Um projeto simples, sem a extravagância dos estádios europeus, mas que seja o vetor de uma revitalização urbanística do bairro do Passaré, em Fortaleza. É esta a proposta do arquiteto uruguaio Héctor Vigliecca para a reforma do Castelão, estádio que representará a capital cearense na Copa de 2014.
Ao lado de Luciene Quel, o uruguaio comanda o escritório Vigliecca & Associados, um participante assíduo de concursos de arquitetura, com 47 premiações nacionais e internacionais. A especialização em arenas esportivas veio exatamente assim, com um primeiro lugar para a modernização do complexo esportivo do Ibirapuera, há quatro anos. “Desde essa época estamos nos preparando. Isso significou um exercício extraordinário de conhecimento,de velocidade”, afirma Vigliecca.
O aprendizado e a prospecção de mercados deram frutos em Fortaleza, com a missão de modernizar o Estádio Governador Plácido Aderaldo Castelo, o Castelão. É um estádio da década 1970, mas o governo do Ceará, seu proprietário, descartou a possibilidade de demolição. Praticamente dois terços da estrutura atual será mantida, e setores como hospitalidade, áreas técnicas e estacionamentos serão acrescidos.
Entorno do estádio
Baseado na simplicidade formal, o projeto do novo Castelão, orçado em R$ 400 milhões, dispensou a extravagância dos estádios europeus mais famosos. A aposta é compensar a falta de atrativos visuais com o impulso ao desenvolvimento urbanístico do bairro do Passaré.
Para isso, o governo estadual pretende construir um edifício de 200 mil m2 que comportará um shopping center, um estacionamento subterrâneo com duas mil vagas, além de um centro olímpico. A área esportiva terá um ginásio multiuso para 12 mil pessoas, piscina olímpica e para saltos, além de pista de atletismo. O Castelão também sofrerá adaptações para que possa receber shows, eventos e outras modalidades esportivas.
É com a construção deste edifício – que depende da iniciativa privada – que o governo cearense pretende garantir a viabilidade econômica da sua arena da Copa. “Nós pensamos um estádio como um complexo esportivo-comercial que seja uma centralidade no bairro. Ele nunca será um elefante branco”, aposta Vigliecca.