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Após Copa, África do Sul vive orgulho nacional e problemas econômicos

Onda de otimismo com a competição contrasta com a situação atual dos estádios sul-africanos

Estádio Green Point, na Cidade do Cabo, custou cerca de R$ 1 bilhão (crédito: Arquivo)
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Da redação
postado em 17/12/2010 11:34 h
atualizado em 17/12/2010 12:29 h

A Copa do Mundo de 2010 deixou na África do Sul uma grande marca, renovando o orgulho nacional da população e deixando uma dezena de estádios imponentes, mas ficaram também problemas econômicos derivados da má gestão das infraestruturas do torneio.

Sem dúvida, a grande beneficiada pelo que a Fifa chamou de "o maior evento esportivo do mundo" foi a imagem internacional sul-africana, já que o país apresenta uma elevada taxa de violência e é considerado como um dos mais perigosos do planeta.

Segundo uma pesquisa realizada pela entidade máxima do futebol, 99% dos torcedores que viajaram à África do Sul avaliaram os estádios nos quais os jogos foram disputados de forma muito positiva, 98% ficou encantado com o ambiente e 84% melhorou a opinião que tinha sobre o país.

Essa onda de otimismo não afeta apenas os turistas que foram ao país-sede da Copa, mas também os próprios sul-africanos, dos quais nove em cada dez afirmaram após o Mundial que sua autoestima tinha crescido e 87% disse estar mais seguro do que nunca da capacidade do país.

Alguns analistas, como o jamaicano Horace Campbell, professor da Universidade de Syracuse, em Nova York, estendem os efeitos positivos da Copa a todo o continente africano: "A contribuição mais importante da Copa do Mundo foi o fortalecimento da cultura pan-africana".

No entanto, poucos meses depois do Mundial, a África do Sul já começa a encontrar dificuldades para conseguir que as os estádios construídos para o torneio sejam rentáveis.

No total, para a melhoria de infraestrutura para receber o evento, sobretudo estradas e aeroportos, além dos estádios, o Estado sul-africano investiu pelo menos 42,5 bilhões de euros.

O estádio da Cidade do Cabo, que custou 450 milhões de euros, se tornou o centro da polêmica depois que as empresas Sail e Stadefrance, que se combinaram e formaram um consórcio que ficou encarregado da administração durante o Mundial, deu marcha à ré em seu compromisso de alugá-lo para 30 anos.

O Sail Stadefrance argumenta que, após um estudo, chegou à conclusão que manter o estádio é caro demais e que as despesas que seriam produzidas nos primeiros cinco anos a levou à conclusão que o investimento seria "irresponsável e imprudente".

Embora em alguns estádios tenham sido realizados grandes eventos esportivos após o Mundial, especialmente no Soccer City, em outros, como o de Polokwane ou o de Port Elizabeth, não foi registrada atividade alguma e, por isso, já se encontram em uma situação econômica insustentável.

Para solucionar o problema, o Governo vem pedindo às equipes de rúgbi e críquete, dois esportes que na África do Sul movimentam mais dinheiro que o futebol, que realizem partidas nos novos estádios ou que se transfiram para eles para assegurar sua viabilidade.

A resposta das instituições e das equipes das duas modalidades é que quando os estádios foram construídos, elas não foram consultadas para saber se estavam dispostas a aproveitá-los.

"Infelizmente, estamos limitados pelo tamanho do campo de jogo. Quando construíram, nós não fazíamos parte do projeto", disse o diretor-executivo da Cricket South Africa, que gerencia o esporte no país, Gerald Majola.

Por sua vez, analistas como o sul-africano Piet Coetzer, destacam que "o que estava mais ausente no planejamento da construção desses ostentosos monumentos era como se pagariam as faturas depois que as equipes internacionais e os torcedores tivessem ido embora".

Quanto ao novo sistema de transporte público, só uma minoria se beneficia do Gautrain, considerado o estandarte da modernização na África do Sul, já que poucos podem pagar os 10 euros cobrados por um bilhete do centro de Johanesburgo até o aeroporto.





 
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