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Infraestrutura deficiente prejudica segurança nos estádios

Em entrevista, o tenente-coronel Almir defende a modernização dos estádios para melhorar segurança

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Luana Costa
postado em 20/10/2009 15:43 h
atualizado em 21/10/2009 10:48 h

Ir ao estádio deixou de ser ‘passeio de família’ há muito tempo. A rivalidade entre torcidas organizadas faz com que muita gente prefira assistir aos jogos pela televisão. A segurança nos estádios é um grande gargalo do Brasil para a Copa de 2014. O que fazer para a diminuição dos tumultos e agressões dentro e no entorno do estádio?

Para o tenente-coronel da Polícia Militar Almir Ribeiro, o sistema de segurança brasileiro não é problema, mas sim a falta de infraestrutura nos estádios. “A segurança já está garantida pelos policiais do batalhão de choque que fazem a escolta dos torcedores. O que falta é uma infraestrutura melhor para que o torcedor não cause aqueles pequenos tumultos na porta do estádio”, diz.

Em entrevista ao Portal 2014, o tenente-coronel, que está ligado à segurança dos estádios paulistas, aborda a questão com foco na realização da Copa do Mundo.

A falta de segurança nos estádios é um grande problema do futebol brasileiro?
Os problemas no estádio não estão na falta de segurança. O problema está nos ingressos falsos, no número insuficiente de catracas, na falta de estacionamento e de infraestrutura no geral.

Então, se houver uma infraestrutura suficiente nos estádios e no seu entorno, os tumultos e brigas estariam solucionados?
Não totalmente. Com certeza precisa-se também de uma polícia bem treinada, de sistemas de segurança eficazes. Mas só o fato de aumentar o número de catracas, por exemplo, já ajuda a acabar com aqueles pequenos tumultos na entrada do estádio.

Já temos um bom sistema de segurança? O que já foi feito?
Nossa escolta policial, por exemplo. A divisão das duas torcidas em pontos diferentes para que ambas não se encontrem antes de entrar no estádio. Além das câmeras de segurança que permitem localizar nitidamente o causador da briga no instante que começa.

Essas medidas foram baseadas em sistemas de outros países?
Sim, em países como a Inglaterra, com os hooligans. Lá foi feito um pacote global que envolveu mudança na legislação, cadastramento do torcedor, monitoramento por televisão e modernização dos estádios. Aqui no Brasil já implantamos todas essas medidas. Algumas leis, como a obrigatoriedade de uma punição mais rigorosa, ainda estão na mesa do presidente para ele assinar. Também criamos um juizado exclusivo para tratar do assunto.

Jogos de Copa do Mundo não são como jogos de campeonatos nacionais e continentais, o público é diferenciado. Como será feita a segurança na Copa de 2014?
Para a Copa é mais fácil ainda. Todos os estádios devem cumprir os padrões da Fifa, por isso, todos devem ter número de catracas suficientes, a entrada também não será a mesma para as duas torcidas. Além disso, quem vai assistir aos jogos são turistas que pagarão caro por isso.

E a questão do terrorismo, já há algum planejamento de segurança?
Sim. O esquadrão anti-bomba fará uma varredura antes de qualquer jogo em todas as dependências do estádio. O Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) também fará plantão no estádio para qualquer eventualidade. Além de 16 helicópteros da Polícia Militar que sobrevoarão a área do estádio e seu entorno. Mas tudo isso não foi efetivamente planejado, ainda estamos estudando tudo que pode ser feito até lá. Lembrando que a definição das medidas de segurança caberá ao comitê organizador de cada cidade-sede.

Como será o treinamento da Polícia Militar nos próximos cinco anos? Haverá algum treinamento especial para a Copa?
A partir de 2010, todas as turmas do curso de formação da Polícia vão ter aulas de inglês e espanhol, visando à comunicação com o torcedor estrangeiro. Também entrará no currículo alguns cursos rápidos de Relações Públicas para os futuros policiais aprendam a lidar com pessoas. Em dias de jogos, todos estarão com a bandeira de um país presa na farda, identificando a língua que tem domínio.






 
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