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Acessibilidade ainda é desafio para a Copa

Especialistas mostram que deficientes terão problemas já na chegada ao país

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Marcos de Sousa
postado em 13/06/2012 19:21 h
atualizado em 14/06/2012 17:58 h

Desde agosto de 2009, o Brasil é signatário da Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência. Na prática, isso significa que as autoridade brasileiras se obrigam a respeitar a dignidade, a autonomia, o direito ao trabalho e de acessbilidade para todas as pessoas com alguma deficiência física. Enfim, é lei e deve ser cumprida.

No entanto, os preparativos do Brasil para a Copa de 2014 mostram que, a exceção dos estádios, as cidades não estarão prontas para receber turistas e torcedores que tenham algum tipo de deficiência. Esse panorama ficou evidente durante o evento Copa for All, realizado nesta semana no Teatro Vivo, em São Paulo, com a participação de arquitetos, engenheiros, especialistas na legislação sobre deficientes e dezenas de representantes de empresas e organizações que trabalham com o tema.

No primeiro dia de trabalhos, os arquitetos responsáveis pelas arenas de Brasília (Eduardo de Castro Mello), Porto Alegre (Maurício Santos) e Salvador (Marc Duwe) apresentaram suas propostas para garantir a acessibilidade nos estádios.

Aqui um primeiro desafio: leis e normas divergem quanto ao número mínimo de lugares acessíveis obrigatório em cada estado. Se aplicada a visão mais conservadora, o Estádio Nacional Mané Garrincha, por exemplo, teria pouco mais de 1.400 pontos para deficientes; ou quase 3.000 lugares adaptados, se prevalecer a norma técnica que preconiza um mínimo de 4% de lugares para esse público.


Ambulift: equipamento ainda é raro em aeroportos do Brasil (crédito: Turismo Adaptado / Divulgação)

A questão foi objeto de debate à tarde, com a participação de três especialistas em direito aplicado ao deficiente físico, os advogados Marcio Marcucci (Procon/SP), Luiz Alberto David Araujo, e Luiz Ricardo Modanese. Para os especialistas, em caso de dúvida, deve ser aplicada a norma que prevê a melhor situação para o deficiente.

Os advogados também mostraram a grande disparidade ainda existente entre o que a legislação prevê e a vida prática nas cidades, em ambientes de trabalho, escolas, transporte público e também na conservação das calçadas públicas, ainda distantes de um padrão mínimo de conforto e segurança.

O professor Araujo, lembrou que todas as conquistas já obtidas foram resultado de vários anos de lutas na Justiça e insistiu na necessidade de que os brasileiros acionem com mais frequência o poder judiciário e cobrem insistentemente seus direitos das autoridades.

Aeroporto e calçadas
A acessibilidade nos aeroportos também mobilizou a plateia após a exposição do arquiteto Carlos André Kuniyoshi, sobre as ações da Infraero para melhorar o conforto dos passageiros deficientes nos embarques e desembarques nos aeroportos brasileiros.

Kuniyoshi mostrou várias intervenções de adaptação em banheiros, pontes de embarque, saguões e balcões, e explicou que essas alterações são relativamente recentes na maior parte dos aeroportos do país. O representante da Infraero esquivou-se de responder sobre a acessibilidade nos ônibus que atendem aos aeroportos, "por se tratar de serviços administrados por autoridades municipais ou estaduais".

O tema das calçadas foi abordado por Fábio Batista, Julie Nakayama e Ricardo Sigolo, que representaram a ONG Guardiões de Calçadas. Eles mostraram o trabalho que realizam há alguns para avaliar as calçadas da capital paulista, observando a qualidade dos pisos, a manutenção das rampas de cadeirantes e a existência de sinalização adequada.

Sigolo lembrou que são raríssimo os cruzamentos com sinalização sonora, para orientar pessoas com deficiência visual, como é seu caso. Fábio e Julie relataram o resultado de sua campanha para a melhoria das calçadas da av. Paulista, que se tornaram referência em todo o país. 

Na quarta-feira (13), os debates foram centrados em programas e tecnologias que facilitam o chamado turismo adaptado, que permite viagens de pessoas com deficiência, com conforto e segurança.

O evento Copa for All foi organizado pela Mandarim Comunicação, editora do Portal 2014, e pelo ITS - Instituto de Tecnologia de Software, com apoio do CNPQ, da Abridef, da Vivo Telefonica, e da Unip - Universidade Paulista.

Por meio deste link do Google Drive, você pode ter acesso a todas as apresentações dos especialistas que falaram no evento.





 
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