Arena Salvador é o nome proposto para o estádio que substituirá a Fonte Nova, nos próximos anos, como o maior palco do futebol baiano. Além da Copa 2014, o estádio é cotado para a Olimpíada 2016, já que a cidade foi colocada pelo Comitê Olímpico Brasileiro entre as cinco capitais que receberão os campeonatos de futebol dos Jogos.
Para participar dos maiores eventos esportivos do mundo, o governo baiano optou pela demolição total do Estádio Octávio Mangabeira, localizado às margens do Dique de Tororó. Em seu lugar será erguida uma arena moderna, nos padrões da Fifa, concebida pelo escritório paulista Setepla Tecnometal e o alemão Schulitz + Partner.
A demolição, porém, não apagará completamente a história da Fonte Nova. O governo quer construir um memorial às vítimas do acidente de 2007, que matou sete torcedores após a queda de parte da arquibancada. Além disso, a nova arena manterá a geometria oval e a ampla abertura sul, concebidas pelo arquiteto modernista Diógenes Rebouças na década de 40. “Nós poderíamos pegar um projeto padrão, em forma de TV, e colocar lá. Mas pela memória do estádio tentamos manter ao máximo a linguagem arquitetônica”, diz Marc Duwe, arquiteto da Setepla à frente do projeto.
Segundo Duwe, a opção trouxe algumas vantagens. A abertura sul, por exemplo, aumentará a ventilação da arena e terá, na ponte que ligará as duas arquibancadas, um restaurante, um café e o Museu do Futebol, atividades planejadas para diversificar os usos do estádio.
Outra peculiaridade do projeto é que foi o único entre os estádios da Copa escolhido por concurso público. A parceria Setepla-Schulitz superou seis escritórios na seleção realizada ano passado pelo governo baiano. Segundo Duwe, a ideia original era manter a estrutura do anel inferior e o centro olímpico do estádio, concepção que não se sustentou após a primeira reunião com a Fifa. “Em janeiro (2009), o primeiro questionamento da Fifa foi sobre a manutenção da pista de atletismo”, diz.
Demolição
A solução foi transferir o centro olímpico para o Estádio Pituaçu, que já tem pista de atletismo e receberá um parque aquático. Já a demolição da Fonte Nova não teve solução simples. Um grupo de arquitetos da Bahia entende que o estádio é tombado pelo patrimônio histórico e cultural, e que, portanto, não pode ser demolido. Segundo Duwe, apenas o Dique de Tororó e seu entorno são tombados. “Por isso há gente que interpreta que o estádio faz parte do entorno”, afirma.
Para o arquiteto, a demolição é a única maneira de adequar o projeto às exigências da Fifa. “Com a estrutura do jeito que está é complicado colocar todas as recomendações de área da Fifa. Nosso projeto compacta o estádio e ganhamos terreno”, diz. A ideia é reciclar os entulhos, usando-os na própria construção, em outras obras ou em aterros.
Arquibancadas, hospitalidade, estacionamentos
Os planos do comitê baiano para 2014 incluem a participação na Copa das Confederações de 2013 e nas quartas de final do Mundial. A arena terá 50 mil lugares, o suficiente para receber os dois eventos. Serão três anéis de arquibancada. O primeiro com geometria retangular e fileiras bem próximas do campo. Os anéis superiores terão formato oval e abrigarão os camarotes vip, as tribunas de honra e as cabines de imprensa.
Para acomodar as estruturas de hospitalidade e os caminhões de transmissão televisiva, o atual parque aquático, com cerca de 10 mil m2, será demolido. O ginásio Balbininho, anexo ao Fonte Nova, dará lugar a um estacionamento subterrâneo com 550 vagas –número que pode duplicar com a utilização da laje do edifício. No interior do estádio haverá outras 750 vagas.
Segundo o governo, complementarão a estrutura de acesso outras oito mil vagas distribuídas num perímetro de 1,5 Km do estádio, além de duas estações de metrô ainda não inauguradas. “Depois da Copa, a ideia é manter os estacionamentos e transformar as estruturas de hospitalidade em shoppings, casas de shows ou hotéis”, diz Duwe.
Cobertura e construção sustentável
A cobertura do estádio tem sua estrutura baseada em uma “roda de bicicleta”: um sistema de raios metálicos tensionados e anéis de compressão, fechados por membranas translúcidas de PTFE. A forma da estrutura, afirma Duwe, remete ao berimbau, instrumento musical importante na história cultural da cidade. Já o efeito ondulado e a translucidez lembram o litoral de Salvador.
Quanto aos requisitos de construção sustentável, a arena terá sistemas para o reúso e o aproveitamento da água da chuva, aquecedores solares para os chuveiros, além de uma estação independente para o tratamento de esgoto. Esses equipamentos, porém, não são suficientes para garantir ao projeto a certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), conferido pelo conselho de construção sustentável dos EUA (USGBC), cuja adoção foi recomendada pelo Comitê Organizador Local da Copa. Isso, no entanto, não preocupa Duwe.
“Temos 30 pontos com esses sistemas (o comitê exige o mínimo de 40). Mas ganharemos outros com a questão energética, por exemplo. Existe um projeto piloto da Bahia para colocar placas fotovoltaicas no Pituaçu. Se der certo, também colocarão na Fonte Nova”, diz.