Visibilidade
Os pontos-cegos também influenciam negativamente o comportamento da torcida, segundo o arquiteto, problema de que nenhum dos grandes estádios brasileiros escapa. “No Maracanã, por exemplo, os 87 mil lugares se reduzem a 56 mil”.
"O alto índice de pontos-cegos deve-se a um conceito arquitetônico ultrapassado", avalia de La Corte. Construídos em sua maioria há 30 ou 40 anos, os estádios brasileiros foram concebidos com pista de atletismo – que afasta a torcida do campo –, e com duas tribunas de arquibancada – cuja inclinação, nem sempre bem calculada, provoca visibilidade deficiente.
Viabilização das arenas
A viabilização dos estádios da Copa passa ainda pela profissionalização dos gestores de arenas e dos clubes, acredita de La Corte. “É difícil obter lucro com estádios, devido à tipologia do edifício e à dificuldade de administração. As despesas e receitas andam juntas. Assim, é necessário aperfeiçoar a operação dos estádios e sanear financeiramente os clubes”.
Um modo de tornar os estádios lucrativos – ou menos deficitários – é criar novas receitas. A construção de áreas VIP para comercialização e a adaptação para shows e grandes eventos – como a construção de arquibancadas retráteis – são apontadas como solução.
Outra alternativa, principalmente em cidades com pouca tradição no futebol, é transformar os estádios em “monumentos” turísticos, que podem ser instrumentos de transformação urbana, acredita de La Corte. “Temos os exemplos bem sucedidos da Allianz Arena (Alemanha), do Estádio Wembley (Inglaterra) e do Museu Guggenheim de Bilbao (Espanha), que se tornaram pontos de atração das cidades. Muita gente critica o investimento público em estádios, mas o retorno pode ser grande”, aposta o arquiteto.
Para ele, o poder público pode ajudar na viabilização das arenas através de financiamento, Parcerias Público-Privadas (PPPs), concessão de garantia aos empreendedores e de “injeção direta de dinheiro dos Ministérios”.
Por outro lado, as disputas político-partidárias e a letargia do Estado podem dificultar a organização da Copa de 2014: “Eventos desse porte transcendem as disputas políticas. Hoje não estamos preparados para eventos como esse. Não temos a experiência da Europa.”