Além do triste e memorável Maracanazo, que selou a derrota do Brasil por 2 a 1 contra o Uruguai durante aquela que foi a segunda Copa do Mundo em solo latino americano, o ano de 1950 teve dois acontecimentos que marcaram a história do país.
O primeiro foi a chegada da televisão, fato que só começou a ser melhor dimensionado na década seguinte, quando o rádio, que vivia sua época de ouro desde os anos 40, passou a perder a vez como principal veículo de comunicação. A primeira transmissão televisiva foi realizada em São Paulo, em abril de 1950, pelos Diários Associados, por iniciativa de outro personagem histórico, Assis Chateaubriand. Pouco depois, em setembro, era inaugurada a TV Tupi, o primeiro canal de televisão brasileiro. Invenção dos anos 20, a tevê já era bem conhecida nos Estados Unidos e na Alemanha, onde grandes transmissões já haviam ocorrido, como a dos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. A tela em preto e branco nem havia chegado ao Brasil, mas a RCA já anunciava em 1949, nos EUA, a criação da tevê em cores, adotada a partir de 1954.
O segundo fato marcante de 1950 no Brasil foram as eleições presidenciais. O assunto agitava rádio, jornais e até as conversas de botequim, desde o início do ano. No dia 3 de outubro, finalmente Getúlio Vargas sai vitorioso, com quase 50% dos votos, derrotando um tímido rival, o brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN. O país na época tinha 53 milhões de habitantes.
"Bota o retrato do velho,
bota no mesmo lugar,
o sorriso do velhinho faz a gente trabalhar"
Esta marchinha, cantada no carnaval de 1950, já apostava na volta de Getúlio Vargas, prometida por ele próprio ao renunciar em 1945: "Voltarei nos braços do povo", teriam sido as palavras do caudilho.
Touradas em Madri, Chiquita Bacana e a Cintura Fina de Luiz Gonzaga
Falando em Carnaval, a folia ainda era muito festejada, e levava multidões para os salões de bailes e para as ruas, onde havia músicas que eram “eleitas” como o grande sucesso daquele ano. Outras permaneciam e iam formando um repertório carnavalesco. É o caso da marchinha "Touradas de Madri", composta por João de Barro, o Braguinha, em 1938, e que foi cantada pelos torcedores enquanto o Brasil goleava a Espanha, na Copa de 1950.
Outro sucesso que se tornou um clássico foi a música "Chiquita Bacana", de João de Barro e Alberto Ribeiro, cantada por Emilinha Borba e destaque dos carnavais de 1949 e 1950. Emilinha e Marlene, sua famosa rival, despontaram nessa época, fase áurea dos programas de auditório no rádio. Como elas, o público cultuava artistas como Luiz Gonzaga, o “rei do baião”, que do rádio passariam a gravar seus discos, emplacando rits nordestinos, como Asa Branca, Assum Preto e o xote Cintura Fina.
Também começavam a atrair a atenção popular os músicos Jackson do Pandeiro e a dupla Alvarenga e Ranchinho, com letras satíricas inspiradas na cena política. O disco de vinil tinha sido lançado em 1948, e já em 1950 tinha aposentado os antigos e pesadões 78 rotações. Além do baião, o samba-canção, mais romântico, surgia e revelava Dolores Duran, Ângela Maria (apelidada Sapoti por Getúlio Vargas) e Cauby Peixoto, entre outras celebridades da MPB.