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Torcida "familiar" é solução para arenas da Copa, diz arquiteto

Carlos de La Corte aposta em normas de punição e administração eficiente para viabilizar estádios

Estádio Wembley, na Inglaterra
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Rafael Massimino - São Paulo
postado em 14/08/2009 12:20 h
atualizado em 14/08/2009 13:56 h

A mudança de atitude da torcida e dos administradores de estádios é fundamental para o Brasil viabilizar as arenas da Copa 2014 e transformar o futebol em negócio ainda mais lucrativo. A opinião é do arquiteto Carlos de La Corte, que presta consultoria técnica de estádios ao Comitê Organizador Local da Copa 2014 (COL).

Segundo diagnóstico do arquiteto, a existência de falhas estruturais, a operação deficitária e a má administração são os problemas mais comuns dos estádios brasileiros. Para de La Corte, o vandalismo e a violência da torcida têm relação direta com o descaso dos operadores de arenas, e ainda é incentivado pela impunidade e insegurança jurídica dos frequentadores.

Exemplo inglês
Para o arquiteto, um modo de o Brasil superar essas deficiências é seguir o exemplo da Inglaterra. Nas décadas de 1960 e 1970, proliferou no país europeu o hooliganismo, termo cunhado para as frequentes brigas e depredações de torcedores. Para lidar com o problema, os ingleses criaram normas de punição e apostaram em um novo conceito de estádios, priorizando a segurança e o conforto do torcedor.

“Na Inglaterra, houve a criação de um novo público, menos fanático e mais ligado à família. A construção de estádios mais seguros e confortáveis, com ingressos mais caros, ajudou a atrair essas pessoas”, analisa o arquiteto.

No Brasil, a torcida é menos violenta que os hooligans, avalia de La Corte. No entanto, a renovação dos estádios para o Mundial passa, necessariamente, por uma mudança de cultura para evitar depredações e brigas. Para o arquiteto, estádios mal conservados e vandalismo são uma via de mão dupla. “O mau comportamento gera patologias, mas a conservação inadequada e a administração ineficiente influenciam o descaso do torcedor.”

"Monumento": Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha

Visibilidade
Os pontos-cegos também influenciam negativamente o comportamento da torcida, segundo o arquiteto, problema de que nenhum dos grandes estádios brasileiros escapa. “No Maracanã, por exemplo, os 87 mil lugares se reduzem a 56 mil”.

"O alto índice de pontos-cegos deve-se a um conceito arquitetônico ultrapassado", avalia de La Corte. Construídos em sua maioria há 30 ou 40 anos, os estádios brasileiros foram concebidos com pista de atletismo – que afasta a torcida do campo –, e com duas tribunas de arquibancada – cuja inclinação, nem sempre bem calculada, provoca visibilidade deficiente.  

Viabilização das arenas
A viabilização dos estádios da Copa passa ainda pela profissionalização dos gestores de arenas e dos clubes, acredita de La Corte. “É difícil obter lucro com estádios, devido à tipologia do edifício e à dificuldade de administração. As despesas e receitas andam juntas. Assim, é necessário aperfeiçoar a operação dos estádios e sanear financeiramente os clubes”.

Um modo de tornar os estádios lucrativos – ou menos deficitários – é criar novas receitas. A construção de áreas VIP para comercialização e a adaptação para shows e grandes eventos – como a construção de arquibancadas retráteis – são apontadas como solução.

Outra alternativa, principalmente em cidades com pouca tradição no futebol, é transformar os estádios em “monumentos” turísticos, que podem ser instrumentos de transformação urbana, acredita de La Corte. “Temos os exemplos bem sucedidos da Allianz Arena (Alemanha), do Estádio Wembley (Inglaterra) e do Museu Guggenheim de Bilbao (Espanha), que se tornaram pontos de atração das cidades. Muita gente critica o investimento público em estádios, mas o retorno pode ser grande”, aposta o arquiteto.

Para ele, o poder público pode ajudar na viabilização das arenas através de financiamento, Parcerias Público-Privadas (PPPs), concessão de garantia aos empreendedores e de “injeção direta de dinheiro dos Ministérios”.

Por outro lado, as disputas político-partidárias e a letargia do Estado podem dificultar a organização da Copa de 2014: “Eventos desse porte transcendem as disputas políticas. Hoje não estamos preparados para eventos como esse. Não temos a experiência da Europa.”





 
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