Televisão)
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Regina Rocha
postado em 10/12/2009 19:53 h
atualizado em 14/12/2009 19:09 h

Além do triste e memorável Maracanazo, que selou a derrota do Brasil por 2 a 1 contra o Uruguai durante aquela que foi a segunda Copa do Mundo em solo latino americano, o ano de 1950 teve dois acontecimentos que marcaram a história do país.

O primeiro foi a chegada da televisão, fato que só começou a ser melhor dimensionado na década seguinte, quando o rádio, que vivia sua época de ouro desde os anos 40, passou a perder a vez como principal veículo de comunicação. A primeira transmissão televisiva foi realizada em São Paulo, em abril de 1950, pelos Diários Associados, por iniciativa de outro personagem histórico, Assis Chateaubriand. Pouco depois, em setembro, era inaugurada a TV Tupi, o primeiro canal de televisão brasileiro. Invenção dos anos 20, a tevê já era bem conhecida nos Estados Unidos e na Alemanha, onde grandes transmissões já haviam ocorrido, como a dos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. A tela em preto e branco nem havia chegado ao Brasil, mas a RCA já anunciava em 1949, nos EUA, a criação da tevê em cores, adotada a partir de 1954. 
 
O segundo fato marcante de 1950 no Brasil foram as eleições presidenciais. O assunto agitava rádio, jornais e até as conversas de botequim, desde o início do ano. No dia 3 de outubro, finalmente Getúlio Vargas sai vitorioso, com quase 50% dos votos, derrotando um tímido rival, o brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN. O país na época tinha 53 milhões de habitantes. 

"Bota o retrato do velho,
bota no mesmo lugar,
o sorriso do velhinho faz a gente trabalhar"

Esta marchinha, cantada no carnaval de 1950, já apostava na volta de Getúlio Vargas, prometida por ele próprio ao renunciar em 1945: "Voltarei nos braços do povo", teriam sido as palavras do caudilho.

Touradas em Madri, Chiquita Bacana e a Cintura Fina de Luiz Gonzaga
Falando em Carnaval, a folia ainda era muito festejada, e levava multidões para os salões de bailes e para as ruas, onde havia músicas que eram “eleitas” como o grande sucesso daquele ano. Outras permaneciam e iam formando um repertório carnavalesco. É o caso da marchinha "Touradas de Madri", composta por João de Barro, o Braguinha, em 1938, e que foi cantada pelos torcedores enquanto o Brasil goleava a Espanha, na Copa de 1950.

Outro sucesso que se tornou um clássico foi a música "Chiquita Bacana", de João de Barro e Alberto Ribeiro, cantada por Emilinha Borba e destaque dos carnavais de 1949 e 1950. Emilinha e Marlene, sua famosa rival, despontaram nessa época, fase áurea dos programas de auditório no rádio. Como elas, o público cultuava artistas como Luiz Gonzaga, o “rei do baião”, que do rádio passariam a gravar seus discos, emplacando rits nordestinos, como Asa Branca, Assum Preto e o xote Cintura Fina.

Também começavam a atrair a atenção popular os músicos Jackson do Pandeiro e a dupla Alvarenga e Ranchinho, com letras satíricas inspiradas na cena política. O disco de vinil tinha sido lançado  em 1948, e já em 1950 tinha aposentado os antigos e pesadões 78 rotações. Além do baião, o samba-canção, mais romântico, surgia e revelava Dolores Duran, Ângela Maria (apelidada Sapoti por Getúlio Vargas) e Cauby Peixoto, entre outras celebridades da MPB.

A revista Pato Donald chega às bancas do país

Nas telonas, Frank Sinatra, Carmen Miranda, Oscarito e Grande Otelo
Ao lado da música e do rádio, também o cinema, o de Hollywood assim como o nacional, há décadas se mantinha como importante fonte de divertimento, e de influência sobre os costumes nacionais. Do mesmo modo como Rita Hayworth, Fred Astaire, Frank Sinatra, Carmen Miranda e outras estrelas atraíam multidões às salas de cinema, o público também lotava as salas para assisitir às chanchadas da Atlântida, que desde os anos 40 traziam a dupla Oscarito e Grande Otelo, verdadeiro fenômeno de bilheteria. Em São Paulo surgia a Vera Cruz, companhia cinematográfica que realizou 22 filmes e fez época no cinema brasileiro. 

A chegada do Pato Donald
A vida dos astros e estrelas do rádio e do cinema eram estampadas nas páginas das revistas, como o “O Cruzeiro” (pouco depois em 1952 seria lançada a “Manchete”). Também as histórias em quadrinhos, e uma atenção maior ao lazer infanto-juvenil, estavam em alta, como atesta a primeira edição da revista Pato Donald, que surgiu nas bancas em julho de 1950.

O começo da Fórmula 1
Em tempo, só para registrar. Enquanto cerca de 200 mil pessoas (cerca de 10% da população carioca na época) lotava o Maracanã para ver a fatídica decisão da seleção brasileira contra o Uruguai, outro fato, mais discreto, lançava uma nova atração no mundo dos esportes: o primeiro Campeonato Mundial de Fórmula 1, realizado pela Federação Internacional de Automobilismo em 1950.

Veja mais fotos sobre o Brasil da Copa de 1950





 
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