Trabalhar de graça enquanto todos estão se divertindo e torcendo para a seleção do coração. Pagar viagem de ida e volta para a África do Sul, alimentação e hospedagem durante a Copa do Mundo. Afinal, por que alguém iria querer ser um dos 15 mil voluntários que a Fifa está recrutando para atuar durante a Copa de 2010? A resposta, da estudante Larissa Haack, é simples: "Ser voluntário em um evento esportivo desse porte não tem preço": Confira o depoimento de Larissa:
Ser voluntária
"Sempre quis participar de um grande evento esportivo e desde criança assisto direto às competições, tanto das Olimpíadas e Pan-americanos como dos jogos da Copa do Mundo. Minha chance apareceu em 2005, quando me inscrevi para trabalhar como voluntária nos Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro. Durante um bom tempo cumpri todas as etapas exigidas pelo comitê organizador. Passei por teste de inglês, dinâmica de grupo e prova para avaliação de meus conhecimentos sobre cartilha de procedimentos.
Após uma longa espera, em julho de 2007 embarquei para o que chamei de “férias não-férias”. Antes de ir, é claro que ouvi muitas perguntas em sequência como: Você vai receber para trabalhar lá? Eles vão pagar/dar alguma coisa? Qual a vantagem de ir até o Rio de Janeiro, pagar estadia, alimentação por duas semanas e ainda trabalhar de graça? Respostas fáceis para uma amante do esporte.
Primeiramente, a expressão trabalho voluntário já diz tudo. Você está ali por que quer trabalhar e aceita as condições em prol de algo maior, mais importante. A segunda questão é um tanto difícil de responder, pois só estive em um evento. No caso do Pan 2007, não recebemos dinheiro, o que ganhamos foi uma bolsa charmosinha com o uniforme dos voluntários, vale transporte com crédito suficiente para ir e voltar todos os dias do local de trabalho até onde estava hospedada, vale alimentação que dava direito a lanchinhos no local do evento e, para agradar, ingresso para um dos jogos.
Sobre a última questão, posso dizer que realmente 'trabalhei de graça'. O pagamento foi a enorme satisfação de ter participado e a experiência de trabalhar em um grande evento. Isso tudo sem contar a emoção de contribuir para que os jogos dessem certo e que aqueles atletas, que tanto se esforçaram durante o campeonato, estejam no alto do pódio recebendo a medalha. A emoção é maior ainda quando os atletas são brasileiros e ouvimos tocar o hino nacional.
Mas, atenção! Trabalhar como voluntário exige disposição para cumprir horário, paciência para lidar com o público e neutralidade. Os voluntários não devem jamais torcer para uma equipe e precisam demonstrar estar felizes com qualquer resultado. Então, quem for voluntário que se prepare para apoiar a França, Alemanha, Espanha e, principalmente, a equipe da Argentina!
(Larissa Haack)