De posse da minuta do contrato de parceria com a Andrade Gutierrez, após seis meses de negociações, a direção do Internacional encaminhou os trâmites burocráticos para aprovar o novo modelo de financiamento da reforma do Beira-Rio, estádio escolhido para sediar jogos da Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre.
Se o texto for aprovado em reunião do Conselho Deliberativo marcada para o próximo dia 15, a construtora terá 30 dias a contar da assinatura do contrato para reiniciar as obras, paradas desde meados de junho.
O clube não informou quando, se o contrato receber a aprovação dos conselheiros no dia 15, será realizada a assinatura do documento. Mas a direção colorada já manifestou no passado interesse em realizar uma cerimônia para formalizar a parceria de 20 anos com a Andrade Gutierrez.
É provável, portanto, que um evento seja realizado com a presença da construtora mineira após a reunião do conselho e, só a partir de então, a empreiteira terá 30 dias para recomeçar os trabalhos no estádio - um prazo que deve se encerrar nos primeiros 20 dias de janeiro. O contrato prevê também que a empresa cumpra os prazos da Fifa para entrega do estádio em tempo de receber jogos da Copa de 2014.
Depois de seis meses de espera, o contrato chegou ao presidente do Inter, Giovanni Luigi, na última sexta-feira (2), mas a informação foi mantida sob sigilo pela diretoria para não tirar o foco do clube no clássico Gre-Nal que garantiu a classificação do time à pré-Libertadores de 2012.
Na segunda-feira (5), a diretoria realizou uma longa reunião com a Comissão de Obras do clube, quando as cláusulas do texto foram apresentadas minuciosamente com o apoio de advogados contratados. O documento foi aprovado pelos membros da comissão. Nesta quarta-feira (7), a diretoria ainda se encontra com o Conselho Consultivo do clube e com líderes dos movimentos políticos colorados para apresentar os detalhes da parceria.
O documento tem cláusulas de confidencialidade. Em entrevista coletiva realizada na manhã desta quarta-feira (7), Luigi evitou expor informações objetivas sobre o texto e resumiu a negociação com a empresa afirmando que os desejos do clube foram atendidos: “A direção tem a convicção que este é o modelo que atende ao Internacional: deixará o clube com um estádio moderno, no padrão Fifa, e livre de investimentos inflacionários. O clube não compromete seu futuro ao longo dos anos”.
Entre quinta-feira e quarta-feira da semana que vem, o contrato estará disponível para leitura dos conselheiros, que serão assessorados por advogados e terão a vigilância de um segurança. O texto não poderá ser fotografado ou tirado da sala.
Orçamento mais alto
Na entrevista, Luigi deu a entender que o custo da obra subiu. Segundo conselheiros ouvidos pelo jornal "Zero Hora", o contrato estima a reforma em R$ 330 milhões, ou 13,8% a mais do que a proposta original da construtora, que orçou o projeto em R$ 290 milhões.
O presidente do clube não confirmou o número, mas garantiu que a elevação de custos não atinge o Inter. “Para o Internacional não mudou nada. Desde o primeiro momento, existe uma contrapartida do clube sobre esta questão e para o clube não mudou absolutamente nada do momento inicial até agora”, afirmou Luigi.
O Inter terá que acar com R$ 26 milhões referentes à venda do Estádio dos Eucaliptos (parte desses recursos já foram utilizados na reforma) e mais R$ 8 milhões da venda antecipada de suítes, setor cuja exploração passa a ser de direito da Andrade Gutierrez.
Perguntado se o custo da obra estava maior para a construtora, Luigi disse: “Nesse período todo, eventualmente existiu uma inflação. E esse valor poderá continuar mudando ao longo do tempo. Eventualmente, haverá alguma exigência nova Fifa. Todas essas questões são de responsabilidade da construtora e isso está explícito em contrato”.
Financiamento
O Inter optou por alterar o modelo de financiamento da obra em março. A nova diretoria entendeu que custear a reforma apenas com a venda dos Eucaliptos e com a antecipação da venda de suítes poderia causar prejuízos ao clube. A Andrade Gutierrez foi anunciada como a parceira preferencial em maio.
Desde então o clube negocia o contrato com a empresa, superando a meta inicial de assinar o texto em 30 dias. Em junho, o clube interrompeu os trabalhos no Beira-Rio, deixando parte da arquibancada inferior demolida. Até então, o Inter havia concluído a fase de estaqueamento da futura cobertura metálica que vai cobrir o estádio, além de obras no sistema de drenagem do terreno. A suspensão dos trabalhos foi uma das razões que levou a Fifa a tirar Porto Alegre da lista das cidades da Copa das Confederações de 2013.
Com a parceria, a Andrade Gutierrez poderá explorar por 20 anos novas áreas comerciais que serão construídas no entorno do Beira-Rio. Serão 3 mil vagas de estacionamento em um edifício-garagem, 5 mil cadeiras VIP, 121 camarotes e 5 mil metros quadrados de lojas. O clube manterá intacta as receitas já existentes, como a renda dos jogos, mensalidades de sócios e áreas de publicidade.
Luigi garantiu ainda que o estádio não será interditado para as obras ao longo de 2012. O clube tem preferência para o uso do Beira-Rio em jogos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro. No Campeonato Gaúcho, no entanto, o presidente admitiu a possibilidade de utilizar outros campos para permitir agilidade na reforma.
O presidente informou que a Andrade Gutierrez estuda fechar o Beira-Rio entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013 para acelerar os trabalhos, mas a medida será tomada somente em caso de necessidade.