Enquanto o mundo está com os olhos voltados para o Brasil desde que fomos escolhidos para a sede da Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016, é preciso que os governantes da União, estados e municípios, bem como dirigentes empresariais, líderes e todo o povo brasileiro estejamos unidos em torno dos projetos e obras de infraestrutura necessários à realização desses dois megaeventos globais.
Todos sabemos que são indispensáveis não só a construção ou a reforma de estádios nas 12 cidades-sedes, mas, também, um elenco de obras de saneamento, transportes, hotelaria, indústria do lazer, portos e aeroportos, sem falar em saúde, segurança e telefonia, que nos permitirão receber com dignidade os milhares de turistas que nos visitarão nesses eventos.
O Brasil ganhou oportunidade ímpar de aumentar sua renda com o turismo, hoje numa posição humilhante, se comparado à Argentina ou Uruguai. Dados da Fifa informam que cerca de 20 bilhões de expectadores de 240 países assistiram aos jogos da Copa da Alemanha. E a previsão dos especialistas é que mais de 600 mil pessoas circularão pelas cidades-sedes.
Assim, a Copa de 2014 é oportunidade para sanarmos nossas deficiências em termos de mobilidade urbana e outras referências nessas capitais, de modo a oferecer melhor qualidade de vida. O ponto prioritário a ser atacado é a ampliação e modernização dos aeroportos brasileiros, para superar os problemas cruciais de atrasos nos voos, e essa é no momento a maior preocupação.
A parte dos estádios que, inicialmente, teriam as arenas feitas com dinheiro privado, já teve alívio do BNDES, que disponibilizou um teto de R$ 400 milhões para viabilizá-las, dando a elas o conceito de estádios sustentáveis. Essa reflexão pode marcar o Brasil como o primeiro país do mundo a ter feito o campeonato mundial de futebol em estádios sustentáveis, podendo as arenas se transformarem em verdadeiros cartões-postais da cidade.
O ministro Orlando Silva, do Esporte, tem feito reuniões com os governadores e prefeitos das cidades-sedes da Copa e disponibilizado a ajuda governamental. O Ministério do Turismo também planeja investir pesado na infraestrutura urbana, aeroportos, metrôs, linhas exclusivas para ônibus e rede hoteleira, com recursos da ordem de US$ 2 bilhões. O total dos investimentos federais estima-se em US$ 5 bilhões.
Porto Alegre, por exemplo, após a reunião, já decidiu que ficará sem metrô para o evento, pois o prefeito José Fogaça informa que não terá recursos para tantas obras que precisam ser realizadas em tão pouco tempo. Brasília parte na frente. A nossa gestão de governo é um exemplo para o país. Já está programada a reforma do Estádio Mané Garrinha, que passará dos atuais 45 mil para 70 mil lugares, com cobertura completa e um setor de lojas. A entrada será feita por meio de rampa. O estádio será transformado em arena multiuso.
O Aeroporto Juscelino Kubitschek terá sua capacidade ampliada de 80 mil para 160 mil m², permitindo aumentar o número de passageiros/ano de 7,4 milhões para 25 milhões. O governo federal vai financiar R$ 98 milhões na ampliação do balão do aeroporto e R$ 263 milhões na construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), na etapa que liga o Aeroporto JK ao terminal Asa Sul do Metrô. Ele circulará do Setor Policial Sul até o Pátio Brasil, na Avenida W3 Sul, que será revitalizada.
A Copa do Mundo será um desafio para melhorarmos alguns indicadores que nos colocam numa posição inferiorizada. No turismo, estamos em 45º lugar no ranking de 133 países analisados. No setor de infraestrutura, ocupamos posição pior, o 69º lugar. No que se refere à sensação de segurança, ocupamos a pior colocação. Assim como a África do Sul, o Brasil tem nível de homicídio por 100 mil habitantes acima dos padrões da ONU. Quanto à certeza ou incerteza de que encontrará bons serviços em hotéis, restaurantes e hospitais, o Brasil ficou entre os três lanternas da lista, em 130º lugar. São dados do Fórum Econômico Mundial.
Assim como construímos Brasília em mil dias, o povo brasileiro, mobilizado e consciente da importância da Copa do Mundo, saberá dar as respostas para que os desafios sejam superados e o mundo nos veja mais ainda com encantamento e admiração, não só na parte de belezas naturais, mas, também, na questão da qualidade de vida.