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O colecionador de Copas

O mochileiro Alcides Andrade já participou de oito Copas do Mundo e conta suas experiências

Alcides (centro) em Tijuana, México, durante a Copa dos EUA em 1994 (crédito: Arquivo pessoal)
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Luana Costa
postado em 30/07/2009 16:07 h
atualizado em 03/08/2009 14:48 h

Os apaixonados por futebol vão a uma Copa do Mundo não apenas para torcer pelo seu país. O clima festivo, a comemoração e a expectativa muitas vezes são mais interessantes do que a própria disputa pelo primeiro lugar no campeonato. No meio dos milhares de torcedores, surgem as tais “figurinhas” da Copa. São os mais diversos tipos de personagens que invadem os estádios e roubam a cena.

Uma dessas figuras mora em Manaus e, de 1978 para cá, participou de quase todos os Mundiais. “Estive na Argentina, México, Espanha, Itália, Estados Unidos, França, Japão e Coreia e Alemanha”, enumera Alcides Andrade, 60, advogado e empresário.

Paixão pelo futebol? “Que nada. Nem sou ligado em futebol. O que eu gosto mesmo é de viajar. Em época de Copa, o brasileiro é muito bem recebido, afinal somos os campeões do mundo. Por isso escolho essa época para visitar o país do Mundial”, conta.

As viagens
Alcides prefere não viajar com agências de turismo. “O meu negócio é mochilão. Os pacotes de viagem geralmente são muito caros. Ir ‘avulso’ garante mais liberdade”, diz.

Para ele, a única vantagem dos pacotes é que há a garantia dos ingressos. “Já tive problemas com ingressos, mas nunca deixei de assistir aos jogos que queria. Eu sempre me viro...”, conta.

Partir para a aventura da Copa do Mundo já lhe rendeu muitas histórias. “Na Copa do México, fui com a intenção de ficar em hotel, acabei fazendo amizade com um mexicano que chegou a oferecer hospedagem durante a Copa inteira em sua casa. Detalhe: tudo na faixa”.

Para ir a uma Copa, Alcides começa a planejar sua viagem cerca de um ano a seis meses antes. “Quando eu estava na Copa 2006, por exemplo, já comecei a planejar a Copa de 2010. Mas o dinheiro e os detalhes eu só começo a pensar mesmo cerca de um ano e meio antes”, comenta.

Alcides (de boné, sentado) em Veneza durante a Copa de 1990, na Itália (crédito: Arquivo pessoal)

Motorhome
Quando viaja para a Copa, o advogado procura ir sempre em grupo, que ele mesmo organiza, e que conta tanto com amigos, como com outros possíveis interessados na aventura. Sem número fixo: já foi acompanhado tanto de três como de dez pessoas. Já para se hospedar e transportar, Alcides é adepto do motorhome. “Ele é tudo para nós. Oferece muitas vantagens, como o ganho de tempo. Enquanto um cozinha, o outro dirige, e assim por diante”, explica. Ele lembra que, quando começou a adotar o motorhome, era difícil ver outros que faziam o mesmo: “Nas últimas Copas, porém, reparei que muitos já o utilizavam”, observa.

Além de tempo, o transporte economiza dinheiro. “O combustível do motorhome é um dos itens mais baratos da viagem. E a refeição também fica em conta, já que podemos cozinhar no próprio veículo”, entusiasma-se.

Para quem quer viajar de motorhome, o advogado dá a dica. “Antes de tudo, procure fazer a reserva do veículo. A procura pelo trailler é enorme, especialmente em época próxima à Copa. Existem várias empresas que trabalham com o serviço, e ela nem precisa ser do país sede. Para o ano de 2010 (Copa da África do Sul) eu já aluguei meu trailer, de uma empresa alemã. A reserva é simples, pode ser feita pela internet”.

As personagens
Curioso nas trajetórias de Alcides pelas Copas do Mundo são as personagens que ele incorpora. “Eu vou fantasiado a todos os jogos”, explica.

As fantasias, geralmente inspiradas no país que recebe o Mundial, já fizeram sucesso em várias partes do mundo por onde passou. “As pessoas param para tirar fotos, especialmente as crianças. E eu me divirto”. 

Histórias não faltam: “Nos Estados Unidos, eu estava passeando fantasiado quando uma viatura policial me parou na rua. Não sei falar inglês, então fiquei preocupado, imaginei até que fosse proibido andar pelas ruas de fantasia nos Estados Unidos; vai saber... Mas, na verdade, os policiais só queriam tirar algumas fotos do meu traje”, diverte-se lembrando.





 
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