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Há risco efetivo de atentados terroristas na Copa, dizem especialistas

Para participantes de debate na Câmara sobre segurança, país não está preparado para enfrentá-los

Brasil ainda não está preparado para enfrentar terrorismo (crédito: Marcello Casal Jr./ABr)
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Da redação*
postado em 20/09/2013 20:13 h
atualizado em 20/09/2013 20:16 h

Copa do Mundo 2014 e Olimpíada de 2016 deixam o Brasil sob o risco efetivo de atentados terroristas e o país ainda não está devidamente preparado para enfrentá-los. Esta é a conclusão da maioria dos palestrantes que participaram, nesta quinta-feira (19), dos debates técnicos do seminário "Terrorismo e Grandes Eventos", promovido pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e pela Comissão Mista de Controle de Inteligência do Congresso Nacional.

Segundo eles, o terrorismo constitui uma ameaça difusa que exige ação coordenada de vários órgãos de segurança, além de intercâmbio permanente de dados internacionais.

Especializado em contraterrorismo, o policial legislativo federal Marcus Reis sintetizou essa preocupação. "O terror atua de forma descentralizada, até por causa da globalização. Essas organizações estão buscando o que a gente chama de invisibilidade diante das políticas, já estão em redes e são totalmente descentralizadas. O Estado tem que aprender a combatê-las assim. Depois de Munique, o Brasil não pode alegar inocência e dizer que não sabia. A gente sabe e conhece: são ameaças".

Reis referiu-se ao atentado terrorista ocorrido durante as Olimpíadas de Munique, em 1972, feito pelo grupo Setembro Negro. De lá para cá, a situação só piorou. Para a Agência Brasileira de Inteligência, a morte de Osama bin Laden, da Al Qaeda; o aumento do xenofobismo na Europa; os conflitos na Síria; e o acesso fácil às técnicas de explosivos via internet elevam os riscos de vingança e de ações de grande impacto por parte de grupos terroristas.

Necessidade de investimento
Representante de um centro norte-americano de assuntos internacionais, o brasileiro Hussein Ali Kalout, reconheceu que os agentes da inteligência e das Forças Armadas brasileiras são competentes, mas o baixo investimento é preocupante. "O material humano é do mais alto calibre. O problema é que para se ter uma política de contraterrorismo é preciso de investimento, treinamentos e equipamentos modernos. Será que vamos ter capacidade de investir pesadamente nisso? Os Estados Unidos partiram para um orçamento megabilionário e, com isso, consegue-se fazer trabalho em campo, infiltrar pessoas, mandar pessoas para o exterior para mapear os grupos e saber por que e como agem".

Ações governamentais
Já o coordenador da área de inteligência da Secretaria Extraordinária para os Grandes Eventos, Alessandro de Campos, informou foram feitos investimentos recentes em equipamentos para distúrbios civis, como armamentos não letais, imageador aéreo, máscaras contra gás e a instalação de delegacias móveis.

Segundo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), as ações preventivas foram intensificadas em grandes eventos recentes, como a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Rio+20) e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que reuniu 3,5 milhões de pessoas no Rio de Janeiro durante uma semana.

O diretor do Departamento Contraterrorismo da Abin, Luiz Alberto Salaberry, afirmou que, frequentemente, são realizados exercícios simulados; palestras de sensibilização em hotéis e com o pessoal receptivo dos aeroportos; e orientações ao setor privado. Também foi formalizado o Sistema Eletrônico de Coleta e Compartilhamento de Dados (Secod), envolvendo os dados de 500 instituições do País. Há ainda um centro nacional de inteligência, com sede em Brasília, e 12 regionais, que mantêm contato quase permanente com órgãos de inteligência de 82 países.

Para melhorar essa estrutura, Salaberry defendeu maior dotação orçamentária e novos concursos públicos para a Abin, além da aprovação da Política Nacional de Inteligência.

Preparo do Exército
O Exército já dispõe de um Centro de Coordenação de Prevenção e Combate ao Terrorismo, com sede em Brasília, e 12 Centros de Coordenação Tático Integrado, nas cidades-sede da Copa de 2014.

Segundo o general de brigada Júlio Arruda, que comanda as atividades preventivas, os exercícios de simulação acontecem com frequência e testes efetivos foram realizados na JMJ, com a instalação de postos de descontaminação (para os casos de ataques com armas químicas e biológicas), varreduras contra explosivos (com detectores modernos e cães farejadores) e atiradores de elite.

As ações envolvem vários outros órgãos públicos, como a Receita Federal (e seus scanners de bagagem), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), as Forças Armadas e as polícias federal, civil e militar.

*Com informações da Agência Câmara 





 
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