Ia se esboçando a chamada cultura de massas, para o grande público. E era um público cada vez maior que ansiava por informações sobre fait divers: futebol, cinema, música e as novidades da vida moderna. Circulavam várias revistas (a principal era a revista ilustrada O Cruzeiro, lançada em novembro de 1928), e havia suplementos esportivos e cinejornais. Em 1935, havia 51 cinejornais no país, que mostravam cenas do futebol, carnaval, festas e inaugurações, misturando jornalismo e propaganda.
E pouco antes do fim de 1930, o jornal O País já estampava a jovem Carmen Miranda, com 21 anos, como "a maior cantora brasileira", graças ao sucesso da gravação da marcha Pra Você Gostar de Mim ("Taí"), de Joubert de Carvalho. Antes, em dezembro de 1929, ainda sem muita repercussão, ela faria sua primeira gravação em disco, um 78 RPM (Rotações Por Minuto) com duas composições de seu descobridor, Josué de Barros. A década de 1930 é a "era de ouro" da música brasileira, mas Noel Rosa, por exemplo, só viria a gravar Com que Roupa eu Vou? em 1931.
Quanto ao rádio, a primeira transmissão tinha acontecido em 1923. E não demoraria para que se tornasse o meio de comunicação mais popular, com programas de auditório e transmissões de jogos de futebol. Mas ainda não em 1930, quando esta vocação não estava clara, e a propaganda comercial no ar era proibida. Pouco depois seria liberada, em 1932, frente a uns poucos protestos.
Arthur Friedenreich
Em 1931, entrava em cartaz nos cinemas o fime O Campeão de Futebol, com participação do maior ídolo da época, Arthur Friedenreich. Era um momento de grande maturidade do cinema mudo brasileiro, com muitos filmes em produção e salas cheias. Mas os ventos já sopravam para outro lado... Em 1927, estreou nos Estados Unidos o musical O Cantor de Jazz (The Jazz Singer), o primeiro filme falado. Por aqui, o primeiro filme sonoro é a comédia Acabaram-se os otários, de 1929, dirigida por Luiz de Barros. E logo viria o primeiro musical brasileiro, Coisas Nossas, em 1931, de Wallace Downey: cantado em português, com cantores brasileiros. Um sucesso.
Modernistas no futebol
Na literatura, os modernistas continuavam na vanguarda. Em 1923, Oswald de Andrade escrevia A Europa curvou-se ante o Brasil, sobre a excursão do (clube) Paulistano à Europa:
A Europa curvou-se ante o Brasil
7 a 2
3 a 1
A injustiça de Cette
4 a 0
2 a 1
3 a 1
E meia dúzia na cabeça dos portugueses
Cinco anos depois, em 28, Oswald lançava o Manifesto Antropofágico, e Mário de Andrade publicava Macunaíma (a história do herói que nasce índio, vira negro e depois branco). Ambos perseguiam uma cultura nacional para o Brasil, mas a luta contra o atraso envolvia inclusive a própria vida pessoal desses artistas. Assim, em 1930, Oswald e Patrícia Galvão - a Pagú feminista e revolucionária - aboliam convenções e partiam para morar juntos, para escândalo da sociedade provinciana paulistana.