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Entrevista: Carlos Arcos

O arquiteto fala sobre a arena de Curitiba para 2014*

Carlos Arcos: obras começam em 2010
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Rafael Massimino
postado em 25/11/2009 13:03 h
atualizado em 08/09/2010 18:08 h

Dos estádios que passarão por reformas para a Copa de 2014, o Joaquim Américo Guimarães, conhecido como Arena da Baixada, é um dos mais adiantados. Construída no início dos anos 90, a casa do Atlético Paranaense atende, hoje, a 70% das demandas da Fifa para um jogo de Mundial. Orçado em R$ 138 milhões, o projeto dos 30% restantes ficou a cargo do Carlos Arcos Arquitetura, escritório curitibano que planejou a modernização da Arena em duas etapas principais: a construção do quarto lance de arquibancada e da cobertura. Confira, a seguir, trechos da entrevista com Arcos.

Arquibancada e edifício
A nova arquibancada acrescentará 11 mil assentos aos 30 mil atuais. Terá a estrutura de um edifício, “com três pavimentos que duplicarão os quase 60 mil m2 de área construída”, de acordo com Arcos. “Haverá espaço para vestiários, camarotes e instalações de mídia, englobando, na prática, a totalidade das instalações necessárias para um jogo de Mundial.” Segundo o arquiteto, “as obras começam até março de 2010, prazo-limite da Fifa, e devem ficar prontas em um ano. Durante essa fase, o estádio continua a funcionar normalmente”.

Vão livre
Após a construção da arquibancada, terá início a da cobertura. Devido à sua complexidade técnica, essa fase exigirá o fechamento da Arena por um ano. “Dois arcos metálicos de 220 metros servirão de suporte à cobertura, criando um grande vão livre. As quatro extremidades serão apoiadas sobre colunas localizadas atrás dos gols”, explica o arquiteto. O fechamento será feito com placas metálicas presas aos arcos e apoiadas nas fachadas laterais do estádio. O escritório alemão Schlaich Bergermann Und Partner (SBP) ficou encarregado dos cálculos estruturais.

Futura fachada para a Copa de 2014 (crédito: Carlos Arcos Arquite(c)tura)

Copa Verde
Segundo Arcos, “o estádio terá um sistema de placas fotovoltaicas para a irrigação do campo”. O arquiteto, porém, descartou a possibilidade de transformar o estádio em gerador de energia solar: “a troca de energia com as distribuidoras não compensa os custos da instalação do sistema”. Sobre o fosso que separa a arquibancada inferior do gramado serão instaladas três fileiras de assentos. “A arquibancada ficará a seis metros do gramado, limite mínimo permitido pela Fifa. Transformaremos o fosso em reservatório de água da chuva, captada pela cobertura, que será usada para a irrigação do campo e águas secundárias, como em sanitários e limpeza de certas áreas.”

Formato retangular
Segundo Arcos, “historicamente os estádios foram construídos com pista de atletismo, o que determinava o formato oval. Atualmente, há uma tendência mundial a tornar os estádios retangulares devido às exigências da Fifa. A vantagem desse formato é aproximar a arquibancada do campo, o que ajuda na vibração do jogo. Além disso, aproveitamos as esquinas para melhorar o acesso do público e para instalar praças de alimentação. Do ponto de vista estético, deixar as esquinas quadradas é mais adequado à representação retangular do campo de futebol”.

*Entrevista concedida em junho/2009






 
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