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Envolta em suspeitas, Fifa escolhe sedes das Copas de 2018 e 2022

Estádio Lusail, ponta de lança da canditatura do Catar (crédito: Divulgação)
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Da redação - São Paulo
postado em 30/11/2010 16:22 h
atualizado em 30/11/2010 18:10 h

Termina nesta quinta-feira (2) uma campanha que teve início em maio de 2009 e foi marcada por denúncias de escândalos e corrupção sem precedentes na história da Fifa. Os membros do comitê executivo da entidade escolherão de uma só vez as sedes das Copas de 2018 e 2022. E apesar da campanha milionária das nove candidaturas, que investiram pesado em marketing e em promessas de estádios e instalações exuberantes, a decisão dos principais dirigentes da Fifa será marcada pela desconfiança.

Isso porque em outubro, a menos de dois meses da votação, dois integrantes do comitê foram flagrados negociando a venda de seus votos. Depois de denúncias do jornal inglês “Sunday Times”, o nigeriano Amos Adamu e o presidente da Confederação de Futebol da Oceania, o taitiano Reynald Temarii, foram afastados pela Fifa.

Com isso, o número de delegados que votarão na próxima quinta encolheu para 22. Entre eles, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, também acusados recentemente pela rede britânica "BBC" de receber propina de uma empresa vinculada à Fifa em meados década de 90.

A apresentação das candidatas começa amanhã, em Zurique, na sede da Fifa. Cada país terá 30 minutos. Os candidatos à Copa de 2022 (Austrália, Coreia do Sul, Catar, Estados Unidos e Japão) se apresentam no primeiro dia, a partir das 18h. Na quinta-feira, às 13h, será a vez dos postulantes ao Mundial de 2018 mostrarem seus projetos (Bélgica/Holanda, Espanha/Portugal, Inglaterra e Rússia).

Copa de 2018
(por ordem de apresentação na quinta-feira)

Bélgica/Holanda
Com o ex-jogador Ruud Gullit à frente da candidatura, os países que sediaram a Eurocopa 2000 apresentaram 14 estádios em 12 cidades. Desses, apenas um está pronto, o estádio do Feyenoord - De Kuip, em Roterdã. Sete serão reformados e seis serão construídos. A cidade de Amsterdã terá dois estádios reformados: o Amsterdã Arena, com capacidade para 65 mil torcedores e o estádio Olímpico, que comporta 43 mil pessoas. Duas arenas terão mais de 80 mil lugares, o New Roterdã Stadium, com 83 mil e o Brussels Stadium, com 80 mil. Eles devem estar prontos em 2015 e 2017, respectivamente.

Espanha/Portugal
A candidatura ibérica aposta na estrutura já existente para ganhar o direito de organizar a Copa de 2018. A organização apresentou 21 estádios em 18 cidades. Em Portugal, sede da Euro 2004, apenas Porto e Lisboa serão palcos dos jogos. Na Espanha, serão 16 cidades e 18 estádios. Somente dois estádios serão erguidos: o de Zaragoza e de Málaga. Nove arenas têm capacidade superior a 50 mil espectadores. Entre eles, o Camp Nou, do Barcelona (98 mil) e o Santiago Bernabéu, do Real Madrid (80 mil).

Inglaterra
Os ingleses podem voltar a sediar uma Copa do Mundo após 52 anos. Para isso, colocaram à disposição 17 estádios em 12 cidades. Sete já estão prontos, cinco serão reformados e cinco serão construídos. Palco da Olimpíada de 2012, Londres aparece como grande trunfo. A capital inglesa terá quatro arenas para o Mundial. Além do estádio Olímpico, que deve estar pronto em 2011, a cidade usará o Emirates, do Arsenal, e Wembley, reformado e com capacidade para 90 mil pessoas. Há previsão ainda para a construção do Londres New White, para 58 mil torcedores.

Rússia
O argumento russo para convencer os membros da Fifa é que nunca um país da Europa Oriental organizou uma Copa do Mundo. Os russos apresentaram 16 estádios em 13 cidades. Só a capital Moscou terá quatro arenas. Entre elas, o estádio Luzhnili, que passará por reformas e comportará 89 mil pessoas. Ele é candidato a palco da abertura e da final da competição, caso o país seja o escolhido. Além dele, apenas o estádio de São Petersburgo, projetado para 62 mil torcedores, terá mais de 50 mil lugares.

Copa de 2022
(por ordem de apresentação na quarta-feira, dia 1°) 


Austrália
O país que foi às últimas duas Copas do Mundo planejou um Mundial com 12 estádios em 10 cidades. Desses, três serão erguidos especialmente para o torneio: em Sydney, para 41 mil torcedores, em Perth, para 60 mil, e em Camberra, para 40 mil. A arena de Melbourne terá 88 mil lugares e a de Sydney, usada nos Jogos Olímpicos de 2000, abrigará 83 mil.

Coreia do Sul
A anfitriã da Copa de 2002 já tem 10 estádios semiprontos para a Copa 2022. Três precisam de grandes reformas e apenas um será erguido especialmente para a competição –o da cidade de Incheon, para quase 84 mil pessoas. Além dele, mais quatro arenas são consideradas de grande porte: o de Busan (com 64 mil), o de Daegu (com 66 mil) e os de Seul, o World Cup e o Olímpico (com 70 mil e 83 mil, respectivamente).

Catar
Sem tradição no futebol, o país tentará obter votos com 11 projetos milionários. Somente o estádio Khalifa, em Al Ain, palco dos Jogos Asiáticos de 2006, já está pronto. Ainda assim, a arena terá capacidade ampliada de 50 mil para 68 mil torcedores. Dos 12 estádios previstos para a competição, apenas dois serão de grande porte: o próprio Khalifa e o de Lusail, com 86 mil lugares, principal arena da candidatura.

Estados Unidos
Organizadores da Copa do Mundo de 1994, os EUA apresentaram apenas um novo estádio para o Mundial. Ele seria erguido em Los Angeles, palco da final da Copa há 16 anos. Na ocasião, apenas nove cidades abrigaram os 52 jogos do torneio. Agora, 18 cidades estão inscritas para receber as partidas. O país aposta na adaptação dos estádios de futebol americano, como do Dolphins, em Miami. Em Nova Jersey, o New Meadowlands, construído em 2007, aparece como um dos trunfos da candidatura, com 82 mil lugares.

Japão
Assim como a Coreia do Sul, o co-organizador da Copa de 2002 também já tem estádios praticamente prontos. No total, são 13 arenas para receber as partidas em 2022. A candidatura japonesa também quer inovar a parte tecnológica de transmissão dos jogos. A proposta é utilizar imagens em três dimensões captadas por câmeras espalhadas pelos estádios. A abertura e o encerramento seriam disputados em Osaka, cujo estádio terá capacidade para 83 mil espectadores.





 
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