Ao que indica reportagem publicada hoje (11) em "O Estado de S. Paulo", o governo brasileiro está trabalhando com a Fifa para afastar o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, de todas as decisões relativas à Copa de 2014.
De acordo com o jornal, duas reuniões nos últimos dias evidenciam a manobra. Na segunda-feira (9), Pelé se reuniu com a cúpula da Fifa em Zurique, na Suíça. O ex-jogador declarou que havia chegado para "apagar o fogo", em alusão às recentes desavenças entre o presidente da federação internacional, Joseph Blatter, e o mandatário da CBF, e que tinha autorização da presidente Dilma Rousseff para falar sobre os preparativos do Mundial.
Na terça-feira (10), foi a vez do deputado Romário, outro que vem se manifestado abertamente contra Teixeira, se reunir com Blatter para tratar de assuntos referentes à Lei Geral da Copa.
Segundo a reportagem, Romário e Blatter querem criar um grupo formado por integrantes do Congresso brasileiro, o ministro do Esporte, o ministro da Fazenda e um representante da presidente Dilma Rousseff, para, nas próximas semanas, fechar um acordo a respeito da legislação da Copa. A CBF estaria fora da "comissão".
Joseph Blatter pretende, ainda, promover uma mudança drástica na equipe do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo, hoje comandada por Ricardo Teixeira. Conforme noticiou o "O Estado de S. Paulo", Romário teria dito ao presidente da Fifa que o COL poderia contar com um "técnico no assunto" no comando e "cinco ou seis jogadores" o auxiliando. Um dos nomes já foi inclusive ventilado: é o do ex-capitão da seleção brasileira Cafu.
Em baixa
Em meio às ameaças de que arquivos que comprovam o escândalo envolvendo a empresa de marketing esportivo ISL e a Fifa serão divulgados, Ricardo Teixeira se vê acuado, com a imagem desgastada diante tanto do governo brasileiro quanto da Fifa.
Blatter, por sua vez, vem se aproveitando do momento para estreitar relações, segundo o "Estado", com os desafetos do dirigente brasileiro. Romário, que afirmou ter sido procurado pela federação internacional, é um deles. O ex-craque chegou a declarar ao jornal que era a "hora de fechar um acordo", em referência aos tópicos da Lei da Copa que interessam à Fifa e emperraram no Congresso.