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A um mês da reabertura, Independência tem seis mil pontos cegos

Alternativa ao Mineirão em BH, novo estádio será reaberto com assentos com visibilidade ruim

Estádio Independência terá seis mil pontos cegos (crédito: Arquivo)
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Da redação - São Paulo
postado em 03/02/2012 17:43 h
atualizado em 03/02/2012 18:33 h

Principal alternativa ao estádio do Mineirão, em obras para a Copa de 2014, o novo Independência será reinaugurado em março, após ampla reforma que começou em 2010 e custou R$ 120 milhões aos cofres públicos.

Mas o Ministério Público de Minas Gerais identificou nas últimas semanas um grave problema: a arena com capacidade para 25 mil lugares será reaberta com cerca de seis mil pontos cegos, ou 24% da capacidade total.

Trata-se de um setor inteiro, o nível 3 das arquibancadas, que fica a uma altura de 27 metros e a uma inclinação de 45º. Por se tratar de um espaço muito íngreme, foi necessária a instalação de guarda-corpos para proteger os torcedores. E é este acessório justamente o responsável pelos pontos cegos.

Por meio de nota, o arquiteto responsável pelo novo Independência, Leon Myssior, explicou a situação.

De acordo com ele, "os guarda-corpos foram inicialmente propostos de duas formas distintas". Uma primeira alternativa "mais simples e com menor custo", a exemplo do estádio do clube alemão Borussia Dortmund, como se fossem barras protetoras; e uma segunda opção "em vidro laminado de segurança ou plexiglass, com maior custo".

Myssior conta que a proposta simples, no modelo alemão, acabou vetada por imposição da legislação de segurança do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, que exigia "alturas pré-determinadas e preenchimento da parte central da proteção". Assim, as barras protetoras não poderiam ser instaladas.

Depois, a opção pelos vidros laminados ou plexiglass caiu por terra por conta de um problema de viabilização de recursos. Segundo Myssior, o custo era de cerca de R$ 30 milhões, mas o governo federal "não liberou mais do que R$ 2 milhões".

"Assim, vimos a segunda alternativa vetada naquele momento pelo governo do estado em razão de seu custo elevado, e em um momento de extrema dificuldade na alocação de recursos para as obras do Independência", explicou o arquiteto.

Myssior acabou optando por grades de metal entrelaçado, que impedem a queda de torcedores do terceiro anel de arquibancadas mas obstruem a visão do campo de jogo.

Para contornar o problema, o secretário da Copa em Minas Gerais, Sérgio Barroso, indicou que poderá cobrar ingressos mais baratos na área em que a visão do campo está comprometida. 

O MP-MG está analisando o caso. O estádio Independência deverá, mesmo assim, ser inaugurado com os seis mil pontos cegos.





 
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