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Trem-bala não é viável, avaliam especialistas

Reunidos em SP, técnicos concluem que o TAV é um investimento alto e não- competitivo

Trem-bala: técnicos questionam viabilidade da linha Rio-SP
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Regina Rocha
postado em 29/07/2010 15:44 h
atualizado em 29/07/2010 17:25 h

Custo elevado e baixa competitividade foram os principais problemas atribuídos ao projeto do Trem de Alta Velocidade durante debate realizado ontem na sede da Fecomercio - Federação do Comércio do Estado de São Paulo, na capital paulista.

A discussão, que integra a pauta da reunião do Conselho de Desenvolvimento das Cidades da Fecomercio, teve a participação de especialistas em transportes, em sua maioria simpáticos ao transporte ferroviário, mas céticos quanto à viablidade da ligação Campinas - São Paulo - Rio de Janeiro pelo TAV.

O consultor em transportes Cláudio Senna Frederico, ex-secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, destacou o problema do custo da obra, "um dos projetos mais caros do país", e questionou a real necessidade do TAV. "Antes de tomar uma decisão política pelo trem-bala, e depois buscar as justificativas para sua implantação, os governantes deveriam perguntar: qual a prioridade de transporte entre as cidades brasileiras? E entre Rio e São Paulo, qual a melhor proposta?", sugere o consultor. Para Frederico, "nada no projeto do TAV justifica os investimentos prioritários que o governo pretende realizar, de R$ 33,1 bilhões".

Para embasar suas conclusões, ele projeta resultados de um estudo comparativo de modais entre São Francisco e Los Angeles, feito nos Estados Unidos. "A pesquisa mostrou que o transporte mais econômico ainda é o avião, seguido do trem e da autoestrada. Só que o investimento suplementar à frente é muito superior no caso do trem", adverte Frederico.

A recente análise de que o trecho São Paulo-Campinas do TAV teria mais passageiros e portanto maior viabilidade, não surpreende o especialista. "Apostaria sim numa ligação por trem entre Campinas e São Paulo, ou entre São José dos Campos e Guarulhos, mas nesse caso não seria necessário o TAV. Um trem rápido e moderno, a 180 km/h, seria suficiente", conclui.

Transporte urbano
Rogério Belda, representante da ANTP - Associação Nacional de Transportes Públicos, abordou o problema da conexão do TAV com os sistemas de transporte urbanos: " De que adianta viajar a 300 km/h, chegar no destino e ficar preso em congestionamentos urbanos? Belda argumenta que os trens de alta velocidade devem apresentar uma integração muito maior e muito mais elaborada com os sistemas de transporte urbano das cidades, e este não é o caso do TAV, advertiu. "Não se põe uma estação do trem-bala no centro da cidade. Esse terminal deve ficar na borda da malha urbana, ao contrário do que está sendo projetado", observa Belda.

Outras críticas ao TAV foram levantadas pelos presentes. Questionou-se, por exemplo, se não se trata de mais um projeto "prato feito", no qual os brasileiros só teriam participação na obra, sem transferência de tecnologia ao país. Também foi posta em discussão a disparidade entre a opção por um sistema de trem de passageiros moderno, enquanto a malha ferroviária existente no Brasil continua precária e estrangulada.





 
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