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Índios e movimentos sociais protestam contra obra da Olimpíada

Moradores da Vila Autódromo tentam evitar processo de desocupação da área movido pela prefeitura

Protesto ocorreu no acesso de autoridades ao local da Rio+20 (crédito: Marcello Casal Jr./ABr)
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Da Agência Brasil - Rio de Janeiro
postado em 20/06/2012 16:16 h

Manifestantes de vários movimentos sociais que participam da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, uniram-se, na manhã de hoje (20), aos moradores da Vila Autódromo, em um protesto contra o processo de desocupação da área movido pela prefeitura do Rio para as obras dos Jogos Olímpicos de 2016. A comunidade fica localizada próxima ao Riocentro, onde mais de 100 chefes de Estado e de Governo estão reunidos para a conferência.

Os manifestantes caminharam sob chuva por algumas ruas até chegar ao local conhecido como Beira-Rio, que fica de frente para a Avenida Abelardo Bueno, por onde tinham de passar, obrigatoriamente, todas a delegações e chefes de Estado e de Governo para chegar ao Riocentro. O protesto foi encerrado com todas as pessoas dando um abraço simbólico na comunidade, como forma de chamar a atenção da autoridades.

A diretora da Associação de Moradores da Vila Autódromo, Jane Nascimento, informou que, atualmente, 900 famílias vivem na Vila Autódromo, que começou a ser ocupado ha pelo menos 40 anos. Segundo Jane, há 20 anos os moradores receberam do governo estadual um documento de posse dos terrenos.

“Nós temos o título de posse e ele não é respeitado. Um governo vem e cede o documento, aí outro governo [prefeitura] tenta tirar o direito adquirido pela comunidade. Para termos um governo desses é melhor a gente mesmo governar”, afirmou a líder comunitária.

Para o representante do Comitê Popular da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, Roberto Morales, a melhor saída para a Vila Autódromo seria a prefeitura investir em urbanização em vez de remover os moradores.

“A comunidade discutiu um projeto de urbanização que fica muito mais barato do que a remoção. E também mais saudável, porque uma remoção não implica não apenas o transtorno da mudança. As pessoas são tiradas de seu trabalho e as crianças ficam sem escola pelo menos por um período”, disse Morales.

Na manifestação, viam-se também faixas e cartazes pedindo respeito aos povos da Amazônia e até com uma curiosa operação: "Eco 92+20 = 0". O protesto não causou transtornos para o já caótico trânsito da região, mas, apesar disso, policiais militares e agentes da Guarda Municipal acompanharam à distância toda a movimentação.





 
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