Os aeroportos brasileiros estão à beira do caos e são a maior razão de preocupação em relação à organização da Copa de 2014. O alerta foi feito, nesta última quarta-feira (25/11), pelo deputado Sílvio Torres no XI Congresso Brasileiro de Turismo – Cebratur. Segundo o parlamentar, a mais importante tarefa que o governo federal tem a cumprir para preparar o país adequadamente para o Mundial é a de revitalizar os aeroportos das 12 cidades-sede. Torres afirmou, no entanto, que a preocupação cresce a cada dia, porque nem ao menos o edital de licitação do mais importante aeroporto brasileiro, o de Guarulhos, em São Paulo, foi lançado.
“O aeroporto de Guarulhos é o mais importante ponto de distribuição de voos no país. Entretanto, assim como o edital de licitação não foi lançado, igualmente o projeto executivo é desconhecido. Isso vai implicar atrasos na preparação do Brasil para a Copa. Mais importante, no entanto, é o fato de que, em virtude do crescimento do tráfego aéreo no país, o caos vai se instalar em curtíssimo prazo. E nada poderá ser feito para amenizar a situação, porque esse é um problema que não se resolve rapidamente”, afirmou.
Estádios
O deputado também demonstrou preocupação com a questão dos estádios onde serão disputados os jogos da Copa de 2014. "Os editais de licitação deveriam ter sido lançados até o final de agosto. Em virtude das dificuldades financeiras que estados e municípios atravessam, a Fifa concordou em adiar o lançamento das licitações. Como isso foi postergado, será impossível dar início às obras no mês de dezembro, como determinava, originalmente, o cronograma da Fifa", disse Torres, para quem dificilmente as obras dos estádios começarão no início do mês de março.
Para ele, muitas cidades-sede não dispõem de viabilidade para contratar empréstimos juntos ao banco – no caso, os R$ 400 milhões cedidos pelo BNDES. “Tal fato vai, fatalmente, resultar em mais atrasos, comprometendo a organização do Mundial no Brasil”.
Copa e eleição
Não há mais tempo para reformar os aeroportos brasileiros até a Copa de 2014, segundo avaliação técnica do governo federal, avalia reportagem publicada hoje (26/11) pelo jornal Folha de S.Paulo. Assinada pelo jornalista Valdo Cruz, a matéria mostra que a realização do evento esportivo no país e as eleições de 2010 podem inviabilizar um plano de privatização dos aeroportos.
De acordo com a avaliação do governo, seria menos arriscado ajustar terminais e pistas com dinheiro estatal para não causar o atraso na conclusão das obras até a Copa. A Infraero, responsável pela administração do setor aéreo, também prefere a manutenção do sistema atual. Além disso, a equipe de Lula teme dar munição à oposição se lançar um plano de privatização no ano eleitoral. Na terça-feira (24/11), Lula fez uma reunião interministerial para tratar do tema, mas nenhuma decisão foi tomada. Há mais de um ano, o governo discute internamente o melhor modelo de administração de aeroportos para evitar novo apagão aéreo como o de 2007.
No início do mês, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, afirmou que "muito mais do que segurança", "o fator aeroporto é o primeiro, o segundo e o terceiro grande problema" da Copa de 2014 no Brasil. Questionado sobre quais problemas em relação aos aeroportos o preocupavam, Teixeira se referiu às longas filas que se acumulam nos serviços de imigração, passagem obrigatória para o torcedor que desembarcará para assistir aos jogos no Brasil. Diante da afirmativa, o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, disse que o gargalo não está em sua instituição, cujo trabalho foi informatizado e ganhou reforço de pessoal para agilizar o atendimento. "O que há é, principalmente em função do fuso horário, uma concentração no fluxo de voos. Precisamos achar uma solução sistêmica", declarou o diretor-geral.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Infraero declara que "seus usuários terão os serviços garantidos por ocasião da Copa e que R$ 7 bilhões serão investidos em obras em 16 aeroportos que têm ligação com as cidades que sediarão os jogos".