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O que o Brasil ganha com a Copa do Mundo?

Presidente do Sinaenco/SP, José Roberto Bernasconi, avalia aspectos da preparação brasileira

Torcida no Maracanã, na final da Copa das Confederações (crédito: Tânia Rêgo/ABr)
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Graziela Silva*
postado em 19/09/2013 17:48 h
atualizado em 19/09/2013 17:51 h

Seis anos nos separam do levantamento Estádios com Prazo de Validade Vencido, trabalho realizado pelo Sinaenco em 17 capitais brasileiras alguns meses antes de o país ser escolhido pela Fifa para sediar o Mundial de 2014. Os resultados do estudo foram divulgados em novembro de 2007, quando a entidade iniciou uma campanha nacional com o objetivo de aproveitar o movimento em direção à Copa para renovar a infraestrutura das cidades brasileiras. 

Ao longo desses 70 meses, o Sinaenco esteve em todas as cidades-sede para defender a necessidade de projetos e de planejamento para que o Brasil pudesse colher o esperado legado social da Copa.

Presidente do Sinaenco/SP e coordenador das ações da entidade em relação aos megaeventos esportivos, José Roberto Bernasconi avalia que as empresas brasileiras que atuaram no projeto e construção dos novos estádios já colheram um legado técnico positivo e poderão aprofundar essa expertise com os erros e acertos observados nas arenas que recentemente sediaram a Copa das Confederações.

“Ganhamos mais vivência em estádios, nos projetos, no gerenciamento. Quem viveu essa experiência aprendeu muito e poderá aplicá-la na Olimpíada de 2016 e nos futuros eventos em outros países”, comenta Bernasconi.

O problema, diz o dirigente do Sinaenco/SP, é que as outras áreas ficaram abandonadas, embora os recursos estejam disponíveis: as obras de mobilidade urbana foram paralisadas ou estão atrasadas e os aeroportos terão apenas o acréscimo dos módulos operacionais. “Aeroportos demandam 20 anos para o correto planejamento e construção. E os investimentos em mobilidade urbana não podem ser realizados às pressas, sem considerar as demandas futuras e sem projetos básicos bem realizados, com adequado levantamento topográfico, cadastro preciso de desapropriações, e projetos executivos detalhados, que permitam a orçamentação e a previsão de cronogramas precisos”, completa o presidente do Sinaenco/SP.

Legado tangível
Para o arquiteto Leon Myssior, conselheiro do Sinaenco Nacional, há um legado tangível e um legado intangível. O primeiro é a capacitação de empresas nacionais para projetar as arenas. “Há alguns anos o país tinha uma ou duas empresas aptas a projetar instalações esportivas e, graças aos desafios propostos pela Copa e a Olimpíada, o Brasil tem hoje um conjunto de empresas de arquitetura e de engenharia consultiva absolutamente capazes de projetar instalações esportivas no país e no exterior”, afirma Myssior, que é sócio do escritório responsável pela reforma do Estádio Independência em Belo Horizonte.

Parte desse know-how foi desenvolvida localmente e outra parte foi absorvida com as parcerias firmadas entre empresas brasileiras e estrangeiras, explica Myssior. Mas uma parcela considerável desse conhecimento foi “arrancada a unha” pelo trabalho conjunto de arquitetos e engenheiros brasileiros, avalia o arquiteto. Ele lembra ainda que todas as obras tiveram um patamar de industrialização pouco usual no Brasil, com estruturas pré-fabricadas de concreto, aço e outros materiais, que levaram as empresas de projeto a incorporar esses conhecimentos ao deu dia-a-dia.

Myssior cita também um legado intangível, que foi a mudança na forma de gestão das empresas que participaram dos projetos para 2014. “São projetos que não têm um simples cliente, mas um conjunto de stakeholders, por vezes com interesses difusos e até contraditórios. E os arquitetos brasileiros tiveram de aprender a lidar com essa complexidade e se saíram muito bem, em um patamar superior de competitividade”, explica.

Estádios e infraestrutura
Autor do projeto da renovada Arena Fonte Nova, o arquiteto Marc Duwe lembra que sua empresa cresceu graças ao projeto do estádio. “Firmamos uma parceria com um escritório alemão, que nos proporcionou uma troca de experiências muito boa. E além disso, mudamos de patamar: de subcontratados das firmas de engenharia para parceiros consorciados”. Duwe lamenta que nem todos os projetos de infraestrutura sairão do papel ou ficarão prontos a tempo para a Copa de 2014, mas acredita que as obras possam ser o começo de uma transformação das cidades. “Todas essas obras precisam de projetos e creio que profissionais de engenharia e arquitetura terão a oportunidade de desenvolvê-los e melhorar sua qualidade“, diz Duwe.

Para além dos megaeventos, Leon Myssior vê com otimismo a profissionalização do esporte no Brasil, movimento que demandará centros de treinamento, ginásios esportivos e outras instalações, o que abre um novo nicho de mercado para os profissionais de projeto. “Tudo isso foi iniciado pela oportunidade de construção das arenas para a Copa. Os clubes já começam a entender que ter uma arena é um fator de atração de torcida e de investimentos. Então, estamos apostando na perspectiva daquilo que chamamos de pocket-arenas, que são arenas de porte menor, mas capazes de receber shows, conferências, concertos e outras atividades além do esporte.”

Mobilidade urbana
Para Maurício de Lana, presidente do Sinaenco/MG, a Copa do Mundo despertou o brasileiro para a necessidade de investimentos em infraestrutura. “Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa, em 2007, nós do Sinaenco já defendíamos que os investimentos fossem feitos não apenas para atender à Fifa, mas principalmente às cidades e à população brasileira. Os recentes protestos mostram que aconteceu exatamente o contrário: tudo foi feito para a Copa, mas nada para as cidades”.

De Lana lembra que na capital mineira, por exemplo, as obras viárias e os corredores de ônibus deveriam ser entregues para a Copa das Confederações, mas devido ao atraso nas obras talvez não fiquem prontos nem em 2014. “Dois consórcios foram contratados para detalhar os projetos e desenvolver as obras, mas por causa da forma como a coisa foi conduzida, os contratos estão sendo paralisados e as equipes, desmobilizadas”, explica o engenheiro.

Ele avalia que o recado das manifestações foi bastante claro e que a população está exigindo a implantação de projetos para melhorar o transporte coletivo, como o metrô, monotrilho, VLT e corredores de ônibus. “Essa deve ser a prioridade, porque a frota de veículos particulares cresceu 105% em dez anos, período em que a população aumentou apenas 7%. Com esse quadro, a qualidade do sistema de ônibus obviamente piora, porque os coletivos ficam presos no tráfego paralisado”, lembra De Lana.

De qualquer maneira, avalia o presidente do Sinaenco/MG, a Copa serviu para estimular a população, que passou a cobrar providências das autoridades.

*Texto publicado na Revista Consulte, do Sinaenco.





 
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